Encontrei o Rebe pela primeira vez em 1969, quando eu tinha quatorze anos. Até então, eu estava morando e estudando em Londres, numa pequena escola Lubavitch, mas queria aprender numa verdadeira yeshivá, e portanto perguntei ao Rebe se eu poderia fazer isso. O Rebe aprovou e fui para a yeshivá Lubavitch em Brunoy, perto de Paris. Por fim, me transferi para a principal yeshivá Chabad-Lubavitch em Crown Heights, Nova York, onde morei e aprendi durante quase dez anos.

Em 1980, Rabi Yitzchok Dovid Groner, que era emissário Chabad na Austrália, falou comigo sobre juntar-me a outros jovens casados para trabalhar em seu grupo de estudos no Colel, equivalente a um curso de pós-graduação em Torá, em Melbourne.

Não aprovei muito a ideia mas, como ele tinha me procurado, senti que valia a pena considerar. Também tinha recebido outras duas propostas, portanto decidi escrever ao Rebe e pedir seu conselho. Na minha carta, listei três das minhas opções com o convite para a Austrália por último, e perguntei ao Rebe qual opção eu deveria escolher.

Passaram-se duas semanas, mas não recebi resposta. Nesse ínterim, Rabi Groner estava ansioso para saber se eu ia ou não. “O que você quer de mim?” respondi. “Escrevi ao Rebe mas não tive resposta!”

Rabi Groner aparentemente falou com o Rebe, que respondeu que as partes interessadas deveriam perguntar novamente. Escrevi outra vez e, naquele mesmo dia, recebemos a resposta do Rebe. Ele tinha eliminado os outros dois destinos em potencial que eu tinha colocado, e sublinhou “Austrália” como o local para onde eu deveria ir.

Minha esposa e eu não conhecíamos ninguém na Austrália. Ela era francesa; eu vinha da Inglaterra. Para nós, a Austrália ficava no outro lado da terra. Minha esposa estava preocupada sobre a mudança para lá, e quando fomos ver o Rebe para uma bênção, ela expressou suas preocupações. Ela disse que estava feliz por ser a emissária do Rebe em todo lugar, mas estava nervosa sobre ficar sozinha ali.

A resposta do Rebe é algo que nenhum de nós dois vai esquecer. Ele disse: “Der zelbeh Eibishter vos gefint zach duh gefint zach oich in Austrália um ehr gefint zach in Austrália punkt azoi vi ehr gefint zach duh – o mesmo D'us que está aqui está também na Austrália, e Ele está na Austrália assim como está aqui.”

Em outras palavras, se aqui você é bem cuidada, será bem cuidada ali também. E aquilo a acalmou bastante. Era o próprio tipo de encorajamento que ela – e eu também – precisávamos tanto.

Houve mais uma coisa que o Rebe disse naquela audiência que se provou significante para nós. Ele nos lembrou que ambos vínhamos de famílias russas e encontraríamos muitos judeus vindos da Rússia na Austrália; era nosso trabalho mostrar a eles como um lar chassídico é dirigido e sermos modelos para eles. Como partilhávamos sua origem, eles nos ouviriam e seriam inspirados por nós.

E foi isso que aconteceu. Em todas as nossas interações com os judeus da Austrália no decorrer dos anos, eram os judeus da Rússia que se sentiam particularmente em um lar quando vinham para nossa casa.

Em 1986, após estarmos na Austrália por seis anos, o Rebe iniciou uma campanha para aumentar a atividade Chabad no mundo inteiro. Ele emitiu uma diretiva para expandir programas para crianças e idosos, e para abrir centros de Torá e prece onde quer que houvesse uma comunidade judaica, O Rebe falou sobre isso ao final de Chanucá e ele queria uma resposta, junto com fotos, em Dez de Tevet. Aquilo significava basicamente que tínhamos uma semana para fazer isso!

Naquela época, Chabad de Melbourne tinha uma yeshivá, que incluía uma sinagoga, mas não havia um centro Chabad nas redondezas. Ao ouvir aquilo que o Rebe disse, falei com meus colegas: “Olhem, a alguns minutos de distância, em Bentleigh, há um grande bairro judaico sem quaisquer serviços judaicos.” E eles decidiram se juntar e iniciar um Beit Chabad ali.

Mas não sabíamos o que fazer ou como começar. Deveríamos comprar uma casa ou uma loja? Mas nos sentíamos obrigados a não desapontar o Rebe, portanto fomos em frente e compramos uma casa com dois quartos, embora não tivéssemos tempo para planejar exatamente como seria dirigida.

Nos apressamos, e antes do dia marcado, Dez de Tevet, pudemos relatar ao Rebe sobre a compra e enviamos a ele uma foto do edifício que compramos.

O Rebe respondeu com um cheque de cem dólares e uma bênção para mais sucesso. Quanto à instrução do Rebe, um livro intitulado “Que Haja Luz” foi impresso e estou orgulhoso por dizer que inclui as fotos do nosso imóvel recém adquirido.

O Rebe respondeu com um cheque de cem dólares e uma bênção para obter mais sucesso. De acordo com as instruções do Rebe, um livro intitulado” Let There Be Light” [Que Haja Luz] foi impresso e tenho orgulho de dizer que inclui a imagem de nosso prédio recém-adquirido.

O nosso foi o primeiro Beit Chabad a ser aberto em uma comunidade australiana que não tinha tido nenhum serviço judaico. Quando adquirimos a casa, pensávamos que era algo grande, mas em pouco tempo o local se tornou tão popular que tivemos de nos mudar para um lugar maior. E então a ideia brotou dali – o estabelecimento do nosso Beit Chabad que abriu as portas para muitos outros Beit Chabad e atividades.

Em resposta ao pedido do Rebe fomos do nada para as dezenas de Casas Chabad que se espalharam em toda a Austrália no decorrer dos últimos trinta anos.