Em “Here’s My Story”

Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, minha esposa e eu decidimos nos mudar dos Estados Unidos para Israel com nossa jovem família. Antes da mudança, fiz um curso de pilotagem e consegui uma entrevista de emprego no Ministério de Defesa Israelense.

Após eles fazerem uma longa investigação, para minha alegria, fui contratado. Fui trabalhar para o Ministério da Defesa utilizando meus talentos como um advogado formado em Harvard para negociar contratos para a aquisição de equipamento de defesa incluindo submarinos.

Após três anos fazendo isso, recebi uma oferta melhor, e procurei meu chefe, o general do conselho do Ministério da Defesa, Joseph Ciechanover, e falei a ele sobre meu plano. Sua resposta foi: “Você perguntou ao Rebe a respeito disso?” Quase caí da cadeira. Aqui estava um homem que não era religioso, sentando à minha frente sem uma kipá, e estava me dizendo para perguntar ao Rebe!

Ele explicou: “Muitos de nós que trabalharam para o Ministério da Defesa por muito tempo também pensamos em deixar nossos cargos, mas o Rebe não iria nos deixar.”

A princípio eu não consegui absorver a declaração dele, e somente mais tarde entendi. Isso foi em abril de 1973, seis meses antes da devastadora Guerra de Yom Kipur. O Rebe obviamente antecipava que algo terrível estava no horizonte. Uma saída da equipe no Ministério da Defesa numa hora dessas teria sido desastrosa. Eles consultaram o Rebe – conforme era a prática de alguns funcionários do governo israelense – e seguiram o conselho dele. Quanto a mim, como eu não era um chassid, não perguntei ao Rebe; simplesmente saí e aceitei o emprego que pagava melhor, como conselheiro geral em Etz Lavud, uma grande empresa israelense que comercializava madeira e compensados.

Enquanto estava em Etz Lavud, passei por uma questão pessoal difícil, envolvendo Yosef Kremerman. Ele era o Chefe Executivo da empresa e um dos principais investidores, e meu chefe. Sendo um antigo membro do Irgun (o mediador das Forças de Defesa Israelenses), ele tinha assinado garantias para pensões pagas às viúvas de membros do Irgun, e aquilo colocava uma enorme pressão financeira sobre ele. Vi que essa situação estava afetando a empresa, e na verdade pensei em sair. Eu realmente não sabia o que fazer, portanto consultei meu tio, Rabi Leibel Kramer, que disse: “Esse tipo de pergunta você faz ao Rebe.”

O país não iria exportar tantas laranjas quanto start-ups. E todos vimos que Israel é o líder inovador em alta tecnologia no mundo atrás somente dos Estados Unidos. Não há outro país que faça algo assim com uma população de apenas 8,5 milhões de pessoas. Portanto é obvio para mim que Israel tem sido especialmente abençoado nesse campo, e acredito que o Rebe tinha uma mão naquela bênção.

Ele então escreveu perguntando em meu nome e logo voltou com uma resposta inacreditável. O Rebe disse: “Como isso é algo que depende da situação em Israel – quando você precisar tomar essa decisão, deveria consultar um amigo que entenda do assunto. Vou rezar por você no local de repouso do meu sogro, o Rebe Anterior.”
A resposta do Rebe me influenciou a permanecer. Eu entendi que ele estava me dizendo que sair era algo distante no futuro, e que quando eu eventualmente saísse, isso seria feito com o conselho de um amigo.

Em 1977, Menachem Begin tornou-se o primeiro ministro e assumiu a obrigação de apoiar as viúvas dos membros do Irgun; isso aliviou Kremerman de seu fardo financeiro e e da pressão sobre a empresa.

Então houve uma época, alguns anos depois, quando eu tive de decidir se deveria ficar em Etz Lavud ou entrar nas Indústrias Laser, uma subsidiária iniciante trabalhando em desenvolvimento de um laser medicinal. Foi quando me lembrei do conselho do Rebe e consultei “um amigo que entendesse da questão.” O conselho que recebi foi que o futuro estava com as Indústrias Laser, e segui este conselho, que se provou totalmente correto. A empresa foi muito bem sucedida. Agora é conhecida como Lumenis Ltda, e é líder reconhecido no campo de alta tecnologia médica. Economizei parte de meu ótimo salário e com ele pude casar a maioria de meus filhos.

Após sete anos, mudei novamente de emprego. Isso foi em 1987, quando conheci o Professor Herman Branover, o cientista russo afamado, que me disse que o Rebe estava prevendo um grande influxo de imigrantes russos para Israel. Na época, os judeus russos eram praticamente prisioneiros da União Soviética e ninguém podia imaginar algo assim. Mas o Professor Branover acreditava no Rebe, e seguia todos os seus conselhos.

O Rebe aparentemente também sabia que, quando o êxodo dos judeus russos começasse, haveria muitos imigrantes de alto nível, cientificamente orientados que precisariam de um local para incubar suas ideias, invenções e inovações. E assim, com o conselho do Rebe, o Professor Branover criou SATEC (Companhia de Engenharia e Tecnologia Avançada Shamir), uma das primeiras empresas baseadas em ciência em Israel, para os cientistas russos que logo estariam chegando.

As pessoas ainda não entendem o quanto a nova tecnologia em Israel e no mundo inteiro é o resultado da aliyá [literalmente “subida”, imigração para Israel], russa. Mas em minha opinião, o Rebe previu que isso iria ocorrer bem antes que se concretizasse.

SATEC, que ajudei o Professor Branover a fundar, estava desenvolvendo produtos como aquecedores e medidores de força. Fui visitar o Rebe enquanto ele estava distribuindo dólares para caridade para pedir-lhe uma bênção para a SATEC ter sucesso. Ele respondeu: “Minoga Hatzlachá! – Grande Sucesso!” usando a palavra russa para “grande” e a palavra hebraica para “sucesso”. E de fato, SATEC se tornou um sucesso.

Em 1978, minha esposa e eu fomos afortunados de ter uma audiência pessoal com o Rebe, da qual me lembro vividamente.  A audiência durou cinco minutos que mudaram completamente nossas vidas. Lembro-me que seu escritório era simples, uma sala pequena, mas na hora me parecia enorme, e eu estava plenamente cônscio da presença dominante do Rebe.

Durante aquela audiência o Rebe me disse: “Você é um advogado e os advogados são usados para fechar contratos e compromissos. Mas você deveria sempre mostrar ao mundo que a Torá é a verdade e que a Torá é vida.”  Ele usou as palavras Torat Emet e Torat Chaim. Essa foi uma mensagem que tenho levado comigo desde então.

Ficou claro para mim que o Rebe fez o melhor para infundir pessoas como eu que estavam envolvidas em empresas de alta tecnologia com o desejo de levar Torá ao seu local de trabalho, porque ele entendia que a alta tecnologia seria o futuro de Israel. O país não iria exportar tantas laranjas quanto start-ups. E todos vimos que Israel é o líder inovador em alta tecnologia no mundo (exceto pelos Estados Unidos). Não há outro país que faça algo assim com uma população de apenas 8,5 milhões de pessoas. Portanto é obvio para mim que Israel tem sido especialmente abençoado nesse campo, e acredito que o Rebe tinha uma mão naquela bênção.

Israel não possui relevantes recursos naturais – exceto gás, mas isso está num estágio relativamente inicial de desenvolvimento – e assim tudo isso tem mantido a agricultura nos cérebros judaicos. O que os cérebros judaicos fazem de melhor no mundo moderno? Alta tecnologia. Não há dúvida em minha mente de que o Rebe previu aquilo.

Embora o Rebe não tenha vivido fisicamente em Israel, ele viveu lá espiritualmente. E ele entendia tudo que estava acontecendo e o que era melhor para o país. Esses são os motivos pelos quais me tornei um chassid do Rebe, E assim me considero até hoje.