A segunda fase da terapia, sugerida pelo segundo significado do verbo no versículo em Provérbios (12:25):

Se houver ansiedade no coração de um homem, deixe que ele a reprima,
E transforme-a em alegria com uma palavra boa.

é ignorar a ansiedade. Isso é muito mais fácil de se fazer, assim que a imensidade do problema na percepção da pessoa tenha sido reduzida pela primeira fase da terapia descrita no artigo anterior.

A fim de ignorar uma preocupação, uma pessoa precisa substituí-lo por algum pensamento positivo. Podemos não ser capazes de parar de pensar, mas temos liberdade de escolher sobre o quê pensar. Ao invés de nos concentrar naquilo que nos preocupa sobre qualquer assunto, podemos focalizar algum aspecto daquilo que nos faça seguros ou felizes. Esta é a intenção por trás da segunda metade do versículo acima mencionado "... e transforme-a em alegria com uma palavra boa." Assim, a Torá nos diz (Devarim 30:19): "Coloquei diante de você a vida e a morte, a bênção e a maldição. Portanto, escolha a vida!"

Em toda situação, há algo positivo e algo negativo em que se concentrar. Escolha pensar no positivo!

O poder do pensamento positivo de provocar o bem, e do pensamento negativo de provocar o mal, tem sido bem documentado mais de uma vez. Não há razão para não utilizar esta ferramenta potente para melhorar a qualidade de vida de alguém de bem estar geral e mental em particular.

Se for entregue a seus próprios recursos, a mente por inércia tenderá a encher-se de pensamentos negativos que brotam de seu subconsciente ainda não retificado. Portanto, é necessário ocupar a mente de maneira cônscia, com pensamentos positivos e puros. A melhor e mais potente fonte de tais pensamentos e atitudes é a própria Torá, como está escrito: (Tehilim 19:9): "Os preceitos de D'us são retos, alegrando o coração."

A imagem usada na Torá para descrever esta técnica é extraída da história de Yossef e seus irmãos. Quando Yossef foi encontrar-se com os irmãos, estes o jogaram num fosso e discutiram sobre como livrar-se dele. A Torá descreve o fosso como "vazio, não havia água ali." (Bereshit 37:24). A Torá oral explica a aparente redundância nesta descrição: de fato não havia água no fosso, mas estava repleto de serpentes e escorpiões. Porém, pelo mérito de sua retidão, D'us não permitiu que as serpentes ferissem Yossef.

A água é freqüentemente entendida como uma palavra de alegoria para simbolizar o fluxo refrescante e vivificador da própria sabedoria da Torá. O fosso nesta alegoria representa a mente humana, que de forma ideal seria um recipiente para conter as águas da Torá; as cobras e serpentes representam os pensamentos negativos e destrutivos que o dominam, na ausência de pensamentos positivos e orientados na direção da Torá. Yossef representa a habilidade da mente em transformar seus maus pensamentos em positivos. Sua entrada no fosso neutraliza o poder das forças negativas que o sobrepujaram.

Todos têm seu Yossef interior, sua habilidade interior de alterar sua perspectiva sobre os problemas e vê-los sob uma luz otimista. Se a pessoa é capaz de invocar e utilizar esta habilidade interior, tanto melhor. Caso não seja, deveria buscar inspiração para reorientar sua perspectiva naqueles que a têm.