Por Yaakov Lieder
Podemos escolher nossos sócios, nosso trabalho, um lugar para viver — diz a sabedoria popular — mas não podemos escolher nossos pais.

Eu discordo.

Nossos pais desempenham um papel importante na formação de nosso ser emocional. Isso é uma verdade, estejamos ou não conscientes dela. Não admira que alguns de nós, independentemente da idade, ainda culpemos nossos pais por algumas de nossas falhas.

Em minhas palestras, freqüentemente escuto as pessoas dizer: "Não posso expressar verbalmente meus sentimentos de amor a meus filhos porque meus pais nunca expressaram amor por mim." Ou então: "Meus pais se divorciaram quando eu tinha oito anos, e ainda estou furioso com meu pai por ter nos abandonado. Por causa disso, tenho medo de confiar em alguém para um relacionamento". "Jamais correspondi às expectativas de meus pais. Eles me consideram um fracasso porque não cheguei à universidade. Ainda tenho pouco amor próprio, trinta anos depois…" E assim por diante.

Uma mulher idosa estava contando a uma amiga, que seu filho de cinqüenta anos gasta duzentos dólares por semana com ela. "Com o quê?" pergunta a amiga. "Toda semana, ele visita um psicólogo de renome para falar sobre o efeito que eu tive na vida dele."

Alguns de nós acreditam numa comunicação franca e honesta, e podemos considerar apropriado contar aos filhos como nossos pais eram pessoas difíceis. "Se pelo menos meu pai tivesse passado mais tempo em casa" ou "Se ao menos minha mãe tivesse me dado mais amor" — explicamos s nossos filhos — nossa vida teria sido completamente diferente. Ao fazer isso, quase garantimos que, daqui a trinta anos, nossos netos ouvirão a mesma história de seus pais, nossos filhos.

Como seres humanos, normalmente acreditamos ter direito a coisas boas, e nossos pais não são exceção. Consideramos tudo que eles nos fizeram de bom como direito nosso, e dirigimos nossa energia para pensar naquilo que eles deveriam ter feito por nós.

"Honra teu pai e tua mãe" — é o único dos Dez Mandamentos que declara a recompensa por fazê-lo — "… para que teus dias sejam prolongados na terra que D’us te dá." (Shemot). Talvez nosso Criador soubesse como seria difícil honrar nossos pais, e portanto ofereceu um incentivo. Nossos Sábios explicam que este "prolongamento" de dias não significa apenas vida longa, mas também um melhoramento na qualidade de vida. Honrar e amar incondicionalmente nossos pais — que merecem todo o respeito e amor que somos capazes de dar, mesmo que seja apenas pelo fato de terem nos feito nascer — faz de nós pessoas melhores, emocional e espiritualmente. É por isso que eu digo que podemos escolher nossos pais. Não temos opção quanto a quem serão nossos pais ou que tipo de personalidade terão. Mas há uma escolha muito importante que cada um de nós pode fazer a qualquer momento: escolher nossos pais da maneira que são.

Meu filho de cinco anos disse isso de maneira muito eloqüente ao se virar para nós certo dia e declarar: "Vocês são os melhores pais que eu já tive." Seria bom que os adultos pudessem pensar e dizer as mesmas palavras, com o mesmo entusiasmo e inocência. Isso sem dúvida "prolongaria" não somente a qualidade de nossos dias, como também a qualidade dos dias de nossos pais e filhos.

Disse-me um colega: "Agora que entendo que meus pais, afinal, estavam certos, tenho filhos que acham que estou errado." Quando honramos e amamos incondicionalmente nossos pais, falando gentilmente com eles e sobre eles, estamos dando um bom exemplo para nossos filhos seguirem nos anos vindouros.

Façamos de cada dia um Dia das Mães e Dia dos Pais, escolhendo e abraçando nossos pais e expressando nosso amor e apreciação por eles. Assim seremos pessoas melhores — e pais melhores, também.