Uma carta de 1956 (Igrot Kodesh, Vol. 13, pág. 234 (chabad.org/4994397)), para um certo Dr. Elkana — que parece ter tido inclinações socialistas — explica como, na visão do Rebe, a sociedade utópica definitiva não reside no apagamento de todas as diferenças entre as pessoas, mas em uma interação harmoniosa entre doador e receptor. A carta afirma que o próprio D’us também é tanto receptor quanto doador. Segue um trecho:
“Você conclui sua carta afirmando que a Redenção não pode ser completa até que ‘não haja mais pobres na terra’ [Devarim 15:11] e todas as pessoas trabalhem em conjunto e com responsabilidade compartilhada, sem divisão entre pobres e ricos.
“Discordo. É da natureza humana que a verdadeira felicidade e realização venha com a capacidade de ajudar o próximo.” E isso só é possível quando um é ‘rico’ e o outro ‘pobre’.
“No entanto, isso de forma alguma contradiz sua justa revolta contra a injustiça encontrada na própria existência de tais divisões [entre ricos e pobres]. Os ensinamentos chassídicos explicam que toda criação, contanto que seu comportamento esteja alinhado com seu projeto original, funciona tanto como receptora quanto como doadora. Dito de outra forma, se são ‘pobres’ em uma área, devem ser ‘ricos’ em outra.
“É maravilhoso que, mesmo em relação a D’us, o Criador do universo e seu condutor, a Torá diga que Ele também é, às vezes, um ‘receptor’. Como os ensinamentos chassídicos [Yahel Ohr, Miluim 132:5] deduzem do versículo: ‘Você anseia pelo trabalho de suas mãos’ [Iyov 14:15]. [Da mesma forma,] nossos Sábios ensinaram que o serviço [do homem] preenche uma necessidade Divina’ [Shelá, Shaar Hagadol, 29b].”
Para aumentar a autoconfiança — veja Igrot Kodesh, Vol. 15, pág. 184 (chabad.org/5054354): “Poderia valer a pena mencionar ao médico que, com base na avaliação que ele fez do temperamento do seu filho, seria muito benéfico se ele tivesse oportunidades de ajudar os outros… pois isso aumentaria a sua autoconfiança.” Igrot Kodesh, Vol. 18, pág. 407 (chabad.org/5100639); Vol. 19, pág. 373 (chabad.org/5287796); Vol. 26, pág. 158. Veja também Igrot Kodesh, Vol. 11, pág. 344 (chabad.org/4929204).
Para aliviar a solidão — veja Igrot Kodesh, Vol. 17, pág. 9 (chabad.org/5099896). A carta acrescenta que, em um nível mais profundo, quando você investe esforço para ajudar o outro, gradualmente começa a sentir sua interconexão espiritual inerente com outras pessoas, diminuindo assim também a solidão mais sutil. Veja também Igrot Kodesh, Vol. 27, pág. 99, sobre a solidão relacionada ao luto. Em outra resposta a uma mulher cuja filha adulta morreu tragicamente, deixando filhos pequenos, o Rebe aconselhou que ela concentrasse sua energia em como “adoçar a vida do viúvo e a vida dos órfãos” como uma forma de ajudá-la a lidar com seu próprio luto e encontrar algum conforto.
Para aliviar o abatimento e a melancolia — veja Igrot Kodesh, Vol. 10, pág. 42 (chabad.org/4872091) e Vol. 27, pág. 527.
Para adicionar calor e positividade — veja Igrot Kodesh, Vol. 18, pág. 138 (chabad.org/5100390): “Aumentar seus esforços para ajudar os outros — além de cumprir o mandamento de ‘amar o seu próximo como a si mesmo’ [Vayicrá 19:18] — também lhe concederá satisfação interior ao ver os frutos do seu trabalho. Isso, direta e indiretamente, melhorará sua saúde e sua perspectiva sobre tudo o que acontece dentro de você e ao seu redor.” Veja também Here’s My Story (JEM), 14 de janeiro de 2015, acessível em chabad.org/2842569: “Se você quer ter um lar acolhedor, certifique-se de torná-lo acolhedor para o outro, e então ele naturalmente será acolhedor para você.”
Para aumentar os sentimentos de gratidão e contentamento — veja Petakim, Vol. 2, pág. 120: “Como parece que você precisa de uma medida adicional de Bitachon apropriado — que não é apenas o condutor do mundo em geral, mas também de cada um de nós individualmente, incluindo sua vida e a vida de seus familiares — pois então você apreciará ainda mais as bênçãos reveladas com as quais foi agraciado (seus filhos que lhe dão tanta nachat [satisfação]), e diminuirá sua angústia sobre as coisas não positivas que lhe aconteceram, portanto: “Seria aconselhável que você começasse cada dia da semana (bli neder)... colocando algumas moedas em uma caixa de tsedacá. Isso lhe lembrará que há muitas pessoas que estão em uma posição em que precisam de sua ajuda, e D’us o escolheu como Seu emissário para disponibilizar ajuda a elas….”
O Rebe costumava observar que Rabi Akiva disse que este mandamento é um princípio fundamental da Torá (Sifra e Rashi sobre o versículo; Talmud de Jerusalém, Nedarim 9:3). A propósito, em uma audiência privada na década de 1970, o Rebe perguntou ao seu interlocutor: “Por que o coração se inclina para o lado esquerdo do corpo? Na tradição judaica, o bem geralmente é associado ao lado direito. Por exemplo, as mitsvot devem ser feitas especificamente com a mão direita [Shulchan Aruch, Orach Chaim 183:4 e Taz ad loc.; Mishná Berurá 206:18]. Então, por que um órgão tão vital como o coração se inclina para a esquerda?” O Rebe prosseguiu respondendo: “Porque é o lado direito da pessoa à sua frente; pois seu coração bate não por você, mas pelo outro, pelo semelhante a quem você deve amar como a si mesmo” (Here’s My Story (JEM), “It’s Their Right”, disponível em chabad.org/3779581).
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