O túmulo de Raquel fica em Belém, ao sul de Jerusalém. Durante séculos, permaneceu à beira de uma estrada tranquila, mas Am Yisrael continuava a vir rezar para Rachel, que chora por seus filhos, conforme registrado pelo profeta Yirmiyahu e pedir a promessa da redenção (gueulá).

Os sábios ensinam que Yaakov previu que seus descendentes passariam por este lugar a caminho da exílio (galut). Portanto, ele sepultou Rachel "na estrada" para que ela os visse e intercedesse por misericórdia, em vez de levá-la para a cidade ou para a Caverna de Machpela. Ele e seus filhos colocaram um marco para que os judeus soubessem o local de sua sepultura onde Raquel intercede por eles.

O Talmud preserva a tefilá de Rachel. “Ribono shel Olam”, ela suplicou, “lembra-te do que fiz por minha irmã Lea. Todo o trabalho de Yaacov foi para que ele pudesse se casar comigo, mas quando chegou a hora, trouxeram minha irmã em meu lugar. Mantive-me em silêncio e até lhe dei o sinal secreto que Yaacov e eu havíamos combinado. Assim também, se os Teus filhos trouxeram uma rival para a Tua casa, fica em silêncio.” A misericórdia de Hashem foi despertada e Ele respondeu: “Por tua causa, Rachel, restaurarei Israel ao seu lugar.”

Do século 5 da era comum até meados do século 19, o túmulo era marcado por uma pequena cúpula sustentada por quatro pilares. Em 1841, Sir Moses Montefiore e sua esposa, que assim como Rachel não tinham filhos, acrescentaram paredes à cúpula e um longo salão onde os visitantes podiam se abrigar, descansar ou comer. A imagem familiar do Túmulo de Rachel na arte e nas fotografias é dessa estrutura.

Em 1948, a Jordânia assumiu o controle da área e os judeus foram proibidos de orar ali. Até então, o túmulo ficava em um campo aberto à beira da estrada, mas um cemitério árabe foi construído ao seu redor e Belém se expandiu até que o túmulo passou a estar no centro da cidade.

Após a vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o túmulo foi reaberto para os filhos de Rachel. Durante os trinta anos seguintes, judeus viajaram de Jerusalém a Belém para rezar. Uma canção popular daquela época cantava: “Seus filhos retornaram a você, Rachel Imeinu, liderados por Binyamin e Yossef. Nunca mais partiremos, Rachel.”

Mais tarde, a situação mudou. Após a violência da Primeira Intifada, Belém foi designada Área A, enquanto Israel manteve o controle do local em si. Em 1996, diante dos constantes ataques, o Ministério de Assuntos Religiosos de Israel construiu um complexo de proteção ao redor dao pequeno prédio, com duas torres de guarda, muros de concreto de um metro e meio de espessura e arame farpado. A construção foi realizada sob ataques de manifestantes e homens armados.

Hoje, o local fica a uma curta distância de carro de Jerusalém. É totalmente fechado, e apenas ônibus e vans blindados passam pelas barreiras de concreto de quatro metros e meio que levam ao túmulo. A cada poucas horas, um ônibus blindado da Egged chega ao posto de controle na entrada de Belém e recebe uma escolta militar. Dois minutos depois, entra no complexo e libera seus passageiros para que rezem para que Hashem finalmente cumpra Sua promessa a Rachel.