Rabino Krinsky, Rabino Shemtov, Rabino Kotlarsky, Rabino Sudak, Rabino Lew, todos os Shluchim [emissários Chabad-Lubavitch] da Grã-Bretanha, todos os Shluchim de todos os lugares, ilustres convidados, amigos. Posso resumir minha reação a esta noite em uma palavra: Uau! Em duas palavras: uau em dobro! Se eu não tivesse visto, não teria acreditado!
Sei que o Rabino Kotlarsky me disse que estava convidando alguns amigos… (risos) Mas preciso dizer a vocês, mikerev lev—do fundo do meu coração, recebi muitas honras, mas nenhuma tão comovente ou tão humilhante quanto esta. Porque vocês, os Shluchim, estão entre as pessoas mais importantes do mundo judaico hoje. Vocês estão levando a Shechiná [D’us] a lugares onde, talvez, ela nunca tenha sido vista antes. Vocês estão trazendo a Shechiná para vidas que nunca a conheceram antes e estão transformando o mundo judaico. E por que estão fazendo isso? Porque, direta ou indiretamente, vocês foram tocados, assim como eu fui, por um dos maiores líderes judeus, não apenas do nosso tempo, mas de todos os tempos.
Ao longo da história judaica, houve grandes líderes, mas não conheço nenhum precedente para alguém que tenha transformado, visivelmente e substancialmente, todas as comunidades judaicas do mundo – incluindo muitas partes do mundo que nunca tiveram uma comunidade judaica antes.
E deixe-me contar uma pequena história que resume tudo: Aconteceu há 41 anos, Elaine e eu estávamos em nossa lua de mel. Decidimos ir aos Alpes Suíços – eu nunca tinha estado nas montanhas antes. Fomos, chegamos. O sol brilhava forte. A vista era magnífica.
Na manhã seguinte, abri a janela e disse: “Quem moveu as montanhas? Elas sumiram!” Então olhei novamente e vi que estavam cobertas por nuvens muito baixas. O que fazer? Tínhamos vindo de tão longe para escalar uma montanha, e não podíamos voltar sem escalar outra. Mas não conseguíamos enxergar mais do que sessenta ou noventa centímetros em qualquer direção. Não sabíamos para onde estávamos indo, não sabíamos como, [se] chegássemos aonde quer que chegássemos, conseguiríamos voltar.
O Rebe disse: "Ninguém se encontra em uma situação; você se coloca em uma situação. E se você se coloca nessa situação, você pode se colocar em outra."
Então eu disse para Elaine: "É muito simples. Cantaremos nigunim Chabad." Ela perguntou: "Por que estamos cantando nigunim de Chabad?"
Eu respondi: "Muito simples. Porque se um judeu estiver perdido, em qualquer lugar do mundo, Chabad o encontrará."
E tudo isso, graças ao Rebe, [Rabino Menachem Mendel Schneerson,] zechusoh yagen aleinu [de memória justa]. Assim foi, e assim é.
Vocês foram tocados pela grandeza e cada um de vocês se tornou grande. E, portanto, eu digo a todos os Shluchim e a todas essas pessoas maravilhosas que apoiam o trabalho dos Shluchim e o tornam possível: yehi ratzon shetishrê shchiná bemasei yedeichem – que D’us abençoe tudo o que vocês fazem. Amém.
Amigos, o Rabino Kotlarsky me pediu para contar uma pequena história, pessoal, de como o Rebe mudou minha vida. E eu concordei, não porque eu ache que minha história seja especial, não é. Mas é contando histórias como essa que nos lembramos do que é o Chabad e o que o torna especial.
É uma história em três atos:
O primeiro encontro aconteceu em 1968, quando eu cursava o segundo ano da faculdade. Eu já tinha tido contato com o Chabad, pois o Rabino Shmuel Lew e o Rabino Faivish Vogel visitaram Cambridge. Eles estavam entre os primeiros a visitar campi universitários e eu fui um dos primeiros a ser beneficiado. Eles vieram naquele verão de 1968 e eu fui para os Estados Unidos para conhecer os grandes rabinos da época, e cada um deles, cada rov [líder rabínico] que encontrei nos Estados Unidos, dizia: “Você precisa ver o Rebe! Você precisa ver o Rebe!”
Então fui até o 770 da Eastern Parkway, entrei e disse ao primeiro chassid que encontrei: “Gostaria de falar com o Rebe, por favor.” Ele caiu na gargalhada.
Ele disse: “Você sabe quantas milhares de pessoas estão esperando para ver o Rebe? Esqueça isso!”
Eu disse: “Bem, estarei viajando pelos Estados Unidos. Aqui está o número de telefone da minha tia em Los Angeles. Se possível, me ligue.”
Semanas depois, eu estava em Los Angeles. Chegou moatsei e o telefone tocou. Era do Chabad: “O Rebe o receberá na quinta-feira.”
Eu não tinha dinheiro naquela época e tudo o que eu tinha era uma passagem de ônibus da Greyhound. Se você já viajou de Los Angeles para Nova York em um ônibus da Greyhound… Setenta e duas horas sem parar eu fiquei sentado naquele ônibus.
Cheguei ao número 770 e, finalmente, chegou o momento em que fui conduzido ao escritório do Rebe. Fiz a ele todas as minhas perguntas intelectuais e filosóficas; ele deu respostas intelectuais e filosóficas e, então, fez o que ninguém mais havia feito. Ele inverteu os papéis e começou a me fazer perguntas. “Quantos estudantes judeus há em Cambridge? Quantos se envolvem na vida judaica? O que você está fazendo para atrair outras pessoas?”
Bem, eu não tinha vindo para me tornar um Shliach [emissário Chabad-Lubavitch]. Eu tinha vindo para fazer algumas perguntas simples, e de repente ele estava me desafiando. Então, eu usei a linguagem inglesa. Sabe, os ingleses conseguem construir frases como ninguém, né? Eles conseguem criar desculpas mais complexas para não fazer nada do que qualquer outra pessoa na Terra. (risos)
Então eu comecei a frase: "Na situação em que me encontro..." – e o Rebe fez algo que eu acho que foi bem incomum para ele: ele me interrompeu no meio da frase. Ele disse: "Ninguém se encontra em uma situação; você se coloca em uma situação. E se você se coloca nessa situação, você pode se colocar em outra."
Aquele momento mudou a minha vida.
Ali estava eu, um ninguém de lugar nenhum, e ali estava um dos maiores líderes do mundo judaico me desafiando a não aceitar a situação, mas a mudá-la. E foi então que percebi o que já disse muitas vezes desde então: que o mundo estava errado. Quando pensavam que o fato mais importante sobre o Rebe era que ele era um homem com milhares de seguidores, ignoravam o mais importante: que um bom líder cria seguidores, mas um grande líder cria líderes.
Foi isso que o Rebe fez por mim e por milhares de outros.
Amigos, aquele episódio em particular teve um final incomum: eu deveria deixar os Estados Unidos e voltar para a Inglaterra em um voo fretado em um domingo, no final de agosto ou início de setembro, não me lembro exatamente quando. Então, no dia anterior, no Shabat, houve um grande farbrengen, e os chassidim me disseram: “Você vai voltar para a Inglaterra? Leve uma garrafa de vodca, vá até o Rebe durante um nigun, durante o farbrengen, e ele dirá um le'chaim, e você levará a garrafa consigo, e essa será a vodca do Rebe.”
Então, no meio do farbrengen, com milhares de pessoas presentes, fui até o Rebe e pedi que ele dissesse um le'chaim, e ele me olhou surpreso. Ele disse:
“Você vai mesmo?”
Eu disse: “Sim.”
Ele perguntou: “Por quê?”
Eu disse: “Preciso voltar para Cambridge, o semestre está começando.”
Ele se virou para mim e disse: “Mas o semestre em Cambridge só começa em outubro.”
Eu nunca soube na época, e ainda não sei hoje como ele sabia, mas ele estava certo! Ele me disse: “Acho que você deveria ficar para Rosh Hashaná”. Então ele disse “Le Chaim”; eu voltei.
Todos ao meu redor queriam saber: “O que o Rebe disse para você? O que o Rebe disse?”. Então eu contei a eles o que o Rebe disse. Eu não sabia – se o Rebe diz para ficar, é educado dizer muito obrigado – eu não tinha me dado conta; se o Rebe diz para ficar, você fica. Então eu fiquei.
Como resultado disso, ouvi o Rebe tocar o shofar em Rosh Hashaná. Foi uma das experiências mais marcantes que já tive. A pureza daquelas notas, a visão de todos os chassidim pendurados em todos os cantos, tentando ver o Rebe tocando o shofar. E eu ouvi um som em que o céu e a terra se tocaram. E os ecos daquele shofar permaneceram comigo desde então. Esse foi o desafio que ele lançou. Um desafio para liderar.
Isso não mudou minha vida imediatamente. Voltei para a universidade, embora ainda sentisse o impacto do desafio do Rebe. Então, em 1969, depois de me formar, fui estudar em Kfar Chabad, onde estudei com Rav Gafni, e foi uma experiência maravilhosa.
Em 1970, voltei, casei-me, comecei a lecionar filosofia, a escrever um doutorado, mas ainda sentia que não tinha feito o suficiente para corresponder ao desafio do Rebe. Então, estudei para a ordenação rabínica (smicha). Qualifiquei-me como rabino e pensei: "Pronto, acabou. Cresci um pouco como judeu e agora estou pronto para retomar o resto da minha vida."
Foi então que cometi o segundo grande erro: voltei a visitar o Rebe. (risos)
Janeiro de 1978: Meus amigos Lubavitch me disseram exatamente o que fazer. Você coloca sua pergunta por escrito, dá ao Rebe opções: uma, duas, três, e o Rebe lhe dirá qual escolher. Então, apresentei minhas opções. Disse ao Rebe: "Tenho uma carreira pela frente, tenho três opções."
Número um, talvez eu queira ser um acadêmico – quem sabe um dia eu seja professor ou talvez membro do meu colégio em Cambridge.
O número dois – inicialmente, fui para a universidade estudar economia – gostaria de ser economista.
Ou número três, gostaria de ser advogado. Eu era membro de uma das Inns of Court, o Inner Temple, onde se estuda para ser advogado.
Entrei em yechidut [audiência privada] sem saber qual seria a resposta do Rebe, se seria a primeira, a segunda ou a terceira.
O Rebe olhou para mim e percorreu a lista; Nem um, nem dois, nem três.
Pensei: "Espere aí, isso é contra as regras!"
O Rebe não me deu tempo para responder. Disse-me que a comunidade judaica anglo-saxônica estava com falta de rabinos e, portanto, disse-me: "Você deve formar rabinos". Ele especificou o Jews College, onde rabinos eram formados na Grã-Bretanha. E então disse: “Você mesmo deve se tornar um rabino congregacional, para que seus alunos venham e o ouçam falar” – ainda me lembro da maneira como ele pronunciou a palavra – "sermões".
“Eles o ouvirão pregar sermões e aprenderão”.
Ele disse: “Você diz que vai formar rabinos e se tornará um rabino.”
Bem, eu estava um pouco confuso – uma palavra que introduzi na língua inglesa por cortesia da BBC – mas se o Rebe diz para fazer, eu faço. Abandonei minhas três ambições, formei rabinos, lecionei no Jews College, eventualmente me tornei diretor do Jews College e me tornei um rabino congregacional em Golders Green e Marble Arch.
Depois de ter desistido das minhas três ambições, de ter decidido seguir na direção completamente oposta, aconteceu uma coisa engraçada. Tornei-me membro do meu colégio em Cambridge. Tornei-me professor. Aliás, este ano tenho três cátedras: uma na Universidade de Oxford e duas na Universidade de Londres. Ministrei as duas palestras de economia mais importantes da Grã-Bretanha, a Palestra Mais e a Palestra Hayek, e o Inner Temple me nomeou advogado honorário e me convidou para dar uma palestra de direito para seiscentos advogados, o Lorde Chanceler – a mais alta autoridade jurídica da Grã-Bretanha – e a Princesa Anne, que é Mestra.
Sabe, você nunca perde nada colocando o judaísmo em primeiro lugar. E aprendi algo muito profundo: às vezes, a melhor maneira de alcançar suas ambições é parar de persegui-las e deixar que elas o persigam.E esse foi o segundo ato.
O terceiro ato foi em 1990. A comunidade judaica anglo-saxônica estava procurando um novo Rabino Chefe. Ficou claro que eu seria um dos candidatos. Mas eu não tinha certeza se era a pessoa certa para o cargo ou se o cargo era certo para mim. Então, sentei-me com minha família, com Elaine, com meus filhos, e eles concordaram em me permitir escrever ao Rebe e pedir seu conselho. E o Rebe fez algo absolutamente extraordinário; ele disse para si mesmo: se os nazistas procuraram cada judeu com ódio, nós procuraremos cada judeu com amor.
Apresentei os prós e os contras do cargo, e o Rebe escreveu uma resposta extraordinária, uma resposta brilhante, sem usar uma única palavra.
Vocês sabem que o Rebe, antes de ser Rebe, dirigia a editora Chabad – Kehot – e, como resultado, ele sabia – eu escrevi vinte e quatro livros e ainda não sei essas coisas, mas ele conhecia os símbolos tipográficos usados pelos revisores. Então, perto do final da carta, depois de apresentar os prós e os contras, escrevi a frase: “Se me oferecerem o emprego, devo aceitar?” Esta foi a resposta do Rebe: O símbolo tipográfico para ordem inversa das palavras. Em vez de dizer “Devo?”, a resposta é “Eu deveria”.
Então, treze anos depois de me tornar rabino congregacional, tornei-me Rabino Chefe, e nesse cargo tentei, da melhor forma possível – se tive sucesso, não sei –, mas tentei fazer o que sei que o Rebe gostaria que eu fizesse: construir escolas, melhorar a educação judaico-britânica, alcançar pessoas e formar – não seguidores – mas líderes.
E fiz mais uma coisa, que foi um pouco incomum, e quero explicar agora o porquê. Nunca disse isso publicamente antes. Houve um momento em que eu estava um pouco envolvido – o conselho administrativo de Lubavitch em Londres me pediu para me envolver um pouco – houve um momento nas décadas de 1970 e 80, quando o Rebe desenvolveu uma campanha muito interessante – a campanha Sheva Mitzvot Benei Noach – As Sete Leis de Noé, para alcançar não apenas judeus, mas também não judeus.
Percebi que, em minha nova posição como Rabino Chefe, eu poderia fazer exatamente isso. Então comecei a fazer transmissões na BBC, no rádio, na televisão, escrevendo para a imprensa nacional. Escrevi livros lidos tanto por não judeus quanto por judeus, e o efeito foi absolutamente extraordinário. Quanto mais eu falava, mais eles queriam ouvir – o que certamente prova que eles não eram judeus. (Risos.) Quanto mais eu escrevia, mais eles queriam ler, e sabe o que essa experiência me ensinou? Não apenas a sabedoria, a vasta visão do Rebe em compreender que o mundo estava pronto para ouvir uma mensagem judaica, mas também me ensinou algo mais. E quero que vocês nunca se esqueçam destas palavras: Não judeus respeitam judeus que respeitam o judaísmo.
E não judeus se envergonham de judeus que se envergonham do judaísmo. O Rebe nos ensinou como cumprir o princípio de "verau kol amei haaretz ki shem Hashem nikra alecha". Que o mundo inteiro veja que nunca nos envergonhamos de nos orgulharmos de sermos judeus.
Assim, nos três momentos cruciais da minha vida, o Rebe foi meu sistema de navegação por satélite, mostrando-me para onde ir e como. E embora nem sempre entendesse o porquê na época, em retrospectiva, vejo como seus conselhos eram extraordinários e sábios.
A maioria das pessoas olha para os outros e vê o que eles aparentam ser. As grandes pessoas olham para os outros e veem o que eles são. Os maiores entre os grandes – e o Rebe era o maior entre os grandes – olham para os outros e veem o que eles podem se tornar. E essa era a sua grandeza…
E vocês são testemunhas de que, cada um de vocês, o Rebe não apenas transformou vidas, mas transformou pessoas em pessoas que, por sua vez, transformam vidas e que, através de vocês, foi assim que ele mudou o mundo. Através de seus Shluchim, e através de todas as outras pessoas especiais que os apoiam e tornam seu trabalho possível.
E agora, amigos, devemos continuar a transformar o mundo. E como fazemos isso?
Fazemos isso precisamente com as palavras que são tiradas do Hayom Yom, que são o tema da conferência deste ano: "ah shliach iz doch an ain zach mit dem mishaleiach".
Sabemos, por Reb Yosef Engel, pelo próprio Rebe, que existem várias maneiras de ser um Shliach, mas a mais elevada é, como diz o Hayom Yom, "in altz mekushar!" Participem de tudo o que fazemos, "es gueit ah Chassid, est a Chassid, shluft ah Chassid" – espero que vocês estejam fazendo isso agora, pessoal, porque se não, eu não tenho cumprido meu papel.
Amigos, se vivermos e respirarmos a missão do Rebe, então ele viverá em nós.
A questão é: qual é essa missão aqui e agora? Há tantas coisas que podemos dizer sobre os desafios dos próximos meses, quero citar apenas três: Número um – pensem nisso – o Rebe, como todo Rebe, estabeleceu como meta aproximar a redenção (mekareva gueula) e trazer o Mashiach. Mas o Rebe era diferente dos outros Rebeim, porque o fez com uma urgência particular, e embora ele nunca tenha especificado o porquê, eu pesquisei sobre isso e pensei o seguinte – talvez eu esteja errado, mas acho que não – porque ele foi o primeiro Rebe a se tornar Rebe após o Holocausto. E como redimir um mundo que testemunhou Hitler?
E o Rebe fez algo absolutamente extraordinário; ele disse para si mesmo: se os nazistas buscaram cada judeu com ódio, nós buscaremos cada judeu com amor. Essa foi a resposta mais radical ao Holocausto já concebida, e não sei se nós ainda – se o mundo judaico ainda – a compreendemos.
Hoje, em muitas partes do mundo, o antissemitismo retornou, e graças a D’us existem centenas de organizações que o combatem. Mas ainda assim, mesmo agora, ninguém está dizendo o que o Rebe disse, não explicitamente, mas implicitamente em tudo o que ele fez.
Se você quer combater sinat yisrael [ódio ao próximo], então pratique ahavat yisrael [amor ao próximo].
Amigos, levantem a mão todos aqueles que acham que há muito Ahavat Yisrael no mundo...
Então, amigos, ainda temos trabalho a fazer, ainda temos muito trabalho a fazer. Os antissemitas, vocês sabem, são completamente malucos. Os antissemitas acreditam que os judeus controlam os bancos, acreditam que os judeus controlam a mídia, acreditam que os judeus controlam o mundo; mal sabem eles que não conseguimos nem controlar uma reunião do conselho de uma sinagoga. (risos)
E é por isso, amigos, se existem sonei Yisrael por aí, temos que ser ohavei yisrael, se o Rebe estivesse falando conosco hoje, ele diria "es gueit ahavas yisroel, est ahavas yisroel, shluft ahavas yisroel" e se vocês já amam os judeus, amem-nos ainda mais!
Ponto dois, se vocês querem aproximar os judeus, façam como o Rebe fez quando pegou um estudante de vinte anos de longe e o transformou em um líder.
Amigos, certa vez ouvi uma linda história de um sheliach (emissário) que foi a uma pequena cidade no Alasca e perguntou na prefeitura se havia judeus lá. Disseram que não. Então ele perguntou – para não voltar sem ter feito nada – se poderia visitar a cidade e dar uma palestra para as crianças. E o prefeito ou diretor da escola – não me lembro bem, o próprio sheliach me contou – concordou. E ele foi, entrou em uma sala de aula, nessa pequena cidade no meio do Alasca, e perguntou: "Crianças, alguma de vocês já conheceu um judeu?"
E uma menininha levantou a mão e disse: "Sim."
E ele perguntou: "Quem?"
E ela respondeu: "Minha mãe."
E ele estava pensando consigo mesmo: "O que eu digo para essa menina?" Ela é a única criança judia nesta escola, são os únicos judeus em toda a cidade, eu tenho que ir embora, e não há como convencê-los a sair e vir para um lugar onde haja outros judeus. O que posso dizer para essa menina agora que a fará permanecer judia?
E foi isso que ele fez; ele pedia a ela, toda véspera de Shabat, que acendesse as velas de Shabat. E ele lhe disse: "Não sei se você sabe, mas o Alasca é o lugar mais ocidental do mundo onde há judeus, é o último lugar do mundo onde chega o Shabat. E quando cada judeu acende as velas de Shabat, eles trazem luz e paz ao mundo. Então, todo Shabat, o mundo inteiro está esperando pela sua vela de Shabat – a última de todas a ser acesa."
Você consegue imaginar o que isso significou para aquela criança? Ele poderia ter dito: "O que você está fazendo no meio do nada, onde não há judeus?"
Em vez disso, da maneira mais bela, ele a fez se sentir importante. Ela tinha uma tarefa a ser realizada para todo o povo judeu, para o mundo inteiro. É assim que se transformam vidas, é assim que o Rebe transformava vidas. Mostrando às pessoas uma grandeza que elas não sabiam que possuíam. Mostrando às pessoas o que elas poderiam se tornar.
Então, essas são as duas primeiras maneiras: amar os judeus e mostrar a eles o que eles podem se tornar. O último ponto, creio eu, é muito simples: Rosh Chodesh Kislev – Chanucá está chegando. Há uma famosa machlokes [disputa] no Talmud, Guemará Shabat, página 10, sobre a seguinte questão: madlikin mi'ner l'ner o'lo? – pode-se pegar uma vela de Chanucá e usá-la para acender outra vela de Chanucá? Sim ou não?
Sobre isso, há uma discussão entre Rav e Shmuel. Rav diz que não, Shmuel diz que sim. Rav diz que não porque ko machish mitsvá – você diminui a mitsvá. Se eu pegar uma vela para acender outra, vou derramar um pouco do óleo ou da cera, e o resultado é que diminuirei a primeira vela. E Shmuel não se preocupa com isso, pois sabemos que, em geral, em qualquer machlokes Rav e Shmuel, Halacha k’Rav – a lei sempre favorece Rav em detrimento de Shmuel, com apenas três exceções, e esta é uma delas.
O que está em jogo? Sobre o que eles estavam discutindo? E por que, neste caso, a lei não favorece Rav, mas sim Shmuel?
E a resposta, você encontrará no mundo judaico atual, é a seguinte: dois judeus, ambos religiosos, ambos frum [religiosos], ambos erlich, ambos yorei shamayim [tementes aos céus], ambos cumprindo todas as mitsvot, kale ke’chamura. Mas há uma grande diferença entre eles; um deles diz: "Tenho que cuidar da minha luz, e se eu me envolver com judeus que não são religiosos, que não são comprometidos, ko machish mitsvá – meu judaísmo será diminuído."
Essa é a visão de Rav, e Rav era um gigante espiritual. Mas Shmuel ousou o contrário. Ele disse: "Quando levo minha luz para incendiar a alma de outro judeu, minha luz não diminui, mas aumenta! Porque, enquanto antes havia apenas uma luz, agora há duas, e talvez dessas duas surjam mais!" E nisso a Halachá concorda com Shmuel. Amigos, isso é ser um chassid, é seguir o exemplo de Shmuel, saber que, quando nos aproximamos de judeus menos comprometidos do que nós, nossa luz não diminui; o resultado é que criamos mais luz no mundo.
Um chassid do Rebe sabe, aron nossei es noisav, que se você eleva outro judeu, você mesmo é elevado. Se você acende sua vela e reacende a chama no coração de outro judeu, sua luz não diminuirá, você será elevado; sua luz será dobrada.
Amigos, há quarenta e dois anos, um dos maiores líderes judeus de todos os tempos acolheu um estudante desconhecido, vindo de milhares de quilômetros de distância, e acendeu uma chama em sua alma que permanece acesa desde então. E ele fez isso não apenas por si mesmo, mas por dezenas de milhares de outros. E nós somos seus Shluchim. Nunca conseguiremos fazer isso completamente, mas faremos o nosso melhor para andar como ele andou, comer como ele comeu, dormir como ele dormiu, o que era praticamente nunca.
E vocês sabem, vocês sabem o que eu sei, e isto, no silêncio de nossas almas, podemos ouvir o que o Rebe nos diria agora. Ele diria:
“Vocês acham que já fizeram o suficiente? Vocês devem ser como uma luz em Chanucá, mosif veholech – sempre fazendo mais. Mailin bakodesh, v’ein moreidin – em kedushá, vocês sempre sobem, e sempre há mais da montanha para subir.
E ele nos diria: primeiro, vivam, respirem e durmam ahavas yisroel; segundo, tornem-se líderes que transformem outros judeus em líderes; e terceiro, sejam madlik mener le’ner, peguem sua luz e iluminem os outros. E juntos, acendamos uma chama nos corações de outros judeus e juntos iluminemos o mundo. Amém.”
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