Relato publicado com permissão de www.shmais.com
O Rabino Chefe de Israel, Rabi Yona Metzger e Rebetsin Metzger foram a Madrid numa missão histórica: agradecer ao Rei da Espanha (somente alguns dias antes do casamento real do Príncipe Felipe).

O rei da Espanha, Juan Carlos, cumprimentou Rabi Metzger em seu palácio real (originalmente, a audiência estava programada para durar 20 minutos, mas estendeu-se para 40). Rabi Metzger falou em hebraico, enquanto o embaixador israelense na Espanha, Sr. Victor Harel, traduziu suas palavras para o espanhol.

Rabi Metzger levou de Israel um grande shofar, com uma placa de prata com a coroa real gravada, e o ofereceu ao rei como presente. Ao oferecer o presente ao rei, Rabi Metzger contou-lhe uma história sobre um shofar nos tempos da Inquisição. Relatou a história com detalhes, e o rei ouviu atentamente.

Rabi Metzger disse ao rei que nos tempos da Inquisição, o reino espanhol proibia os judeus de praticarem sua religião, e caso fossem apanhados pagariam com a vida, especialmente os marranos que viviam o Judaísmo em segredo. Procurando uma solução para cumprir o preceito de tocar o shofar em Rosh Hashaná, tiveram uma idéia. Decidiram ir até o rei espanhol daquela época, oferecendo-se para fazer um concerto diferente, somente com instrumentos de sopro (exatamente em Rosh Hashaná), que o rei apreciava bastante.

Chegou o dia do concerto, e reuniram-se centenas de músicos, cada qual com seu instrumento, e um deles levou um simples shofar. O concerto teve início, e cada músico exibia sua habilidade de soprar seu instrumento. Então o músico judeu (disfarçado) tirou seu shofar e disse ao rei: tenho um instrumento especial, que o povo judeu toca de maneira pouco comum. Mas primeiro eles dizem duas bênçãos como esta: "Baruch Atá…". "Então, eles tocam 30 vezes, assim" – e soprou os 30 toques. O rei ficou impressionado, e o músico pôde cumprir a mitsvá do Shofar em público naquele dia, juntamente com muitos de seus amigos marranos que compareceram ao concerto naquele Rosh Hashaná.

Quando terminou de contar esta história ao Rei Juan Carlos, Rabi Metzger entregou-lhe o shofar com a placa de prata ao rei, e disse: "Vim de Israel para agradecer-lhe em nome de nossa nação, porque hoje os judeus podem viver em seu país com verdadeira liberdade de religião, e em Rosh Hashaná podemos tocar o shofar em nossas sinagogas sem qualquer temor, e praticar nossa religião abertamente com verdadeira liberdade, ao que o rei sorriu e respondeu: "É claro!"

O rabino disse então que desejava abençoar o rei, como está ordenado na Sagrada Torá. O rei e o rabino se levantaram, o rabino fechou os olhos e recitou a bênção com forte meditação. Quando terminou, Rabi Metzger abriu os olhos e ficou surpreso ao verificar que o rei tinha lágrimas nos olhos.

Rabi Metzger passou todo o Shabat perto do Beit Chabad, onde rezou e fez palestras de Torá. Em sua fala pública ele mencionou o valor de fazer a paz entre os judeus. Fez uma citação do Báal HaTanya, que quando um judeu dá espaço para outro em seu coração, há lugar bastante para todos.

O Sheliach da Espenha, Rabi Yitschac Goldstein, com sua mulher e filhos, juntou-se ao Rabino Chefe e sua Rebetsin e aos membros proeminentes da Kehilá em Seudat Shabat. Depois de cantar e dizer L’chayim, Rabi Metzger contou a todos a impressionante história de como o Rebe tinha previsto que ele se tornaria Rabino Chefe em Israel!

Ele falou com emoção, e disse que treze anos antes recebera a oferta de um cargo como Rabino Chefe em toda Tel Aviv, o que era considerado uma posição respeitável, mas sentia que deveria primeiro ter a opinião e a bênção do Rebe. Portanto, viajou a Nova York para conversar com ele. Um domingo em Cheshvan compareceu à fila dos dólares, e perguntou ao Rebe se deveria aceitar aquele cargo, para liderar toda a região de Tel Aviv. O Rebe fez um sinal de desaprovação, e balançou as mãos, dizendo não. Então o Rebe disse para se tornar rabino da terra sobre a qual estão os olhos de Hashem desde o início até o fim do ano (todo Israel) no mês de Aviv (Primavera), pouco antes de Z, antes de Cheiruseinu, e isso seria numa hora auspiciosa. Rabi Metzger disse que entendia para não aceitar o cargo, mas estava confuso pelo fato de o Rebe estar falando sobre Pêssach naquela ocasião (em Cheshvan). Ele disse que agora, treze anos depois, tudo se esclareceu perfeitamente!

Rabi Metzger disse que tem uma cópia em vídeo de sua audiência, que tem guardado durante estes treze anos. Recentemete, quando as eleições para um novo Rabino Chefe estavam para acontecer, como sempre no mês de Adar , ele estava se perguntando se seria eleito Rabino Chefe. Sua esposa disse: "Temos uma bênção do Rebe! Vamos assistir aquele vídeo novamente."
Embora as coisas não parecessem muito promissoras, pois o comitê votante de repente decidiu adiar as eleições até 3 meses depois (Sivan, sua esposa disse: "O Rebe falou em Chôdesh Aviv. Vamos ver o que acontece."

Então o comitê percebeu que Israel precisava de um rabino para vender o Chamêts antes de Pêssach. Portanto, em Yud Alef Nissan, Rabi Metszger foi a Kfar Chabad para um farbrenguen (enquanto seus colegas ainda estavam se esforçando para vencer). E assim as eleições foram (muito estranho) feitas a 12 de Nissan, e ele obviamente venceu, como o Rebe tinha previsto.
Rabi Metszger disse orgulhosamente que a todo lugar que vai, os Chabadniks são seus amigos, pois ele sabe que em Israel todo Chabad votou em Metzger, e ele tinha a profecia e a bênção do Rebe.