Por Tim Collie – extraído de South Florida Sun-Sentinel
Como muitos judeus russos de sua idade, 28 anos, Alexander Kaller sempre ensina seus pais e pessoas idosas sobre seu legado – uma religião e cultura proibidas durante a maior parte da vida deles.
Rabino em uma das poucas sinagogas que utilizam o idioma russo nas Ilhas Sunny no sul da Flórida, Kaller cresceu enquanto a União Soviética entrava em colapso e a repressão do governo aos judeus se desintegrava.

Ele tinha idade suficiente para se lembrar dos arquivos de estudantes e de um passaporte interno que o rotulava como judeu, mas é suficientemente jovem para ter recebido a educação religiosa que seus pais e avós nunca puderam desfrutar sob o regime soviético.

"Quase perdemos o Judaísmo na Rússia; mais uma geração de comunismo e a maioria dos judeus teria perdido sua identidade judaica," disse Kaller, que é rabino do Movimento Chabad-Lubavitch e que mudou-se para o sul da Flórida há três anos. "Porém atualmente na Rússia, em Moscou, temos um renascimento, com sinagogas que estão repletas, e vão de vento em popa."

Outrora considerada hostil à cultura judaica, a Rússia agora está passando por um notável ressurgimento do Judaísmo, e se tornou a força propulsora por trás do crescimento de comunidades judaicas em toda a Europa Oriental e Ocidental.

Kaller tem um pé nos dois mundos, viajando freqüentemente a uma Rússia que passa pelo renascimento judaico ao mesmo tempo em que ministra para muitos imigrantes na Flórida que estão redescobrindo suas raízes judaicas.

Sentado em seu escritório nas Ilhas Sunny, Kaller explicou que somente foi circuncidado aos 14 anos. E sua experiência não era incomum. Um brit – a cerimônia de circuncisão tradicional feita num bebê do sexo masculino aos oito dias de idade – podia levar um pai para a cadeia na antiga União Soviética.

"Fizemos recentemente circuncisões num rapaz de 20 anos, outro com 30 e um terceiro com 59," disse Kaller. "Na Rússia, dirigi um acampamento para meninos judeus e circuncidamos mais de 50 meninos."

"Há apenas uma década a maioria das pessoas nem sequer admitia ser judia; era muito perigoso, podia custar um emprego ou um apartamento," explicou Rabino Berl Lazar. "Porém hoje as pessoas não têm problemas em dizer que são judias, em mostrar e se envolver em centros comunitários judaicos e em sinagogas."

"O resultado é que os papéis se inverteram: é o jovem que está mostrando o caminho para mães e pais," disse Lazar. Ele é um dos mais influentes líderes judeus atualmente na Rússia.

Ele também é rabino do Movimento Chabad-Lubavitch, um ramo do Judaísmo com mais de 200 anos que está promovendo a reconstrução de muitas comunidades judaicas na Europa Oriental e Ocidental. Chabad tem colocado centenas de milhões de dólares na reconstrução de sinagogas e centros comunitários, recuperando Torot perdidas e equipando comunidades com rabinos.
"Sempre houve Chabad na Rússia, eles sempre estiveram em movimentos subterrâneos, e é isso que lhes dá credibilidade," disse Kaller. "Eles são a razão de eu ter voltado ao Judaímo. Foram os programas de Chabad que despertaram o meu interesse, que me deram a orientação que eu precisava."

Embora seus pais nunca tenham perdido sua identidade judaica – afinal, estava carimbada em seus passaportes – eles não eram religiosos e sabiam muito pouco sobre a cultura judaica. Quando seu filho começou a freqüentar um programa religioso em Moscou, eles começaram a aprender mais.

"Comecei a me tornar religioso aos 14 ou 15 anos, e foi muito difícil para meus pais entenderem," recorda Kaller. "Era um tanto estranho para eles. Eles ficavam sempre nervosos, porque não era a melhor carreira a seguir. Agora sou eu que os influencio a se tornarem um pouco mais observantes e a serem mais ativos em seu Judaísmo."

O pai de Kaller, Yaacov, disse que a família teve bons motivos para manter sua fé em particular. Quando era jovem e se candidatou a escolas técnicas, Yaacov Kaller foi rejeitado mais de uma vez por ser judeu. Ele finalmente pediu ingresso numa escola de cinema e se tornou um produtor de sucesso na indústria cinematográfica soviética.

"É muito difícil entender aqueles tempos agora," disse Yaacov Kaller, de 58 anos, numa entrevista em seu apartamento em Moscou. "Mas eu me lembro de ir uma vez a uma sinagoga local, somente porque estava curioso. Foi durante Rosh Hashaná; era 1967, a época da Guerra dos Seis Dias.

"O que aconteceu em Israel me fez pensar sobre o fato de ser judeu, portanto decidi ir até a sinagoga. Fui lá à noite. Na manhã seguinte o reitor da universidade me chamou e disse que sabia o que eu tinha feito. Eu tinha sido vigiado e visto lá. Ele disse: 'Você precisa mesmo fazer isso?' Ele deixou claro que se eu queria continuar na escola e ter uma carreira, não era uma boa idéia ir até lá."

Isso parece história antiga para a irmã mais nova de Alexander, Anya, que como muitas judias russas mais jovens, já sonhou em imigrar para Israel ou para o sul da Flórida. Agora ela quer ficar na Rússia. É estudante de Psicologia na Escola Superior de Economia, trabalha meio-período na Agência Judaica em Moscou e não vê o fato de ser judia como um obstáculo. Na verdade, disse ela, pode ser uma vantagem."As pessoas na universidade sempre me dizem que é legal ser judeu – eles estão curiosos sobre isso," disse Anya Kaller, de 18 anos. "Tive amigos que imigraram para Israel e agora desejam voltar. Eles sentem muita falta daqui.

"Há cinco anos, eu queria ir para Israel ou para os Estados Unidos, mas não quero mais," acrescenta ela. "Não desejo viver em nenhum outro lugar. Amo este país. Adoro ser judia aqui. Não quero ser judia em nenhum outro lugar."

Nota:


Hoje florecem na Rússia vários centros Chabad com sinagogas, micvaot, escolas, colônia de férias, entre muitas outras atividades aproximando a todos.
Este trabalho e preocupação com cada judeu se deve aos Rebes de Chabad-Lubavitch que sempre lutaram para manter a chama sempre acesa, levando novas luzes e esperança através de seus emissários e suas famílias, hoje espalhados não apenas na Rússia, mas no mundo inteiro.


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