Por Yanki Tauber – Baseado nos ensinamentos do Rebe
Ontem ocorreu um evento sem precedentes na história humana: uma espaço nave tripulada aproximou-se da lua, percorreu sua órbita várias vezes, fotografou seu "lado iluminado" e seu "lado escuro", e voltou em segurança à terra, exatamente na hora e local programados.

O Báal Shem Tov nos ensinou que "de tudo que uma pessoa vê ou escuta, deve tirar uma lição a ser usada no serviço a D’us". De fato, este acontecimento, com todos seus aspectos e detalhes, está repleto de percepções instrutivas para nossa missão na vida.

Cerca de vinte e quatro horas antes da missão espacial, um outro evento ocorreu: foi feita uma pergunta numa sessão "encontro" – uma pergunta que a dita missão espacial pode ajudar a responder.

Um participante no "Encontro" desafiou um dos oradores: "Entendo que sob a Lei da Torá, se uma pessoa come um pedacinho de comida não-casher, a penalidade é trinta e nove chibatadas. Creio que aquilo que a pessoa come é assunto seu. As leis deveriam proibir e penalizar ações prejudiciais ao próximo e à sociedade, mas deveria se manter afastada da vida particular das pessoas."

O rabino que conduzia a sessão ficou refletiu por um instante sobre a pergunta. Como explicar a pessoas jovens, criadas num país livre e democrático, o fato de que por um ato tão "inofensivo" e "pessoal" como ingerir um pedaço de comida, a Torá instruiu que alguém deve ser amarrado, esticado e receber trinta e nove chibatadas nas costas nuas com um chicote?

Ele respondeu então que para uma transgressão ser punível com chicotadas, deveria ser cometida na presença de duas testemunhas; que estas duas testemunhas deveriam advertir o transgressor da criminalidade de seu ato e da penalidade que acarretaria; que o transgressor deveria cometer o ato num prazo de segundos após a advertência; assim, devido a estas e uma variedade de outras estipulações, esta penalidade raramente era aplicada, se é que chegava a ser. Pode-se dizer, portanto, que o castigo das chicotadas ordenado pela Torá é mais um indicador da severidade da transgressão que propriamente um procedimento penal em vigor.

Tudo isso obviamente é verdadeiro, mas não responde a questão. Mesmo que esta penalidade fosse administrada apenas uma vez em cem anos, aquele erro merece tamanho castigo? E por que a Torá legisla de maneira a cometer tamanha intrusão na vida particular da pessoa?

Nossos Sábios afirmam que "Uma pessoa é obrigada a dizer: ‘O mundo inteiro foi criado para meu benefício’". Nas palavras de Maimônides, "Uma pessoa deve sempre enxergar-se como meio meritória e meio culpada, e o mundo inteiro como meio meritório e meio culpado, portanto quando ele transgredir uma vez, inclina a balança para si mesmo, e para o mundo inteiro, para o lado da culpa, e provoca destruição, e quando cumpre uma única mitsvá, inclina a balança para si mesmo, e para o mundo inteiro para o lado do mérito, e causa salvação para si mesmo e para o mundo todo.

Ingerir um pedacinho espiritualmente tóxico de alimento não é algo inofensivo, nem pessoal; toda a criação é profundamente afetada por todos nossos pensamentos, palavras e ações, para o melhor ou, D’us não o permita, para o pior. Que crime maior pode haver para uma pessoa que prejudicar deliberadamente seu próprio bem-estar, e de sua família, comunidade e ao mundo todo, porque suas papilas gustativas preferem um pedaço de carne não-casher em vez de um casher? É isso que está escrito nos livros. A natureza do ser humano, porém, é que as coisas são mais prontamente entendidas e aceitas quando ele ou ela vê um exemplo tangível. Pela Divina Providência, temos este exemplo pela missão espacial concluída ontem, com a chegada do homem à lua.

Três homens adultos receberam ordens de colocar de lado suas preferências pessoais e seguirem um conjunto de regras que ditou todo seu comportamento, incluindo seus hábitos mais íntimos. Foi-lhes dito que exatamente o quê, quanto e quando comer, quando e em qual posição dormir, e que sapatos calçar. Se algum deles desafiasse este regime ‘ditatorial", seria lembrado do bilhão de dólares investidos em seu trabalho. Ora, um bilhão de dólares. inspiram muito respeito, mesmo assim, quando uma pessoa sabe que trata-se de um bilhão de dólares, se conforma em obedecer regras e instruções. Obviamente, ele não tem idéia de como estas instruções estão relacionadas com o sucesso de sua missão – que foi determinada por cientistas de cabelos brancos após muitos anos de pesquisa; mas ele aceitará a palavra deles, e prontamente respeitará a intrusão extensiva a seus assuntos pessoais.

E se estiver em jogo não um bilhão de dólares, mas o propósito Divino para a Criação?