Em 1987 – três anos após eu ter sido eleito prefeito de Ariel, em Israel – visitei Nova York, e tive o privilégio de encontrar o Rebe pela primeira vez.

Lembro-me claramente que era domingo quando o Rebe estava distribuindo dólares para tsedacá e milhares de pessoas estavam aguardando na fila. Porém, quando cheguei em frente ao Rebe, ele parou para conversar comigo por alguns minutos. Ele foi muito amigável e, quando ele sorria, havia uma luz na sua face e seus incríveis olhos azuis estavam brilhando.

Dez meses antes disso eu tinha lhe enviado uma carta na qual eu abordava vários assuntos que me preocupavam em Israel. Mas quando fiquei perante o Rebe, esqueci de tudo isso. Seu secretário, Rabi Leibel Groner, apresentou-me como o prefeito de Ariel, a capital da Samaria, e imediatamente o Rebe disse: “Sim, eu li o que você escreveu.”

Eu tinha me esquecido da minha própria carta, mas ele se lembrou – uma carta de dez meses atrás – entre milhares de cartas que ele recebera desde então!

Fiquei tão envergonhado que o sangue sumiu da minha face. Mas ele agiu como se nada tivesse acontecido; apenas continuou a abordar os assuntos que eu tinha mencionado naquela carta, enquanto eu ficava ali de pé como uma criança na frente de um gênio.

Então ele me perguntou como as coisas estavam indo em Ariel, e eu disse que havia muita pressão americana para entregar o controle sobre o território aos árabes. A isso o Rebe disse: “Seja forte. Não entregue um só pedaço de terra. Você precisa manter a Terra de Israel para o povo de Israel. Este é o seu papel. Você precisa ser forte e tem de construir mais.”

Aproveitei aquela oportunidade para presenteá-lo com uma foto aérea de Ariel, e mostrei a ele onde gostaríamos de construir. Ele disse: “Você tem de lembrar que Ariel também é outro nome para o Templo, e com aquele nome você tem uma responsabilidade especial.”

Durante aquele encontro eu também disse ao Rebe que trazia mensagem de saudações de três mil crianças de Ariel, mas ele, em vez de me agradecer, disse: “Não estou satisfeito.”

Fiquei chocado. Tudo que pude fazer foi perguntar: “O que quer dizer?”

Ele disse: “Deveriam ser seis mil crianças.” E novamente disse: “Você precisa construir mais.”

Até aquele ponto, estávamos conversando em hebraico, mas de repente, ele me perguntou: “Você fala yidish?” Quando respondi que entendo um pouco de yidish, ele me disse que nossas atividades deveriam ser “Arayngechapt!” Eu não sabia o que ele quis dizer portanto o Rabino Groner entrou na conversa para explicar que Arayngechapt significa “Agarre tudo”.

Eu ainda não tinha entendido. “Agarre o quê?” perguntei.

“Aproveite essa oportunidade,” disse o Rebe. “Construa o máximo que puder.”

E foi isso que eu fiz.

Quando eu estava concorrendo para a reeleição em 1990, fui novamente ver o Rebe para pedir sua bênção, que ele me deu. Também pedi conselhos sobre a melhor maneira de receber imigrantes russos da União Soviética em Ariel. Eu estava tentando levantar 5 milhões para este objetivo, enfatizando o problema desses russos pobres. Mas o Rebe disse: “Tome cuidado ao fazer isso. Não diga que é apenas para ajudar ‘esses pobres russos’, mas sim, apresente como algo que beneficia também os ricos. Daquela maneira, não será percebido como insulto pelo governo soviético, o que poderia fazer-lhe parar a imigração.” Além disso, ele me desencorajou a dar entrevistas sobre esse assunto específico.

Naquela visita particular, eu estava recebendo uma quatia dos americanos para um Israel Seguro, e esperava usar aquilo para lançar uma campanha de levantamento de fundos. A mídia americana estava esperando para entrevistar-me como o prefeito da maior cidade judaica na Faixa Ocidental, e os do partido da esquerda estavam ali para protestar contra reassentar judeus russos na Judéia e na Samaria. Mas o Rebe disse: “Não faça tanto alarde,” então, enquanto eu respondia às perguntas dos repórteres, também escutava o conselho e não disse nada que pudesse irritar o governo soviético.

Pedi a ele uma bênção para construir uma grande sinagoga em Ariel – um Centro de Torá – onde os judeus iemenitas, os sefaraditas e os askenazitas pudessem se reunir para rezar sob o mesmo teto. Ele deu-me sua bênção, mas disse: “Mantenha cada grupo separado, porque cada um tem sua própria tradição.”

Permaneci insistente sobre um edifício que pudesse significar irmandade judaica, mas não fui bem sucedido, embora tivesse sucesso em muitos outros, graças às bênçãos do Rebe.

Ariel começou em 1978, como um assentamento de quarenta famílias sobre uma montanha deserta. Hoje, apenas vinte e dois anos depois, temos quatro mil famílias, um colégio com mais de seis mil estudantes e um parque industrial com mais de cem fábricas, exportando produtos que valem meio bilhão de dólares por ano.

Creio que cumpri a diretiva do Rebe para construir: “Arayngechapt – aproveite cada oportunidade.”

Certa vez eu disse ao Rebe: “Não sou uma pessoa religiosa.” Mas ele me contradisse. Ele falou: “Você é religioso porque está ajudando os judeus de Israel.”

O Rebe entendia que quando mais pessoas viessem e povoassem a Terra, mais poder e força teremos como uma nação. E isso irá manter Israel judaico para sempre.