Meu envolvimento com Chabad começou em 1974 quando eu era estudante na Universidade de Michigan. Um dia, quando eu caminhava pelo campus, um homem barbudo com um chapéu preto aproximou-se e me perguntou: “Desculpe, você é judeu?” Quando respondi afirmativamente, ele convidou-me para os serviços de Yom Kipur.

Este homem era Rabi Aharon Goldstein, diretor do Chabad em Ann Arbor, e fui lá para estudar Torá com ele nos dois anos seguintes, tornando-me mais envolvido religiosamente. Porém, ainda não tinha decidido se me tornaria pleno observante de Torá. Além disso, eu estava flutuando entre dois mundos – academia e negócios – incerto em buscar uma formação em psicologia ou seguir outro dos meus talentos e interesses, dos quais o principal era cozinhar (minha verdadeira paixão).

Em meio a essa confusão, decidi escrever ao Rebe, fazendo várias perguntas sobre a vida. Em sua resposta, ele começou: “Que D'us lhe conceda o cumprimento dos desejos do seu coração para o bem.” Isso me fez pensar que o importante ao tomar uma decisão como essa é seguir o que parece certo no nosso coração. O Rebe me encorajou ao mencionar a certeza dos sábios talmúdicos, “procura e acharás,” que significa que o sucesso requer esforço mas como eu descobri, até um pequeno esforço pode seguir um longo caminho.

Com seu jeito inimitável, o Rebe pôde manter-me em foco com aquilo que eu realmente queria fazer. E naquela época, eu me expressava melhor cozinhando, portanto terminei indo trabalhar num restaurante casher no Chabad em Ann Arbor, chamada Mesa de Yaacov.

Em minha carta, também disse ao Rebe que, se eu me tornasse religioso, desejaria seguir os caminhos dos meus ancestrais que não eram chassidim, e acrescentei: “Não sigo nenhum Rebe agora. Meu pacto é com o Judaísmo com o qual eu cresci.”

A isso o Rebe respondeu com uma brilhante explicação de qual é o papel de um Rebe:
Obviamente, o que é esperado de você, como de todo judeu, é que a vida e a conduta diária sejam de acordo com a Torá da Vida, e essa é a própria essência do Judaísmo. Porém, embora a Torá seja descrita como “maior que a terra e mais larga que os mares”, é normal que um indivíduo, por mais proficiente que seja em Torá e mitsvot, e o quanto seja educado, se isole dos outros com os quais ele pode aprender uma compreensão melhor e mais profunda de Torá, a qualquer modo, naquelas áreas onde ele ainda não atingiu o nível mais alto. Esta é a função de um Rebe, um mestre e instrutor que tem em sua esfera de aprendizado devotado mais tempo e atingido um nível mais alto de conhecimento, etc.

Mostrei essa carta a um dos meus amigos – Rabi Zev Gopin, o emissário Chabad na Universidade John Hopkins em Baltimore – e ele me disse: “Herschel, você entende que nessa carta o Rebe essencialmente está pedindo para você se tornar um chassid?” Eu não tinha olhado para isso naquela maneira, mas, quando o fiz, responder positivamente se tornou óbvio.

Na verdade, em 1979, quando me mudei para Nova York e comecei a sair para me casar, escrevi ao Rebe pedindo conselho. Logo veio uma resposta na qual o Rebe perguntava se essa jovem estava disposta a cobrir seu cabelo após o casamento conforme a Torá instrui, mas ela não estava. Em outra carta em que pedi novamente seu conselho, o Rebe respondeu que essa outra moça seria um bom shiduch. Eu não estava decidido, mas o encorajamento do Rebe me ajudou a perceber que esta jovem era minha verdadeira alma gêmea.

O Rebe me esclareceu porque é isso que um Rebe faz. Ele também me aconselhou que, como a mulher que se tornaria minha esposa era a filha de um Cohen, ela merecia desposar um erudito de Torá. Então ele sugeriu que eu pelo menos aprendesse algo do Talmud. Ele escreveu: “Se ela é a filha de um Cohen, [você] deveria dominar o conteúdo de um tratado – isso também pode ser feito em inglês e um dos pequenos tratados, como Calá, etc.”

Respondi com uma pergunta, indagando se eu poderia estudar em tempo integral em uma yeshivá ou ir trabalhar. O Rebe respondeu que eu deveria ir trabalhar, mas que deveria reservar um tempo para estudar, o que também seria benéfico para meu sustento e, além disso, se eu tivesse mais tempo disponível, deveria aprender mais Torá. De lá até hoje, tenho escrupulosamente seguido o seu conselho.

Após alguns anos nos negócios, que incluíam uma empresa que promovia alimentação saudável, voltei ao meu outro interesse – psicologia. Comecei um programa nas prisões de Nova York chamado Estratégias Saudáveis para Uma Vida com Sucesso, que era baseado em ensinamentos chassídicos. E então tive a ideia de começar um centro de bem estar. O Rebe deu-me uma bênção para isso, e foi o que me levou à minha carreira em promover a cura.

Portanto, veja, para alguém que começou determinado a não “seguir um Rebe”, eu não apenas me tornei um chassid, como tenho levado uma vida guiada pela sabedoria do Rebe. E eu não teria conquistado tudo isso de nenhuma outra maneira.