Por Rabino Ilan Stiefelman
Diretor do Lubavitch Copacabana

Trabalhando com o projeto “Maayan Match” me deparei com uma grande falta de conhecimento do significado e importância do divórcio judaico, resolvi então compartilhar com vocês algumas informações. Minha intenção não é recriminar, mas sim desmistificar e procurar elucidar alguns pontos.

Preciso de guet?  Não sou religioso!

Quando um homem judeu e uma mulher judia se casam (ou vivem juntos como um casal), não é apenas uma união física, mas suas almas se tornam uma. É como uma operação espiritual que pega seres separados e os funde num novo ser. A cerimônia judaica de divórcio é a reversão. É uma amputação espiritual, separando uma parte da alma unida da outra, criando dois seres separados. Somente D’us tem o poder para dissolver esta união Divina.

O que acontece se não for feito o Guet?

Enquanto a mulher não receber o guet, mesmo estando, de fato, separada do marido por muito tempo, ainda é considerada casada. Ao se casar ou manter relações com outro homem, a Torá considera um adultério e caso venham a ter filhos, estes serão considerados mamzerim, bastardos, sendo proibidos no futuro inclusive de se casar.

Mas não pretendo me casar novamente!

Enquanto a cerimônia do divórcio judaico (Guet) não for realizada as almas continuam “casadas” e esta conexão espiritual interfere e atrapalha de várias formas ambos os lados. É para o bem da sua alma e dos seus filhos!

Me sinto humilhada

Muitos têm a impressão que o Guet é uma cerimônia humilhante e envolve um custo altíssimo. Mas isto não passa de um mito! 
A cerimônia é rápida, basta o homem entregar um documento (Guet) nas mãos da mulher. E se for necessário pode-se inclusive pedir a alguém que leve o documento sem ser necessário que os dois se encontrem.

Quanto custa?

O custo é bastante razoável e uma forma de pagar pelo tempo do escriba (o Guet é feito num pergaminho assim como uma mezuzá), o rabino e testemunhas.

Como devo proceder?

Procure se informar em sua cidade de um tribunal rabínico sério e reconhecido por todos, inclusive pelo Rabinato de Israel, afim de evitar problemas no futuro ou ter que refazer.