Por Yaacov Lieder
Certa vez ouvi um homem sábio dizer: "Tentamos dar a nossos filhos aquilo que não recebemos de nossos pais, mas no processo às vezes esquecemos de dar-lhes também as coisas boas que recebemos."
Muitas vezes, ao educar nossos filhos, caímos em um dos dois extremos. Ou tentamos fazer exatamente o oposto do que nossos pais fizeram e damos a nossos filhos tudo que não recebemos, ou nossa maneira de criar é uma cópia em carbono de nossa criação.
Há pais cujos ponto forte é que dirigem um lar bastante disciplinado, com limites claros e regras sobre o que é e o que não é aceito. Mesmo assim, eles podem ter a fraqueza de não conseguir dar amor incondicional e afeição o tempo todo, pois estão dominados por suas próprias convicções, e estas são a lei e a ordem.
Quando seus filhos tornam-se pais, podem escolher dar aos próprios filhos tudo aquilo que não receberam que, neste exemplo, é amor e afeição incondicionais. Para eles, manter qualquer tipo de disciplina é interpretado - talvez em nível subconsciente - como algo não amoroso a fazer.
Quando estes filhos (a terceira geração) tornam-se pais, podem escolher dar aos filhos (quarta geração) tudo que não tiveram, ou seja, uma forte disciplina, e não dar-lhes amor incondicional. Criarão os filhos como seus avós o fizeram, o que talvez explique por que avós e netos se dão tão bem.
Por outro lado, existem pais que se limitam a repetir as técnicas de seus próprios pais. A única maneira de educar que conhecem é duplicar seus próprios pais.
Isso me lembra a história de uma garotinha que é muito desobediente com a mãe. Esta lhe diz: "Como castigo, sua filha será muito desobediente com você." Ao que a menina responde: "Se seguirmos esta lógica, posso imaginar o quanto você desobedeceu à sua mãe."
Uma criação boa e eficaz, como tudo o mais na vida, requer um cuidadoso equilíbrio. Precisa tanto de amor quanto de disciplina: um sem o outro não funciona.
Conseguir este equilíbrio não é uma meta, mas uma jornada. Esta é uma viagem na qual aprendemos e crescemos constantemente, e fazemos ajustes ao longo do caminho.
Podemos usar a analogia de uma aeronave voando de Brasília para S. Paulo. A rota de vôo escolhida pode precisar de ajustes constantes, devido a fatores tais como vento e condições climáticas. A torre de controle pedirá ao piloto para fazer alterações, ao passo que o destino definitivo permanecerá o mesmo - chegar a S. Paulo.
O mesmo aplica-se a criar os filhos. Às vezes é necessário ter uma terceira pessoa agindo como torre de controle. Pode ser um rabino, um psicólogo ou um amigo íntimo, que nos ajudará a fazer os ajustes necessários para o equilíbrio entre amor e disciplina.
Nossos Sábios nos dizem: "A pessoa sábia é aquela que aprende com todas as pessoas". Existe algo de bom que podemos aprender de cada pai. Isso não significa necessariamente que todos seus métodos se aplicarão a nós, mas mesmo assim devemos manter nossas mentes abertas para aquilo que podemos aplicar.
É garantido que, se aplicarmos o esforço e o tempo para aperfeiçoar nossa perícia como pais, certamente veremos os resultados, que nos darão muito contentamento por muitos e muitos anos.