Por Yaacov Lieder
A professora perguntou à classe o que cada um queria ser quando crescesse.
Um coro de respostas veio de toda a sala:
"Jogador de futebol", "Médico", "Astronauta", "O Presidente", "Bombeiro", "Professor", "Piloto de Corrida".
Todo mundo respondeu, exceto Paulinho.
A professora percebeu que ele estava sentado imóvel e em silêncio, portanto, perguntou-lhe: "Paulinho, o que deseja ser quando crescer?"
"Possível" - replicou Paulinho.
"Possível?" - perguntou a professora.
"Sim" - disse o menino. "Minha mãe está sempre dizendo que eu sou impossível. Então, quando crescer, quero ser possível."
Em nossa longa carreira como pais, é possível que acordemos uma certa manhã e percebamos que nós também temos um "Paulinho" em nossas mãos, uma criança que é impossível. A frustração e a ira podem prevalecer e nós tomamos uma séria decisão: "Basta. Não toleramos mais esta atitude. As coisas têm de mudar daqui em diante."
O que geralmente acontece é que os pais compartilham com o filho sua decisão, e relacionam uns dez ou vinte itens que a criança precisa mudar.
Cada movimento do filho é criticado, os castigos se sucedem, e logo temos um conflito nas mãos. A criança não sabe o que aconteceu, e por que os pais mudaram da noite para o dia. Talvez estejam tomando remédios errados, pensa o filho.
A frustração fica mais forte quando nenhuma mudança se materializa, e surge um sentimento de impotência. Os pais desistem, até que uma bela manhã acordam e repetem todo o processo novamente.
"Falta de planejamento é erro na certa." Uma situação como essa requer um cuidadoso planejamento por parte dos pais (e outros membros da família envolvidos). Temos que entender que nosso "Paulinho" não se transformará da noite para o dia naquele cavalheiro que desejamos que ele se torne. Não há como apressar isso.
O filho e os pais precisam "desaprender" muitas atitudes passadas, que não podem mais ser aceitas. A parte desagradável é que este processo é longo. A parte boa é que estes comportamentos podem ser desaprendidos, e novas atitudes adotadas em seu lugar, se isso for feito da maneira certa.
Essa poderia ser uma sugestão:
1 - Os pais anotam tudo que desejam mudar no comportamento do filho.
2 - Eles então decidem qual é a atitude mais importante e insuportável que eles desejam melhorar.
3 - A seguir eles criam uma estratégia para começar a mudança em um comportamento específico.
4 - Tomam uma decisão firme de ignorar todos os outros comportamentos negativos.
5 - Eles então começam a elogiar e enfatizar os comportamentos positivos sempre que estes acontecerem.
6 - "O que é louvado é repetido", e lenta mas certamente um novo padrão de conduta se estabelecerá.
7 - Assim que o novo comportamento seja aprendido, praticado e tenha se tornado parte do repertório de atitudes positivas, repetimos este processo escolhendo o próximo comportamento da lista.
Os pais descobrirão, para sua surpresa, que ao ignorar todos os outros maus comportamentos e concentrando-se apenas em um, alguns dos itens na lista das más atitudes já desapareceram, e a lista é menor do que eles a princípio acreditavam.
Você deve sempre lembrar-se que "Um bom amigo é alguém que esquece seu passado, acredita em seu futuro e aceita você da maneira que é hoje."
Tente - isso funciona mesmo!