Pergunta:

Li nas notícias sobre um funeral que aconteceu, mas em vez de um corpo, era um rolo da Torá sendo enterrado. Nunca ouvi falar disso antes. Você pode explicar algo sobre este costume?

Resposta:

Sefer Torá no Judaísmo

O Sefer Torá, ou rolo da Torá, é profundamente reverenciado no Judaísmo. A Torá incorpora a aliança divina entre D'us e Seu povo e serve como pedra angular da lei, da ética e da tradição judaica.

O Rolo da Torá consiste nos Cinco Livros de Moshe, meticulosamente escritos à mão por competentes e treinados escribas em pergaminho com tinta especial. É tratado com a maior reverência e com o mesmo respeito que se daria a um sábio e erudito. (Na verdade, tecnicamente é o contrário; concedemos ao sábio da Torá o mesmo respeito que prestamos a um rolo da Torá.)

É por esta razão que quando um Sefer Torá não é mais utilizável, ele não é simplesmente descartado no lixo. Em vez disso, é respeitosamente enterrado no solo. 1 Isto se aplica a todos os rolos da Torá, não apenas queimados, que D’us não o permita, mas todos que apresentam problemas tornando-os impróprios para serem usados.

Quando uma Torá é Queimada

Quando um rolo da Torá é queimado isso é considerado uma grande tragédia. Na verdade, um dos dias mais tristes do calendário judaico, o jejum de 17 de Tamuz, comemora cinco terríveis tragédias nacionais, incluindo a queima de um rolo da Torá por Apostomus, o Ímpio. 2 Quando isso acontece, D'us não o permita, não apenas enterramos a Torá, mas também realizamos um funeral público.

Há duas razões para isso:

  1. Demonstra o nosso profundo respeito pela Torá e o grande sentimento de perda; neutralizando a grande tragédia e desgraça que aconteceu quando o rolo da Torá foi queimado. 3
  2. A manifestação pública do luto também nos desperta para a introspecção. Nada neste mundo acontece por coincidência, por isso, quando ocorre uma tragédia como esta, o luto público nos lembra de olhar para dentro de nós mesmos e trabalharmos em nossas falhas e corrigi-las.4

É o contrário

A questão aqui a ser abordada pressupõe que lamentamos a morte de nossos entes e nos perguntamos por que isso se estende aos rolos da Torá. No entanto, o oposto é realmente verdadeiro – aprendemos como lamentar os nossos entes queridos através da forma como uma Torá destruída é lamentada. Nas palavras do Talmud:

Rabino Shimon Bem Elazar diz: Aquele que fica ao lado do falecido no momento da partida da alma é obrigado a rasgar suas roupas.
A que isso pode ser comparado?
A um rolo da Torá que é queimado, pelo qual qualquer pessoa presente é obrigada a rasgar suas roupas. 5

(Esta ligação intrínseca entre a nação judaica e a Torá, e a forma como o Talmud equipara as duas, também deu origem ao costume de perpetuar a memória de um ente querido escrevendo um rolo da Torá em seu mérito. 6)

Um cortejo fúnebre “feliz”

Embora tenhamos discutido os trágicos funerais dos rolos da Torá que foram queimados, é interessante notar que quando uma Torá se torna inutilizável devido a décadas de desgaste habitual, algumas comunidades têm o costume de acompanhá-la ao seu túmulo com um grupo que a carrega e de forma comemorativa. Eles fazem isso para celebrar todo o aprendizado da Torá que foi feito através deste rolo da Torá 7

Em última análise, a Torá não foi feita para ficar em perfeitas condições na arca, mas sim para ser lida para que internalizemos sua eterna sabedoria.