Antes de ser alistado nas Forças Armadas Americanas durante a Guerra da Coréia, fui visitar o Rebe. Ele era bastante jovem então, tendo acabado de assumir a liderança de Chabad, e não foi muito difícil conseguir uma audiência com ele. Comentei com ele que na atmosfera do exército, eu estaria espiritualmente afastado da Torá, e estava preocupado com isso.

O Rebe então me disse: “Às vezes na vida você tem de voltar atrás, para que possa seguir em frente no futuro.”

Mas eu estava nervoso por estar na presença do Rebe, e não pude entender realmente o que ele estava tentando me dizer.

Ao ver a expressão confusa na minha face, ele então levantou-se da cadeira, rodeou a mesa e ficou na frente de uma cadeira que estava perto de mim. “Olhe,”disse ele, “se eu quiser saltar por cima dessa cadeira, não posso, porque estou bem na frente dela. Mas se eu voltar um pouco para trás e então correr para a frente,posso saltar sobre a cadeira sem muita dificuldade.”

Ele continuou, reforçando sua afirmação: “Às vezes na vida, você precisa voltar atrás para seguir em frente, e para atingir a espiritualidade mais elevada.”

Ele então falou sobre o bem que eu poderia realizar enquanto estivesse no exército, onde eu estaria numa posição de influenciar outros soldados judeus e aproximá-los da Torá.

Por fim, nunca fui enviado à Coréia, mas à Europa. Nesse ínterim, fui designado para Forte Pickett, na Virgínia. E enquanto estava lá, comecei a me corresponder com o Rebe. Inicialmente escrevi a ele para ter encorajamento e em resposta – juntamente com uma carta datada em 2 de Adar I, 5711, (8 de fevereiro de 1951) – recebi dele o tratado do Rebe Anterior endereçado aos soldados: “Coragem e Segurança através da Fé e Confiança em D'us”.

“Leia isso e você se sentirá encorajado e otimista,” o Rebe escreveu.

“Quanto à questão de o que alguém pode realizar, etc., talvez você saiba que meu sogro (o Rebe Anterior) disse, citando o Baal Shem Tov, que às vezes o objetivo total de uma alma descendo a essa terra e vivendo 70-80 anos é fazer um favor a um irmão judeu, material ou espiritualmente. Isso mostra o quanto é importante uma boa ação. Você no exército certamente tem muitas oportunidades de fazer boas ações aos seus correligionários, material ou espiritualmente. Isso deveria deixar você muito feliz.”

Ele encerrou a carta enfatizando a importância da mitsvá diária de colocar tefilin o que ajuda a assegurar uma vida longa, e encerrou assim:

“Quero enviar meus votos e melhores desejos aos seus colegas no exército e desejar que voltem para casa em segurança,” acrescentando que o Rebe Anterior recomendava que os homens em serviço recitassem o Salmo 23 (que começa “D'us é meu pastor, nada me faltará…”).

Nas cartas seguintes, ele sempre anexava algo – um livreto sobre Purim, Pessach ou Chanucá, que desejava que eu partilhasse com meus colegas judeus. E quando escrevi que estava arrependido por ter usado mal algumas moedas que ele tinha me dado, ele enviou-me uma moeda. Ele escreveu: “Não se aborreça por ter perdido as moedas. Estou enviando a você outra, originalmente contribuída com nossas causas sagradas, e desejo sucesso a você.”

Ele continuou me encorajando a fazer todo esforço para aproximar mais os soldados judeus da Torá:

“Fiquei muito contente ao ler que você tentou influenciar alguns dos seus colegas soldados judeus no campo para mais prática religiosa. Estou certo de que você vai continuar a fazer isso com esforço ainda maior.” Novamente ele encerrou a carta com: “Melhores votos aos seus colegas…” dessa vez escrito à mão.

O Rebe então lembrou-me de falar com meu comandante para conseguir uma licença para Pessach para que eu pudesse celebrar numa atmosfera judaica e insistiu que eu me conectasse com chassidim Chabad que morassem próximo. Em particular, quando eu fosse transferido para Munique, ele queria que eu visitasse e entregasse um livreto de ensinamentos chassídicos a um chassid Chabad, Rabi Snieg, acrescentando: “Estou certo de que ele fará tudo que puder para ajudar você, de toda maneira possível.”

Quando relatei que tinha visitado Rabi Snieg como ele pedira, ele respondeu que estava contente por ouvir isso, porque “Tenho me perguntado sobre seu longo silêncio.”

Você pode imaginar que ele percebeu quando se passaram dois meses sem uma carta minha? Sinto com isso – e com suas prontas respostas – que o Rebe realmente e com sinceridade se preocupava comigo e com todos os soldados judeus nas forças armadas.

Eu tentava exercer sobre eles uma influência positiva como ele sempre insistia para eu fazer. E eu sempre partilhava os materiais que ele enviava com aqueles que estavam interessados.

Eu também percebi a verdade daquilo que o Rebe me disse quando eu o encontrara antes de entrar no exército. Ficar longe da minha comunidade me colocou numa posição de aproximar mais judeus da Torá. Assim como o Rebe me disse: “As vezes na vida, você tem de voltar atrás para seguir mais em frente.”