Dois homens armados dispararam mais de 50 tiros na direção de uma multidão que participava de um evento de Chanuca promovido pelo Chabad de Bondi, matando 15 pessoas, incluindo o sheliach, rabino Eli Schlanger.
O evento “Chanucá à Beira-Mar”, que começou às 17h30, horário local, foi interrompido por disparos por volta das 18h45. Milhares de participantes fugiram em todas as direções enquanto os terroristas atiravam contra a multidão. Um dos atiradores foi contido quando um homem de meia-idade o atacou heroicamente e lhe tomou a arma. Ele se reuniu ao seu cúmplice em uma ponte elevada antes de ambos serem baleados pela polícia, e um deles ser neutralizado.
O dia 14 de dezembro marcou a primeira noite de Chanucá, e a comunidade judaica australiana estava pronta para ser um dos primeiros lugares do mundo a acender as luzes de Chanuca. O evento na praia de Bondi tornou-se uma joia da comunidade judaica de Sydney ao longo de décadas, com milhares de pessoas participando do evento familiar durante essa época que é verão na cidade.
Entre os assassinados estava o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, que organizava o evento para o Chabad de Bondi, onde atuava como rabino assistente. Os sogros de Schlanger, o rabino Yehoram e Shternie Ulman, fundaram o Chabad de Bondi décadas atrás. Schlanger foi um rabino e capelão dedicado, trabalhando incansavelmente como emissário do Rebe, o rabino Menachem M. Schneerson, de abençoada memória, para apoiar a vida judaica na comunidade de Bondi.
Outras vítimas identificadas são Reuven Morrison, empresário e membro querido da comunidade Chabad, que dividia seu tempo entre Melbourne e Sydney; Alex Kleytman, sobrevivente do Holocausto que compareceu ao evento com seus filhos e netos como parte da celebração anual de Chanuca; Tibor Weitzen, 78, avô israelense e membro da comunidade Chabad em Sydney, conhecido como o "Homem do Pirulito", que foi identificado por seu neto, um dos primeiros socorristas, no local do crime após ser assassinado enquanto protegia outras pessoas; Marika Pogany, 82, voluntária dedicada à sua comunidade judaica, reconhecida em 2022 por entregar 12.000 refeições casher do programa Meals on Wheels ao longo de mais de duas décadas; Dan Elkayam, 27, jovem francês e jogador de futebol do Rockdale Ilinden Football Club; Matilda, 10, identificada como a vítima mais jovem do massacre; e o Rabino Yaakov Levitan, que atuava como secretário do Beit Din de Sydney e trabalhava no Centro BINA. Ele também atuou como um popular coordenador das atividades do Chabad em Sydney. Peter Meagher era um sargento detetive aposentado da Polícia de Nova Gales do Sul e membro do clube de rúgbi Randwick. Após se aposentar depois de 34 anos de serviço, ele se dedicou à sua paixão pela fotografia e fez dela sua carreira. Ele estava em uma missão fotografando o evento "Chanuca à Beira-Mar" quando foi assassinado durante o ataque terrorista. O Ministro da Saúde de Nova Gales do Sul, Ryan Park, também anunciou que uma criança de 12 anos estava entre as vítimas fatais.
Um capelão do Serviço Estadual de Emergência chamado Vlad falou com a TV australiana e contou que estava no evento com seu filho de 8 anos. Ele empurrou o filho para o chão e o protegeu. Um segurança foi baleado perto dali e ele tentou ajudá-lo. Vlad prometeu acender em casa as velas de Chanuca que comprou no evento após o massacre para "manter a tradição viva" e mostrar que "não temos medo".
O rabino Chaim Levy contou ao The Times of Israel que estava sentado no evento quando os tiros começaram. “De repente, vi fumaça e ouvi estalos [de tiros]. Não conseguia dizer se os tiros eram para o ar ou em direção à multidão. Mas ficou imediatamente claro que algo terrível estava acontecendo. Eu disse à minha esposa: ‘Corra!’ Ela pegou nossa filha. Corri com meu filho e me escondi com ele atrás de um carro. Se você assistir às imagens dos terroristas perto de uma ponte, verá que havia carros estacionados lá. Por cerca de 20 minutos, ouvimos tiros sobre nossas cabeças. Depois de cerca de 20 minutos, consegui pular uma cerca (com meu filho) e chegar ao nosso carro, encontrar minha esposa e correr para casa.”
Muitos participantes compartilharam suas histórias sobre o dia traumático nas redes sociais, relatando como se deitaram sobre seus filhos e bebês na areia enquanto as balas voavam ao redor deles, aterrorizados por outros entes queridos no local, cujo paradeiro desconheciam, e tentando desesperadamente fugir enquanto a carnificina se desenrolava ao seu redor.
Desde os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 em Israel, a comunidade judaica australiana tem sofrido repetidos ataques antissemitas. Diversas sinagogas foram incendiadas ou vandalizadas, casas e carros de judeus foram pichados com grafites antissemitas, e protestos massivos em grandes cidades, incluindo apelos de genocídio aos judeus e à destruição de Israel, tornaram a vida dos judeus perigosa.
Antissemitismo na Austrália
Em entrevista ao Chabad.org no início deste ano, sobre o aumento do antissemitismo na Austrália, o Rabino Schlanger observou com orgulho como a participação anual na festa de Chanuca na praia dobrou em resposta aos ataques antissemitas, com a comunidade judaica se recusando a se intimidar pelo ódio. Ele também observou que a segurança foi reforçada nos últimos anos.
Em Chanuca do ano anterior, Schlanger respondeu àqueles que perguntavam como os judeus deveriam reagir ao antissemitismo com um vídeo postado nas redes sociais, mostrando o modo Chabad em seu estilo tipicamente bem-humorado. Com a legenda "Eis a melhor resposta para combater o antissemitismo", Schlanger saiu dançando de casa em direção ao seu carro, sobre o qual colocou uma chanukyiá portátil iluminada, incentivando outros a se juntarem a ele para compartilhar a mensagem de luz diante do ódio.
Diante da escuridão, Schlanger disse na época, o caminho a seguir é sempre o mesmo: “Seja mais judeu, aja como um judeu e pareça mais judeu.”
*Este artigo será atualizado conforme novas informações forem confirmadas.
Faça um Comentário