Nota do Editor

Há várias semanas, publicamos uma história de uma fonte anônima pela primeira vez. Isso inspirou um leitor, que teve um encontro bastante comovente como o Rebe durante uma época particularmente difícil em sua vida, a seguir em frente e partilhar sua experiência por escrito.

Devido à natureza pessoal da sua narrativa, ele não revelou sua identidade, mas os detalhes da sua história foram verificados por seu rabino e por seu médico, que estavam ambos envolvidos à medida que ocorriam os eventos.

Somos gratos ao Sr. B. por partilhar sua história conosco. Foi muito difícil para ele reviver essa parte de sua vida, mas ele se voluntariou a fazê-lo com a esperança que isso fosse ajudar aqueles que poderiam estar passando por desafios semelhantes.

Esperamos que outros que podem ter deixado de partilhar suas historias sejam encorajados a copiar seu exemplo, e assim ajudar a muitos outros que poderiam se beneficiar enormemente.


O Rebe ajudou-me em muitas maneiras, mas aqui eu gostaria de aproveitar a oportunidade para relatar como ele me ajudou com minha saúde mental. Sinto que isso vai dar a outros alguma visão sobre a opinião do Rebe sobre saúde mental e também mostrar como o conselho do Rebe foi importante.

Quando eu tinha cerca de dezoito anos, tive um episódio psicótico e fiquei num hospital psiquiátrico durante seis semanas. Fui diagnosticado como maníaco depressivo, que atualmente é mencionado como bipolar.

Cerca de seis meses depois, fui visitar o Rebe. No bilhete que entreguei a ele, escrevi sobre o episódio psicótico e disse que eu queria visitar Israel no verão, e também que queria mais tarde me matricular numa yeshivá fora da cidade.

Durante a audiência, o Rebe aconselhou-me a pedir a opinião do meu psiquiatra sobre se eu deveria ou não ir a Israel. Fiquei abalado, porque na minha mente eu estava convencido de que o episódio psicótico era uma coisa do passado, e que agora eu estava perfeitamente bem. Portanto disse que fazia muito tempo que eu não precisava ver um médico. Mas o Rebe respondeu que o doutor poderia ainda examinar meu arquivo, e caso contrário, eu poderia lembrá-lo sobre o que tinha acontecido.

Então o Rebe falou-me sobre meu desejo de ir para uma yeshivá fora da cidade. Deu-me um olhar severo e disse novamente que eu deveria perguntar ao médico se essa era uma boa ideia. Em conclusão, o Rebe deu-me uma bênção, na qual ele usou as palavras “uma saudável condição nervosa.” Lembro-me de pensar que talvez o Rebe estivesse indicando que minha condição nervosa sempre estaria ali, mas que deveria se expressar numa forma saudável. Ou, talvez ele estivesse simplesmente me desejando boa saúde mental.

Após consultar-me com o médico, fui estudar na yeshivá fora da cidade. Então, cerca de quatro anos depois, tive outro episódio psicótico; fui levado ao hospital onde fiquei durante seis semanas.

Foi um período difícil para mim, e a certa altura fiquei tão abalado que senti que precisava ligar para o Rebe. Porém, meus privilégios de telefone tinham sido tirados e não tive permissão de fazer o telefonema. Então, fui a um escritório do hospital,coloquei uma cadeira contra a porta e, enquanto os funcionários estavam batendo para entrar, liguei para o escritório do Rebe, bastante agitado. Rabi Binyomin Klein, secretário do Rebe, atendeu ao chamado, e eu disse a ele que não iria desligar até que o Rebe me desse uma garantia de que tudo ficaria bem.

Ele disse: “O Rebe já lhe deu uma garantia.”

“O que ele disse?” perguntei.

“O Rebe disse ‘Es vet zain gut – Ficará bem.’”

Desliguei o telefone, tirei a cadeira, e calmamente saí dali com total paz na mente. Os membros dali estavam todos pasmados. (Com frequência me pergunto como Rabi Klein tinha aquela resposta do Rebe esperando por mim. Presumo que ou eu ou meus pais tinham escrito ao Rebe sobre a minha situação, e o Rebe tinha dado a resposta a Rabi Klein, mas eu ainda não tinha recebido a mensagem.

Cerca de dois anos depois, tive outro episódio e novamente fiquei algum tempo no hospital, e então voltei à yeshivá. Passou um ano, e tive outro episódio. Depois que me recuperei, escrevi ao Rebe que eu tinha ficado muito nervoso, e pedi seu conselho e sua bênção. O secretário do Rebe respondeu, dizendo-me que o Rebe tinha me aconselhado a fazer quatro coisas: 1) Hesech hadaas meihanal – livrar minha mente do fato de que eu tinha ficado nervoso; 2) Checar meu tsitsit para assegurar que era casher; 3) Checar meus telifin para assegurar que eram casher; e 4) Estudar o “Portão da Confiancac” nos Deveres do Coração do sábio do Século 11, Rabi Bahya ibn Paquda.

Segui todas as instruções. Chequei meus tsitsit e embora não encontrasse nenhum problema, comprei novos só para segurança. Tive meus tefilin checados e, quando foi encontrado um problema, tive-o retificado. Também parei de focar tanto sobre o quanto eu estava nervoso. Comecei a estudar o “Portão da Confiança”, que explica como alguém pode levar uma vida de fé total em D'us, livre de preocupação.

Lembro-me de sentir um tremendo senso de conforto e segurança quando fiz isso. Aprendi que D'us controla toda faceta e detalhe da vida, portanto quando confiamos Nele, podemos lidar com os outros calmamente e com confiança. Eu me senti como alguém que tinha sido jogado no deserto e que de repente recebeu um copo de água fresca. Minhas inseguranças e preocupações simplesmente foram embora. De repente, senti que eu poderia navegar na vida e nos relacionamentos de maneira segura e sem problemas.

Logo depois disso, deixei a yeshivá e fui para casa. Comecei a trabalhar na empresa da família, mas não me adequei a isso, Ainda estava sentindo os efeitos colaterais do episódio psicótico, e estava deprimido (o que pode ter sido parte da condição bipolar). Comecei a consultar um novo médico, que me colocou num grupo de apoio, mas odiei isso então apenas ficava em casa. Foi quando minha mãe ligou para o escritório do Rebe, perguntando se ele poderia me escrever uma carta. A resposta foi que primeiro eu deveria escrever uma carta ao Rebe.

Assim fiz, descrevendo minha situação. O Rebe respondeu “Certamente você está seguindo as instruções do médico totalmente.” Ele também me encorajou a participar de várias campanhas de mitsvot que ele tinha iniciado.

Fui ao médico, e disse a ele o que o Rebe tinha falado e que agora eu estava obrigado a fazer o que ele me dissesse. O médico disse que eu deveria obedecer suas instruções, mas ele não estava confortável por ter subitamente tanta influência sobre mim. Eu disse a ele que embora eu entendesse por que ele não gostava da situação em que se via, eu precisava seguir suas instruções.

Ele concordou, e após discutirmos o quanto eu odiava o grupo de apoio, ele disse que, se eu preferisse, poderia voltar ao trabalho. Então me forcei a voltar a trabalhar novamente, o que melhorou muito meu bem estar. Até encontrei meu nicho na empresa e fui bem sucedido.

O que também ajudou foi participar nas campanhas das mitsvot do Rebe. Fiquei muito feliz por ajudar aos outros, e isso aumentou muito minha auto-estima. Até hoje, sinto que quando paro de fazer as coisas para os outros, começo a ficar deprimido, então começo imediatamente a pensar sobre maneiras de poder ajudar as pessoas.

Olhando para trás, posso dizer que, graças a D'us, minha vida ficou muito produtiva e feliz. Casei-me e comecei uma família E gostaria de partilhar esse resultado positivo com outros que podem estar na mesma situação em que já estive.