Meu pai, Shlomo Perrin, era um peleteiro londrino vindo de uma família que era próxima a Lubavitch durante gerações. Certa vez, quando visitou os Estados Unidos, foi conhecer o Rebe e se tornou seu leal seguidor, como eu mais tarde também me tornei. As histórias que eu gostaria de contar aqui são sobre os sábio conselhos que o Rebe dava ao meu pai e a mim no decorrer dos anos em nossos vários empreendimentos de negócios.

Em 1956, meu pai soube que a Companhia de Petróleo Shell iria tomar conta de outra companhia de petróleo, Canadian Devonian, e quando aquilo aconteceu, as ações da empresa canadense subiram dispararam.

Meu pai pensou que essa era uma maneira certa de fazer uma fortuna e decidiu usar os fundos para fundar uma nova escola Chabad para meninas. Ele ficou tão empolgado com a ideia que até estava pronto a hipotecar sua casa para comprar as ações canadenses. Mas, antes de fazer qualquer coisa, ele escreveu uma carta ao Rebe, perguntando quanto dinheiro investir. O Rebe respondeu que não confiava no mercado de ações e recomendou que meu pai não tivesse nada a ver com isso. O Rebe explicou que um homem de negócios não tem controle sobre as flutuações do mercado e que um investimento desses é muito perigoso. Mas então o Rebe acrescentou: “Se você deseja aprender uma lição, compre apenas a quantia de mil libras.”

Meu pai decidiu que desejava saber o que o Rebe queria dizer com “se você deseja aprender uma lição” portanto comprou uma quantia de mil libras. E então ele acompanhava o Financial Times para ver o que aconteceria com suas ações.

E então, por causa da Crise do Suez em 1956, a Shell nunca comprou a empresa canadense cujas ações começaram a cair. Em pouco tempo, o investimento de mil libras de meu pai reduziu-se a 250 libras.

Então, meu pai perguntou ao Rebe o que fazer. O Rebe disse: “Espere até subir para quinhentos e venda.” Meu pai fez exatamente isso. Vendeu as quinhentas libras – perdeu apenas metade do seu investimento – e depois disso o valor caiu totalmente.

Outra vez, um bom amigo de Cuba foi até meu pai com uma proposta de negócio bastante promissora. Meu pai pediu aos nossos contadores para examinarem a proposta e eles a declararam excelente, mas ele não aceitou até que o Rebe desse sua bênção. Mas quando ele escreveu ao Rebe, a resposta veio” “Sob nenhuma condição você deveria ter algo a fazer com isso.” Então meu pai disse ao homem que não poderia continuar.

Meu cunhado estava muito empolgado com esse negócio e ficou bastante desapontado, portanto decidiu voar até Nova York e explicar todos os detalhes ao Rebe. Mas o Rebe apenas repetiu: “Não tenha nada a ver com isso.”

Meu cunhado estava aborrecido, mas aceitou que o Rebe estava certo. De fato, duas semanas depois, o homem de Cuba caiu morto enquanto caminhava na rua. Se tivéssemos aplicado dinheiro em sua empresa, teríamos perdido tudo.

O Rebe também salvou a minha pele. Então chegou uma hora em que os preços das peles que eu comercializava começaram a cair, o que era bastante raro. Como resultado, eu estava num dilema. Como poderia comprar bens hoje, se amanhã eles valeriam menos do que aquilo que paguei ontem? Eu tinha medo de comprar, mas sem comprar não poderia vender.

Quando pedi conselho ao Rebe, ele respondeu: “Não importa o que você compra, mas venda na Escócia.”

Eu jamais tinha ido à Escócia; não tinha nenhum cliente ali. E para mim era difícil sair de Londres e ir para lá, considerando que naqueles dias a viagem de Londres até Glasgow durava treze horas. Então, escrevi ao Rebe, que respondeu. “Vá para a Escócia.”

Então, lotei uma van com peles e parti para Glasgow. Fiquei num hotel judaico e fiz ótimo negócio. Todos compraram de mim, e enviaram seus amigos para mim. Vendi tudo que tinha levado comigo na van. Telefonei para meu pai, que carregou outra quantia de peles no trem.

Aquele foi o início do meu negócio na Escócia que durou vinte anos e foi bem sucedido.

Desnecessário dizer, meu pai e eu fomos grandes apoiadores de Chabad e dos muitos projetos do Rebe.

Por exemplo, construí um micvê para homens em Manchester a pedido do Rebe. Quando concordei em assumir este projeto, o Rebe pegou trinta libras inglesas – três notas de dez libras – e me deu o dinheiro, dizendo: “Este vem de mim.” E então ele deu mais trinta, dizendo: “E este vem da Rebetsin… Você deve pagar o restante, mas eu prefiro que ninguém mais participe. A Rebetsin e eu seremos seus únicos parceiros neste empreendimento.”

Quando assumi isso, não sabia o que estaria envolvido em construir um micvê segundo as especificações Lubavicth. Mostrou-se bastante complicado, e demorou anos em planejamento e construção. Como concordei, paguei tudo e chamei de Micvê Shlomo Perrin pelo meu pai, que teria ficado orgulhoso de ser associado a isso ou em qualquer empreendimento do Rebe.

Em outra ocasião o Rebe me chamou para fundar uma edição bi-lingual do Tanya, a obra seminal do Rebe Anterior, o fundador do Beit Chabad. O Rebe queria fazer isso porque sentia que ajudaria as pessoas a aprender o Tanya com mais facilidade. Concordei, e novamente ele me deu sessenta libras dele e da Rebetsin e pediu-me para fundar o projeto.

Ele então continuou a me dar instruções específicas sobre quem deveria imprimir o livro e como deveria ser impresso. “Todo livro em inglês e hebraico tem o hebraico no lado direito e o inglês à esquerda,” disse ele, “Mas o Tanya deve ser diferente – inglês à direita e hebraico à esquerda. Então quando você o abrir, verá primeiro o hebraico.” Ele me deu muitas outras instruções detalhadas, como onde as notas deveriam ficar, que tipo de papel usar para imprimir – ele queria papel muito fino, forte, o que era difícil de conseguir – e também queria a tradução em inglês moderno e fácil de entender.

Esse foi outro projeto complicado no qual muitas outras pessoas me ajudaram a trabalhar duro – especialmente Rabi Nachman Sudak, Hershel Gorman, e Zalmon Jaffe. Demorou seis anos, mas ao final tivemos sucesso. Quando o livro foi publicado, o Rebe fez um farbrenguen especial na Sede Chabad em celebração, e deu a cada um de nós no comitê da publicação uma copia autografada. Eu soube que ele nunca tinha feito isso antes. Então, presenteamos o Rebe com um volume especial com couro na capa. Depois, quando fomos à Rebetsin para dar-lhe uma cópia, ela nos disse que o Rebe estava muito orgulhoso por causa do novo Tanya.