Nascer e crescer judeu em uma sinagoga reformista muito liberal no sul da Califórnia é uma experiência tremendamente diferente de ser criado como judeu chassídico na cidade de Nova York.
Atualmente, estou semi-aposentado. Trabalho sete dias por semana como pequeno empresário em uma minúscula cidade de Montana. O condado onde moro tem mais de 14.250 km2, com uma população de cerca de 9.000 habitantes. Considerando que o Bronx tem 109 Km2 (menos de um 1% do tamanho) e abriga mais de 150 vezes mais pessoas, minha cidade e meu condado são realmente muito isolados.
Imagine minha surpresa, em uma tarde ensolarada e movimentada de verão, ao ver dois jovens chassídicos entrarem em nosso pequeno estabelecimento. Minha esposa e eu estávamos em Montana havia apenas alguns meses. Como eles nos encontraram? E, mais importante, por que fizeram a viagem de três horas (ida e volta) para nos visitar?
Os homens explicaram que eram jovens rabinos representando o centro Chabad-Lubavitch em Bozeman, Montana, e depois de uma divertida conversa sobre geografia judaica, o papo ficou sério. Eles achavam que eu precisava de uma comunidade de pessoas com ideias semelhantes e queriam me assegurar que, apesar da minha localização remota, havia uma sinagoga e um rabino para mim.
Por que eu precisaria de um rabino, me perguntei. Sim, eu fiz meu bar mitsvá e até dei algumas aulas de hebraico durante meu primeiro ano de faculdade, mas agora já passei da fase de precisar de uma comunidade judaica tradicional ou de um rabino. Meus filhos já são adultos; não preciso de nenhuma escola de hebraico ou religiosa.
Apesar das minhas hesitações, meus visitantes e eu realmente gostamos do tempo que passamos juntos, e depois daquela primeira visita, comecei a trocar algumas mensagens com o rabino que dirige o centro em Bozeman. Eventualmente, nos encontramos pessoalmente.
Naquele ano, ele estava organizando uma festa de Chanucá na nossa pequena cidade e veio nos visitar pouco antes da celebração. Descobri que, depois de todos esses anos, passei a apreciar muito ser chamado pelo meu nome hebraico e ouvir palavras em iídiche. Desde então, tive a oportunidade de visitar a sinagoga em Bozeman e reencontrei o rabino em diversos eventos.
Quando comecei a receber o e-mail semanal do rabino sobre a porção da Torá, fiquei ambivalente. Por um lado, não sou um judeu praticante, para dizer o mínimo. Por outro lado, os e-mails vinham de um homem erudito, e senti que deveria lê-los. Mas quando notei que ele terminava cada e-mail com uma oração pelas nossas forças armadas, aqui, em Israel, ou onde quer que estejam, comecei a me animar.
Na última celebração de Chanucá, o rabino compartilhou um pensamento que ficou comigo. Foi uma percepção simples sobre o poder da luz. Ele explicou que, em um quarto completamente escuro, mesmo uma única vela cria uma iluminação significativa. Todos nós compartilhamos a responsabilidade, como membros da raça humana, de sermos as velas mais brilhantes possíveis em nosso ambiente, disse ele. Independentemente de raça, credo ou religião, todos estamos interligados e somos responsáveis uns pelos outros.
Cada vez mais, eu me via dependendo do rabino como fonte de sabedoria.
Em certa ocasião, me questionei sobre o significado histórico de um determinado evento. Na primeira oportunidade, perguntei ao rabino. Pouco tempo depois, enfrentei um dilema ético nos negócios. Desta vez, não esperei. Liguei para o rabino imediatamente. Em poucas palavras, ele esclareceu as principais questões e me orientou corretamente. Hoje em dia, frequentemente me pego pensando: "O que será que o rabino diria sobre isso..."
Só recentemente me dei conta. Embora no momento eu ainda não sinta necessidade de um líder espiritual, eu preciso de um rabino.
Preciso de um rabino? Não! Eu tenho um rabino! O rabino Chaim Bruk, do Chabad-Lubavitch de Montana, é o meu rabino.
Portanto, no fim das contas, este judeu reformista de meia-idade, transplantado para Montana, aprendeu algo novo. Aprendi que, à medida que envelhecemos, nossas necessidades e desejos mudam. Sou imensamente grato por meu rabino ter feito sua viagem da Big Apple até Montana, e por ter a perspicácia de ter me procurar com paciência e sabedoria.
Obrigado, rabino.
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