O terceiro e mais baixo grau de relacionamento - quando a esposa se opõe ao marido - corresponde àquele entre o rasha (pessoa perversa) e D'us.

A rebelião intencional contra D'us geralmente é o resultado da frustração existencial do rasha pela sua incapacidade de lidar com as provações da vida, e/ou a multiplicidade de obrigações que a Torá espera que ele cumpra. Seja ou não de modo plenamente consciente, a alma do rasha, aprisionada pelas forças do mal (e não sabendo como distinguir entre elas e a Divina Providência), zanga-se angustiadamente contra D'us: "Por que fizeste minha vida tão infeliz?"

As reclamações do rasha podem parecer justificadas: às vezes, parece que D'us abandonou injustamente Suas criaturas. O rasha então está reagindo como qualquer esposa o faria, quando confrontada com um marido cruel ou desinteressado - rebelando-se.

A reaproximação do rasha com D'us (sua teshuvá) pode começar com uma destas duas formas:

O rasha pode preferir reconhecer que ele é o único a ser culpado pelo aparente distanciamento de D'us. D'us sempre deseja revelar-Se cumulando Suas criaturas com o bem, mas é "impedido" de fazê-lo pelos pecados coletivos da geração, e aqueles de indivíduos em particular, incluindo, claro, o próprio rasha. Uma vez que tenha percebido isso, o rasha penitente pode perdoar a D'us pelo trauma e desapontamento que sofreu, e resolver parar de impedir a revelação da Divindade no mundo pela sua atitude e atos rebeldes.

Ou D'us toma a iniciativa, expressando Seu próprio "arrependimento" pelas "falhas" com o rasha (e o mundo em geral), e fazendo, por assim dizer, um sério esforço para cortejar Seu cônjuge novamente. Ele restaura Sua benevolência material ou espiritual. Esta demonstração da Divina graça faz o rasha perceber que o comportamento de D'us para com ele - passado, presente e futuro - sempre foi para seu próprio bem. Aqui também ele pode perdoar a D'us e resolver servi-Lo novamente.

Seja qual for o caso, o rasha transforma-se totalmente. Não estando mais irado, amargo, ou absorvido em si mesmo, sua única aspiração agora é que D'us conceda Suas bênçãos abertamente a todas as pessoas, e assim ele se aplica incessantemente a trabalhar para esta finalidade. O último foco de sua vida torna-se a Redenção Final, pois somente então a bondade abundante de D'us será revelada para que todos a vejam.

D'us - como um marido amoroso que reage aos gestos de sua esposa que não mais está afastada - retribuirá então perdoando ao rasha seus pecados do passado. A lembrança do rasha de sua atitude e comportamento anteriores o inspiram a remediar a sua situação (e a do mundo) com uma fortaleza de espírito e amor a D'us ainda maiores que os de alguém que jamais pecou. Por causa disso, D'us não apenas apaga os efeitos negativos dos pecados passados daquele que foi um rasha, como também os contabiliza como méritos (Talmud Yoma 86b; Bava Metsia 33b), em virtude de terem impelido o rasha a empreender a ação necessária para remediar esta situação, bem como a do mundo.

Dessa forma, apesar de uma predisposição ou história pessoal negativa, um rasha pode aspirar a uma "segunda natureza" mais sublime e mais recompensadora.