Mais um ano recomeçará em breve. Nos olhamos e buscamos profundamente o que realizamos no ano que passou, Fazemos um balanço de nossa alma, e então uma Mão poderosa irá passar um pano branco imaculado e apagará todas nossas falhas e pecados. Seremos perdoados, e haverá o recomeço, a renovação. Mas enquanto o mel permanece resplandecendo em potes decorativos sobre nossas mesas, haverá um gosto amargo em nossas bocas e um aperto esmagador em nossos corações. Onde estão nossos irmãos?
Alguns resistentes fortalecem suas almas que gritam e sonham em viver o retorno à família, à vida, e esta luta e coragem os impulsiona para frente. Outros que não temos conhecimento, não estão mais aqui, e choramos amargamente. Todos nós judeus e amigos sentimos parte dessa imensa angústia pelo retorno de quem ainda está e precisa ser descoberto e salvo. É uma ferida profunda onde somente a liberdade trará um pouco de consolo aos parentes e a todo o povo de Israel. Choramos as perdas dos bebês e crianças, mulheres e idosos violados, arrastados mortos, torturados, massacrados e humilhados, invadidos em suas casas e levados vivos e mortos para o inferno.
Onde você está mundo?
O mal virou bem, seus valores invertidos conduzem seus pés em uma marcha frenética na mesma direção: hinos e bandeiras do ódio, da intolerância, da violência e ignorância. E as fileiras vão engrossando e contaminando tudo por onde passa, transformando a visão clara em turva daqueles que se negam a tirar as vendas e encarar os fatos como eles realmente são e carimbam a história. Marcham aqueles que dispõem de turbantes, lenços e máscaras sem pudor algum, escondendo suas identidades, a face do mal em sua pior versão.
Nossa boca tornou-se tão poderosa quanto os soldados de Israel que defendem nosso povo e a liberdade de nossa existência em tantas frentes do terror, tanto na Terra Santa quanto no mundo inteiro. Mas não lutam sozinhos. Nossa boca é adoçada por preces em recitação dos Salmos, por nossos pedidos sinceros de proteção por cada soldado, por cada refém. Elas atrairão bênçãos para o reencontro, para a cura e para a paz realista e possível. Sim, também guardamos um gosto amargo que nenhum mel consegue adoçar, mas há um remédio para a dor que sentimos… a solidariedade, a justiça, a valorização da vida e o Poder que nos acompanha sempre, que nos abençoa e nos protege.
Enquanto os toques do shofar reverberam em nossos corpos e em nossas almas iremos pensar neles, estaremos com eles, com todos nossos irmãos nos túneis e com todos nossos irmãos espalhados no mundo.
Os toques de guerra também proclamam os toques de paz, e com ela o renascimento. Que seja para um ano em que céu e terra se unirão para sempre. Que D’us nos responda com toda a Sua força e poder, bondade e justiça não para mais um ano, mas para a eternidade.
Ketiva ve chatima tova!
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