Por Rabi Yaakov Lieder
Certa vez eu estava dando uma aula numa classe de crianças com 8 anos de idade, onde havia gêmeas idênticas. Elas chegaram atrasadas uma vez. Perguntei a uma delas: "Por que se atrasaram hoje?" Ela olhou para a irmã, a irmã olhou para ela, e então disse: "Tivemos uma dor de cabeça esta manhã."
Esta resposta abalizada tem me ajudado a ajudar famílias em crise no decorrer dos anos. Aquilo que a garotinha estava dizendo era que se uma irmã tem uma dor de cabeça, era de ambas, e as duas carregavam juntas aquele fardo.
Passei algum tempo com uma família cujos filhos estavam reclamando amargamente sobre o pai. "Ele anda muito nervoso e irritável ultimamente. Está passando por um momento muito estressante nos negócios, trabalha muitas horas e quando chega em casa está uma pilha de nervos, e descarrega seu estresse na família. Agimos como crianças normais, que fazem barulho e convidam amigos para brincar, mas ele não tolera isso. O que devemos fazer?" eles perguntaram.
A resposta do pai foi: "Estou atualmente passando pelos tempos mais difíceis de minha carreira, e não consigo dormir à noite por causa da preocupação e incerteza quanto ao meu futuro. Isso está me consumindo por inteiro! Eles tornam minha vida mais difícil ao reclamarem sobre mim, em vez de me apoiarem."
Eu sugeri que talvez ele precisasse sentar-se com a família e partilhar com eles os desafios (não os problemas) que está enfrentando no momento, e o efeito que isso tem sobre ele. Alguns homens acham difícil trocar de papéis dessa maneira, deixando de ser o provedor para de repente passar a ser a parte vulnerável, e pedir apoio emocional à mulher e aos filhos. É inteligente mostrar que você, também, é um ser humano com sentimentos e emoções, e em ocasiões como essa precisa de ajuda.
Você somente pode pedir às pessoas para ajudá-lo – eu disse a este marido e pai – se estiver preparado para abrir-se e colocar seu ego de lado. Pergunte a sua mulher e filhos se eles têm alguma sugestão para trazer calma, paz e tranqüilidade ao lar. Explore uma variedade de maneiras possíveis para lidar com seu estresse, enquanto o restante da família demonstra mais apoio e compreensão. Todos estarão dispostos a fazer um esforço para acomodar a outra pessoa, se entenderem o que precisam fazer. Em vez de torná-los parte do problema, convide-os a se tornarem parte da solução.
Este exercício também ensinará às crianças (especialmente aos meninos) como ficar à vontade e se articular quando for preciso demonstrar e partilhar seus sentimentos. Compartilhar esta experiência difícil fortalecerá a família, em vez de destruí-la.
Alguns pais podem achar difícil compartilhar seus desafios com os filhos, porque desejam que os filhos não percam o senso de segurança. Eles querem retratar a imagem: "Posso lidar com qualquer coisa, e nada é difícil demais para mim."
No outro extremo, há pais que dividem todas as suas dificuldades, vulnerabilidades e problemas de relacionamento com os filhos. Como tudo na vida, o meio-termo pode ser o melhor.
É importante deixar que os filhos saibam que na jornada da vida todos nos defrontamos com uma série de desafios. Precisamos saber o que é correto compartilhar com eles e o que não é. Precisamos explicar que em ocasiões como essas a família tem de se unir, e todos precisam apoiar e ajudar a pessoa que está enfrentando o desafio. Assim como ocorre no corpo humano, quando um órgão se machuca, o cérebro enviará sangue extra para ajudar no processo de cura.
Tente – funciona!