Eles foram às compras, provavelmente para pegar os suprimentos de última hora antes do Shabat: chalot, guefilte fish ou uma salada extra. Sendo judeus, eles compravam em uma mercearia casher, o Hyper Cacher, no leste de Paris.

E porque eram judeus, eles foram alvejados e assassinados.

Yoav Hattab, 21 anos, filho de um rabino da Tunisia, tinha acabado de voltar a Paris para prosseguir seus estudos. Foi assassinado a sangue frio, porque era judeu.

Yohan Cohen, 20 Yoav Hattab, 21, Philippe Braham, 45 e François-Michel Saada, 64.

Yohan Cohen, de 22 anos de idade trabalhava no supermercado. Corajosamente tentou pegar a arma do terrorista para proteger uma criança de três anos. Levou um tiro na cabeça e teve sua vida cruelmente interrompida por que era judeu.

Philippe Braham, um judeu observante em seus 40 anos e pai de quatro crianças que frequentam uma escola judaica em Montrouge, um subúrbio de Paris. Brutalmente massacrado porque ele era judeu.

François-Michel Saada, um homem na casa dos 60 anos, marido e pai de dois filhos. Impiedosamente abatido porque ele era judeu.

Logo após os assassinatos nos escritórios da revista satírica Charlie Hebdo, os terroristas foram atrás dos judeus. Em um discurso à nação sexta-feira, o presidente francês François Hollande disse que o ataque mortal no supermercado casher foi, sem dúvida "um ataque antissemita".

O mais recente massacre trás muitas outras memórias de outros banhos de sangue semelhantes que ocorreram nos últimos anos, como o de Mumbai em 2008; Toulouse em 2012; ou Har Nof, Jerusalém, em 2014. Sangue judeu. Fluindo livremente.

Um bebê dentro de seu carrinho. Pais amarrados em seus tefilin. Adolescentes retornando para casa à noite. Crianças estudando na escola judaica. Sangue judeu. Fluindo livremente.

Em livros de oração. Em xales de oração. E em potes de picles casher. E qual é a nossa resposta?

Durante o exílio no Egito lemos sobre os gritos de agonia do povo judeu frente a brutalidade de seu exílio egípcio; um lugar onde o sangue judeu fluía livremente, onde os bebês foram cimentados vivos em paredes de tijolos e onde o terror era a regra.

Como o povo judeu conseguiu deixar este exílio? Ao lembrar quem eles eram. Ao permanecer separados de seus algozes cruéis. Por não se assimilarem. Permanecendo fortee e leais as suas crenças e esperanças.

Nas próximas semanas leremos nas porções da Torá como o povo judeu atravessou o Mar Vermelho com júbilo, deixando para trás seus captores com cânticos de louvor em seus lábios. Como? Por manterem-se leais a sua crença e costumes.

Hoje, ao gritarmos com dor e com lágrimas juntos com nossos irmãos e irmãs na França, devemos declarar que o mal não vai nos parar. A nação judaica está viva. Am Yisrael Chai.

Hoje e todos os dias, precisamos nos lembrar quem somos e por que estamos. Ao irmos às compras de nossas provisões para o Shabat – ou para adquirir nossos suprimentos diários –vamos declarar com orgulho, JeSuisCacher. Como judeus precisamos agir com orgulho. Precisamos ser orgulhosamente judeus: JeSuisJuif.

Para as vítimas. Para a perda sem sentido da vida. Para nós mesmos. E para um mundo melhor.