Um autêntico pergaminho da Torá é uma obra-prima impressionante de trabalho e habilidade. Compreendendo entre 62 e 84 folhas de pergaminho, curtidas, raspadas e preparadas de acordo com as especificações exatas da lei da Torá - e contendo exatamente 304.805 letras, o pergaminho manuscrito resultante leva muitos meses para ser concluído. Um escriba devoto especialista desenha cuidadosamente cada letra com uma pena tinteiro, de acordo com todos os detalhes e diretrizes caligráficas de Ktav Ashurit (Escrita Ashurita). As folhas de pergaminho são então costuradas com tendões para formar um longo pergaminho. Enquanto a maioria dos pergaminhos da Torá medem cerca de um metro e meio de altura e podem pesar de 9 a 11 Kg, alguns são enormes e bastante pesados, enquanto outros são bem pequenos e leves.

O Pergaminho

 (Foto: Beit Yisrael Torá Guemach)
(Foto: Beit Yisrael Torá Guemach)

Um pergaminho da Torá só pode ser escrito em pergaminho da pele de um animal casher. No entanto, o animal não precisa necessariamente ser abatido de uma maneira ritualmente aceitável. Basta o animal ser casher para que seu couro possa ser usado para esse fim; a pele de peixe exala um odor desagradável não servindo para essa finalidade. O pergaminho deve ser preparado com a intenção de ser usado para um rolo de Torá. Portanto, um judeu deve executar ou, no mínimo, ajudar nessa tarefa.

Antes de começar a escrever um rolo de Torá, o escriba deve marcar as linhas do pergaminho com pequenos sulcos. O utensílio usado para esse fim não pode deixar nenhuma coloração no pergaminho. É preferível que essa marcação também seja realizada com a intenção de escrever um rolo de Torá.

A Tinta

Somente tinta preta é aceitável. Tinta de qualquer outra cor não é casher para um pergaminho da Torá.

Antigamente, a tinta usada para escrever um pergaminho da Torá era obtida fervendo óleos, alcatrão e cera e coletando os vapores. Depois, essa mistura seria combinada com a seiva das árvores e mel, e depois secada e armazenada. Antes de seu uso, seria misturada com óleo de nozes.

Atualmente, os escribas preparam a tinta usando o óleo de nozes e goma. A cor preta é obtida adicionando várias tonalidades.

O Instrumento da Escrita

O escriba escreve com a ponta de uma pena ou de junco, mergulhando a ponta na tinta. Uma caneta de ferro não é adequada por dois motivos:

  1. Pode perfurar o pergaminho.
  2. O ferro é frequentemente usado para fabricar armas de destruição, o que seria contrário à intenção da Torá, conhecida como “Árvore da Vida.

A Caligrafia

Caligrafia STaM de acordo com a tradição de Admor Hazaken.
Caligrafia STaM de acordo com a tradição de Admor Hazaken.

As letras de um pergaminho da Torá são escritas na caligrafia "assíria"; pergaminhos escritos em outras fontes de caligrafia ou impressos não são válidos. As linhas devem ser perfeitamente retas e uniformes. Inúmeras leis detalham a figura precisa de cada letra e, se apenas uma letra estiver faltando ou, em alguns casos, apenas rachada ou borrada, todo o rolo da Torá não será um rolo casher, invalidando todo o trabalho.

Um rolo da Torá impresso, mesmo que suas letras estejam em conformidade com a forma exigida, é inválido.

Como o rolo da Torá incorpora a santidade de sua mensagem, ele deve se concentrar exclusivamente em seu texto puro; quaisquer ilustrações ou decorações artísticas são proibidas.

O Escriba (Sofer)

Rabino Faitel Lewin ocupado em seu trabalho (Foto: Eliyahu Parypa para Chabad.org)
Rabino Faitel Lewin ocupado em seu trabalho (Foto: Eliyahu Parypa para Chabad.org)

Tornar-se escriba requer estudo e treinamento rigorosos e uma grande habilidade. Certamente uma pessoa que não estudou cuidadosamente as leis referentes à redação de um pergaminho da Torá não pode ser um escriba. Acima de tudo, o escriba deve ser uma pessoa piedosa e temente a D’us, dedicada à santidade do pergaminho da Torá.

O escriba pode não confiar em sua memória, mas deve copiar as letras, palavra por palavra, de um pergaminho casher da Torá ou de uma cópia de um pergaminho casher certificado. Um escriba destro escreve apenas com a mão direita; um escriba canhoto, apenas com a mão esquerda.

O rolo da Torá, e especialmente os nomes de D'us nele contidos, devem ser escritos com a máxima pureza e devoção. Portanto, o escriba deve mergulhar em um Mikve (piscina ritual) antes de iniciar seu trabalho. Ele também recita uma bênção no início de seu trabalho e antes, a cada vez, que escreve o Nome de D'us.

Atzei Chayim: Os Rolos da Torá

O rolo da Torá é enrolado em torno de dois bastões de madeira.
(Hebraico, pl., Árvores da vida - singular, Aitz chayim)
O rolo da Torá é enrolado em torno de dois bastões de madeira. (Hebraico, pl., Árvores da vida - singular, Aitz chayim)

Os atzei chayim são os dois bastões de madeira presos a cada extremidade do rolo da Torá, ao redor do qual o pergaminho é enrolado. Cada um se estende além da parte superior e inferior do pergaminho. Sua função, além de ser segurado para a leitura da Torá, é também de poder erguê-la e rolar o pergaminho de uma parte para outra, deixando na posição exata em que a leitura da Torá será realizada.

Gartel: Faixa da Torá

A Torá é amarrada firmemente com o gartel (faixa)
A Torá é amarrada firmemente com o gartel (faixa)

(Gartel em Yidish é cinto) O gartel é a faixa usada para amarrar o pergaminho da Torá, para que a Torá permaneça fechada e presa sob a cobertura de veludo que a reveste. Quando um rolo de Torá é considerado não-casher (por exemplo, uma letra foi apagada) e aguarda correção, o gartel é amarrado ao redor de seu invólucro de veludo por fora, como um lembrete ostensivo de que está fora de serviço.

Manto: A Vestimenta da Torá

A Torá de Prata em sua casa em Montreal. O manto de veludo foi dedicado em homenagem ao 50º aniversário de casamento de Julius e Flora Pfeiffer por seus filhos (crédito: Yehuda Pfeiffer).
A Torá de Prata em sua casa em Montreal. O manto de veludo foi dedicado em homenagem ao 50º aniversário de casamento de Julius e Flora Pfeiffer por seus filhos (crédito: Yehuda Pfeiffer).

Um tesouro valioso não é deixado exposto e vulnerável. Cobrimos o pergaminho da Torá com várias coberturas, vestindo-o com uma "capa" antes de restaurá-lo ao seu lugar de honra na Arca e fechar a cortina. O manto é uma cobertura ornamentada que protege e embeleza o pergaminho da Torá, normalmente feito de veludo e bordado com fios dourados, seda e ornamentos.

Keter: A Coroa da Torá

A Torá é nosso bem mais precioso, e nós a cuidamos com todo zelo e amor. Nós a adornamos com uma coroa de prata, como um símbolo de nossa afeição e veneração. O keter repousa sobre os eixos de madeira, que se estendem acima do pergaminho.

Yad: O Ponteiro

Um yad, costuma apontar o ponto durante a leitura da Torá.
Um yad, costuma apontar o ponto durante a leitura da Torá.

(Hebraico, mão) O yad é o ponteiro que o leitor da Torá usa para ajudar outros a seguir as palavras escritas enquanto ele lê. Geralmente feito de prata, o final dessa haste geralmente tem o formato de uma mão com o dedo indicador estendido. Uma corrente presa à outra extremidade pode ser usada para pendurá-la sobre o rolo da Torá quando guardada.

Você sabia?

  • Um Livro da Torá é o livro mais sagrado do judaísmo, composto pelos cinco livros de Moshe.
  • Existem 304.805 letras em um pergaminho da Torá.
  • Cada página possui 42 linhas.
  • O Pergaminho da Torá deve ser escrito por um escriba, sofer em hebraico, que além de ser um especialista treinado, deve sobretudo ser temente a D’us e piedoso.
  • Um sofer deve conhecer mais de 4.000 leis judaicas antes de começar a escrever um pergaminho da Torá.
  • Leva cerca de um ano para escrever um rolo inteiro da Torá.
  • Uma única letra ausente, mal desenhada ou a mais invalida todo o Sefer Torá.
  • A Torá que usamos hoje em sua sinagoga é escrita exatamente da mesma maneira que a Torá escrita pela primeira vez por Moshe, há 3.300 anos.
  • A Torá é feita de muitas folhas de pergaminho que são costuradas para fazer um único e longo pergaminho.
  • A Torá inteira é escrita à mão, cada letra é inscrita e desenhada individualmente com uma pena e tinta especialmente preparada.
  • A Torá é lida pelo menos quatro vezes por semana em sinagogas ao redor do mundo.