Artigo original:

Short Unknown Stories of Rebbetzin Chaya Mushka

Na Vanguarda

No ano de 5678, uma revolução tomou conta da Rússia e o judaísmo estava em grave perigo. O Frierdiker Rebe ficou famoso por estar à frente da luta para manter a Torá viva, combatendo ferozmente todos aqueles que desejavam erradicá-la.

Menos conhecido é o fato de que a Rebetsin esteve ao seu lado naqueles anos difíceis, auxiliando em muitas tarefas importantes e até mesmo acompanhando o Frierdiker Rebe em seu exílio em Kostroma.

Ao longo desses anos, a Rebetsin realizou missões perigosas em nome de seu pai, auxiliando-o em seu trabalho para estabelecer e fortalecer yeshivot, chederim e mikvaot. No Igros Kodesh do Frierdiker Rebe é publicado um documento muito revelador, escrito em 5685, no qual ele autoriza legalmente a Rebetsin a realizar todas as transações monetárias em seu nome, a aceitar e transferir pagamentos e coisas semelhantes. De fato, em muitas das cartas para a Rebetsin, lemos instruções sobre como transferir adequadamente todos os fundos necessários para seus destinos corretos.

Quando o Frierdiker Rebe foi enviado para o exílio após sua prisão, ele pediu à Rebetsin que o acompanhasse na viagem. Quando ele foi notificado de sua libertação completa duas semanas depois, em Yud Beit Tamuz, foi ela quem ligou para sua casa em Leningrado para avisar a família que o Frierdiker Rebe voltaria para casa para o Shabat, acrescentando que o assunto deveria ser mantido em segredo — “bli pirsum”.

Mais tarde naquele verão, a Rebetsin acompanhou o Frierdiker Rebe em uma viagem a Rostov para visitar o Ohel do Rebe Rashab, antes de seu casamento com o Rebe, que ocorreria depois que a família deixasse a Rússia.

Filho de Reb Levi Yitzchok

Desde que a Rebetsin era jovem, o Rebe Rashab mantinha o shiduch dela em mente.

Chassidim relatam que o Rebe Rashab disse à sua esposa, a Rebetsin Shterna Sara: “Devemos considerar o filho de Reb Levi Yitzchok [o pai do Rebe] como uma proposta adequada”. O Frierdiker Rebe também desejava que esse shiduch se concretizasse. Quando alguém sugeriu a ideia, diz-se que o Frierdiker Rebe comentou que esperava que de fato acontecesse. Por algum motivo, levou alguns anos até que o assunto fosse levado adiante.

Diz-se que Reb Elchonon Dov (“Chonye”) Marozov recebeu uma carta da Rebetsin Shterna Sara, na qual ela expressava sua angústia pelo fato de o desejo de seu estimado marido não estar sendo realizado. Ela acrescentou que costumava visitar seu Ohel para rezar para que o casamento se concretizasse.

Hilchos Mendel Sheyichye

Em Sucot de 5683, o Rebe viajou para Rostov para encontrar o Frierdiker Rebe, seu futuro sogro, pela primeira vez. Mais tarde naquele ano, o Rebe e a Rebetsin se encontraram pela primeira vez enquanto o Frierdiker Rebe e sua família estavam na cidade de Kislovodsk, na região do Cáucaso, na Rússia.

Posteriormente, o Rebe e o Frierdiker Rebe viajaram para Rostov, onde passaram uma ou duas semanas juntos. O Frierdiker Rebe então escreveu uma carta para sua filha, Chaya Mushka, dizendo:

“Minha filha, esta semana eu estudei minuciosamente ‘Hilchos Mendel’ sheyichye [isto é, o Frierdiker Rebe estudou o caráter e a personalidade do Rebe, etc.], quase todos os dias até ontem à noite, por algumas horas a cada dia. No domingo, nós três [o Rebe, o Frierdiker Rebe e Rashag] passamos o dia inteiro juntos, e foi muito agradável. Ele [o Rebe] permaneceu aqui para o Shabat e provavelmente partirá para casa no domingo. Ele se sente muito diferente [após esta visita] do que da primeira vez que esteve aqui… Posso dizer que o conheci um pouco melhor…”

No ano de 5686, o Frierdiker Rebe residia em Leningrado. A mãe do Rebe, Rebetsin Chana, veio conhecer sua futura nora, onde foi recebida pelo Frierdiker Rebe e passou algum tempo em sua presença. Após a libertação do Frierdiker Rebe da prisão em 5687, ele residiu por um tempo em Malakhovka, onde foi visitado pelo Rebe. Um detalhe interessante é encontrado em uma carta do Frierdiker Rebe para a sua filha: “Minha querida filha; você certamente recebeu minhas sinceras saudações por meio de nosso estimado parente [isto é, o Rebe]. Aguardo sua resposta e um relato detalhado…”

Obrigado pela comida!

Após o casamento em Yud-Daled Kislev, 5689, o Rebe e a Rebetsin se mudaram para Berlim. No verão daquele ano, o Frierdiker Rebe partiu para um ano de viagens; primeiro para Eretz Yisrael e depois para os Estados Unidos. Ao sair da Europa, o Frierdiker Rebe parou em Berlim e visitou o Rebe e a rebetsin Chaya Mushka. Ao retornar, ele os visitou novamente.

Quando o Frierdiker Rebe estava em Berlim a caminho de sair da Europa, a Rebetsin lhe deu alguns alimentos para a viagem. Em uma carta escrita à Rebetsin do Egito na véspera de Rosh Chodesh Av, o Frierdiker Rebe a agradece por esse gesto:

“[Sobre] os alimentos que você nos deu: os biscoitos ainda são úteis [para nós] e as três chalot, usamos para lechem mishnê; já que não há pão casher [pas yisroel] nem mesmo em Trieste [Itália]. Muito obrigado por nos fornecer as chalot; passamos o Shabat com chalot.”

Ao longo de seu ano de viagens, o Frierdiker Rebbe manteve uma correspondência próxima com o Rebe e a Rebetsin. Curiosamente, ao ler os diários do Frierdiker Rebe desse período, o Rebe e a Rebetsin são mencionados em vários contextos. Por exemplo, ao registrar sua visita a Meron, o Frierdiker Rebe escreve:

“Segunda-feira, 6 de Menachem-Av: Às 5h03, após acender uma vela [em mérito] de minha estimada mãe… Nossa filha C.M. e seu marido M.M…”

Não se Preocupe!

Ao final de sua visita a Eretz Yisrael, quando o Frierdiker Rebe foi notificado dos violentos tumultos que assolavam a comunidade judaica em Hebron, ele adoeceu gravemente. Descrevendo uma conversa telefônica com a Rebetsin que ocorreu por volta dessa época, ele escreve em seu diário: “Domingo, 3 de Elul: 9h, falei com minha filha C.M., que foi informada de que eu não estava bem de saúde. Assegurei-lhe que agora, graças a D’us, estou bem…

Para a Noiva

Em Sivan de 5692, a irmã mais nova de Chaya Mushka, Rebetsin Sheina, casou-se com Reb Mendel Horenstein em Landrov, Polônia. Nos Reshimot do Rebe, ele registra um relato detalhado do casamento, incluindo as instruções especiais do Frierdiker Rebe à Rebetsin: Ele instruiu à noiva — por meio de Mussia tichye — que ela deveria recitar Tehilim…

Paris

Com a ascensão do Partido Nazista ao poder na Alemanha em 5693 e o antissemitismo desenfreado no país, o Rebe e a Rebetsin mudaram-se para Paris. Reb Yehuda Aryeh (“Leibish”) Haber, que morava em Paris na época, relatou:

“Quando o Rebe e a Rebetsin chegaram a Paris, alugaram um modesto apartamento de um cômodo em um local precário. Eu já estava bem estabelecido em Paris na época e não suportava vê-los vivendo daquela maneira, então aluguei um lindo apartamento totalmente mobiliado e avisei a Rebetsin que a nova residência estaria disponível para eles assim que desejassem se mudar. A Rebetsin respondeu que precisaria conversar com o Rebe e, depois de uma semana sem notícias deles, fiz uma visita à Rebetsin. Quando mencionei o assunto do novo apartamento, ela levantou a mão como quem diz: ‘O que posso fazer?’ e comentou: ‘O que posso lhe dizer? Meu marido não está interessado!’”

Outro encontro interessante relatado por Reb Leibish:

Em certo momento, notei que o Rebe parecia muito fraco. Disse à Rebetsin que parecia que o Rebe estava se esforçando demais com seus estudos e que talvez fosse uma boa ideia ele tirar férias.

A Rebetsin respondeu: “Se você acha que conseguirá persuadir meu marido, talvez devesse falar com ele a sós.”

Quando apresentei a ideia ao Rebe, ele disse: “Não tenho tempo para descansar. Sou um shliach, e o Talmud diz que se confia que um shliach cumprirá sua missão!”

[Cabe ressaltar que, ao falar da revolução espiritual que transformou a França para melhor, o Rebe mencionou que o Frierdiker Rebe foi quem facilitou essa mudança. Que “além de visitar a França em algumas ocasiões e proferir maamarim e sichot lá, ele enviou shluchim de sua própria família que viveram lá por alguns anos, realizando avodá, estudando Niglê e Chassidut…”]

Chega de Pão!

Quando o Rebe e a Rebetsin moravam em Paris, a vida como judeu observante da Torá era frequentemente acompanhada de grandes dificuldades, especialmente devido aos altos padrões do Rebe em relação ao cumprimento da Torá e das mitsvot. A Rebetsin sempre esteve ao seu lado e o auxiliou, enquanto o Rebe confiava somente a ela muitas de suas exigências.

Quando o Rebe foi informado de que o açougueiro local vendia carne já casherizada, ele foi até lá com a Rebetsin para observar o processo e verificar se era realmente eficiente. Somente quando a Rebetsin se sentiu confortável com os padrões de cashrut, o Rebe concordou em comprar carne na loja.

Em certos dias, a Rebetsin viajava alguns quilômetros até os arredores de Paris para supervisionar a ordenha, garantindo que fosse chalav Yisrael (leite casher).

Certa vez, durante a visita de Reb Eliyahu Reichman, da Hungria, a Rebetsin foi vista peneirando farinha e preparando suas próprias matsot para Pessach. Quando ele perguntou o significado dessa rigidez, a Rebetsin respondeu:

“Meu marido não come nada que tenha sido preparado fora de casa!”

Certa vez, quando o Rebe estava na padaria onde costumava comprar pão, um indivíduo comentou: “O quê? Um yorei shomayim [temendte ao Céu] como você come o pão assado aqui?” (Implicando que havia algo questionável sobre a cashrut daquele estabelecimento.)

A partir de então, o Rebe não comeu mais o pão daquela padaria, apesar de esse boato ter se provado falso posteriormente. Ao relatar essa história muitos anos depois, a Rebetsin acrescentou: “Hut der Aibershter geholfin; Hashem ajudou, e a partir de então também não comemos mais pão!”

Conexão Especial

Durante toda a sua juventude e ao longo dos anos subsequentes, a Rebetsin manteve um vínculo firme e profundo com seu pai, o Frierdiker Rebe. Grande parte da natureza desse vínculo permaneceu desconhecida até o lançamento de um volume recente do Igrot Kodesh do Frierdiker Rebe, o volume 15, que consiste em cartas enviadas ao Rebe e à Rebetsin ao longo dos anos.

A primeira carta que aparece no livro foi escrita para a Rebetsin quando ela tinha apenas 12 anos, enquanto o Frierdiker Rebe estava na Suíça no verão de 5673: “Recebi suas saudações com prazer. Escreva detalhadamente sobre seu aprendizado e sobre tudo…”

Margolis Toiva

Enquanto viajava para os Estados Unidos em Elul de 5689, o Frierdiker Rebe escreveu uma carta ao Rebe detalhando alguns aspectos de sua viagem e, em seguida, escreveu como um pós-escrito:

“Contemple profundamente a preciosa pérola que Hashem lhe deu, que ela permaneça por muitos anos com todo o bem. Que Hashem lhe conceda a sabedoria, a fé e a sabedoria para compreender adequadamente e verdadeiramente este conceito.”

Quatro meses depois, o Frierdiker Rebe mencionou a pérola novamente em uma carta escrita ao Rebe de Baltimore, Maryland:

“Com relação ao grande presente, a preciosa pérola; você ainda não entende minha intenção, ou já captou minha metáfora?”

Em uma resposta escrita pelo Rebe em 18 de Shevat, o Rebe confidenciou:

“Ainda não compreendi a natureza da preciosa pérola; o que é ela?”

E o Frierdiker Rebe finalmente esclarece em uma carta datada de 25 de Adar, aniversário da Rebetsin: “A pérola preciosa que Hashem te deu é minha filha, tua estimada esposa, tichye…”

Tudo é obra Dele!

No ano de 5695, começou a publicação do periódico “HaTomim”. Essas publicações incluíam muitas informações e manuscritos antigos sobre o Chassidismo Chabad e sua história. O Rebe foi encarregado de compilar e editar o texto. Em uma carta à Rebetsin, o Frierdiker Rebe elogia o trabalho do Rebe:

“Com a ajuda de Hashem, através dos esforços e dedicação de seu estimado marido, meu querido e precioso genro, em breve lançaremos um periódico muito prestigioso chamado ‘HaTomim’. No papel, os nomes dos editores serão outros, mas [na verdade] todo o trabalho é dele…”

Rov em Paris

Enquanto o Rebe e a Rebetsin viviam em Paris, alguns dos moradores locais perceberam que o Rebe era um grande tsadik e pensaram que talvez ele aceitasse um cargo como Rav. Em uma das cartas, o Frierdiker Rebe suplica ao Rebe e à Rebetsin que considerem seriamente esta proposta:

“…Meus amados filhos, não tenho palavras para descrever a alegria que esta proposta me trouxe, e quão feliz eu ficaria se vocês a aceitassem, e com a ajuda de Hashem, este assunto se concretizasse… Dirijo-me a vocês, meus amados filhos, com um apelo sincero, para que considerem seriamente esta ideia e a reflitam…”

O Doce e Luminoso Dia

Outra coleção muito reveladora de cartas neste volume de Igrot Kodesh são as enviadas à Rebetsin (e às vezes também ao Rebe) em homenagem ao seu aniversário, em Chof-Hei Adar. O Frierdiker Rebe usou expressões como “lichtiken zissen tog” — o dia luminoso e doce para todos nós, e “libben zissen gliklechin geburts-tog” — seu amado, doce e alegre aniversário.

Durante o período em que o Rebe e a Rebetsin viviam em Paris, na Alemanha nazista, o irmão mais novo do Rebe, Reb Yisroel Arye Leib, precisava obter certos documentos do governo nazista. O próprio Rebe queria ir, mas a Rebetsin explicou que seria mais vantajoso se ela fosse cuidar disso. De fato, a Rebetsin viajou para a Alemanha e conseguiu obter os documentos necessários. Com o passar do tempo, os nazistas avançaram para a França. O Rebe e a Rebetsin foram forçados a fugir de Paris e se mudar para Vichy, e de lá para Nice.

Em seus últimos anos, a própria Rebetsin relatou muitas das histórias que ocorreram durante aqueles tempos turbulentos. Ela contou sobre a dedicação do Rebe em observar até os mínimos detalhes da Halachá e em ajudar outros refugiados o máximo possível. Em uma ocasião, a Rebetsin relatou que o Rebe era particularmente rigoroso em observar a instrução do Frierdiker Rebe de realizar um farbrengen no Shabat mevarchim, reunindo-se com outros refugiados para cumprir este minhag [costume] especial todos os meses.

Ish U’beisoi

Quando o Rebe e a Rebetsin finalmente escaparam da Europa devastada pela guerra, chegaram aos Estados Unidos em Chof-Ches Sivan, 5701.

Muitos anos depois, durante o farbrengen do Rebe no 770, foi feito um anúncio sobre um farbrengen especial que aconteceria, marcando Chof Ches Sivan, o dia em que o Rebe chegou aos Estados Unidos. Ao ouvir o anúncio, o Rebe interrompeu o gabai e acrescentou com um sorriso: “Ish u’beisoi!” [Ou seja, o dia também marca o fato de a Rebetsin ter chegado aqui!]

Nossos Filhos

Certa vez, uma família visitou a Rebetsin em sua casa e perguntou:

"Onde estão seus filhos?"

A Rebetsin apontou para cada um dos filhos do casal e depois para a rua, pela janela, e respondeu:

"Cada um de vocês, e cada um deles lá fora; vocês são todos nossos filhos!"