Pergunta:
Sou neta de sobreviventes do Holocausto, mas me sinto assombrada como se eu mesma tivesse passado por tudo aquilo. Vejo imagens de Auschwitz com frequência em sonhos e flashes de memória. Às vezes, tenho até medo de dizer às pessoas que sou judia. Parece tão ridículo que isso aconteça em meus sonhos, morando na Austrália. Será que estou ficando paranoia?
Resposta:
Você não está ficando paranóia. Você é uma alma judaica sensível, e o que você está vivenciando não é incomum. Reflete uma profunda verdade espiritual.
Existe um ensinamento místico de que todas as almas judaicas estão conectadas. Somos mais do que uma família; somos um único conjunto de almas totalmente interligadas pela mesma Fonte. Independentemente da "filiação" que um judeu tenha (ou não tenha), toda alma judaica está conectada. Essa conexão transcende o tempo e o espaço; estamos conectados horizontalmente a todos os judeus vivos hoje e verticalmente aos judeus de tempos passados.
Todos nós já sentimos essa conexão horizontal. Quando algo acontece a um judeu do outro lado do mundo, isso me afeta como se tivesse acontecido comigo pessoalmente. Quando um atleta judeu ganha uma medalha de ouro, todo judeu comemora como se fosse sua própria vitória. E o próprio atleta sente como se tivesse vencido em nome de todo o povo judeu. Quando ouvimos notícias de uma tragédia em Israel, somos profundamente impactados. E as vítimas se sentem confortadas por nossa empatia, pelo apoio, pela recitaçnao de Tehilim etc. Essa é
a nossa conexão horizontal de alma com todos os judeus que vivem hoje.
Independentemente da "filiação" que um judeu tenha, ou não.Mas também estamos conectados verticalmente aos judeus das gerações anteriores. Imagine uma pirâmide de almas, com Avraham e Sara, o primeiro casal judeu, no topo; cada geração subsequente está abaixo deles; e nós, as almas da geração atual, estamos na base, sob camadas e camadas de almas do passado. As vitórias e os desafios, as celebrações e as tragédias daquelas almas que nos precederam estão sobre nossos ombros.
Talvez as imagens que te assombram sejam a experiência coletiva das almas que carrega. Este é o desafio de viver em nossa geração. É um fardo pesado que carregamos, tão pouco tempo depois desta terrível tragédia da história judaica, na qual a vida de tantas almas judias foi ceifada. Não é fácil estar sob o peso de todas essas almas.
Temos uma escolha. Podemos sucumbir ao peso deste pilar de almas; ele pode nos oprimir e nos levar ao colapso. Pode parecer que ser judeu é um fardo pesado demais, e podemos tentar nos livrar dele. Ou podemos trilhar outro caminho. Podemos aceitar o desafio e elevar toda a pirâmide. Pois temos um dom que nos foi concedido por todas aquelas almas acima de nós: estamos vivos!
Diferentemente daqueles que ascenderam a mundos superiores, vivemos no mundo da ação, onde ainda podemos fazer o bem e nos elevar. E então, da nossa posição na base da pirâmide, podemos erguer toda a estrutura e elevar as almas daqueles que estão no alto.
As almas de todas as gerações anteriores olham para nós. Seu tempo neste mundo terminou, mas através de nós, suas vidas inacabadas podem ser completadas. Ao vivermos uma vida judaica com orgulho, ao criarmos lares e comunidades judaicas vibrantes, ao trazermos mais crianças judias ao mundo, não só podemos cumprir nosso próprio propósito, como também podemos realizar as esperanças e os sonhos daquelas almas que nunca tiveram a chance de fazê-lo por si mesmas. Temos uma escolha: podemos sucumbir ao peso ou podemos aceitar o desafio.
Você não está condenada a ser assombrada pelas imagens de dor que a oprimem. Deixe que elas a impulsionem a fazer o bem e a ser mais conectada com suas raízes.
Cada um de nós — descendentes de sobreviventes ou não — precisa se perguntar: o horror do Holocausto define minha identidade judaica? Se sim, minha condição como judeu pode se tornar um fardo que eu preferiria não carregar. Mas se o Holocausto me inspira a aprofundar minha identidade judaica e me torna mais determinadoa a viver de acordo com a missão judaica, que é transformar o mundo em um lugar divino, então não apenas não cederei, mas também elevarei essas almas a patamares mais altos e trarei ao mundo um pouco da bondade que essas almas desejavam trazer por si mesmas.
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