Em 20 de Cheshvan de 5785, o mundo perdeu Zvi Kogan, um rabino inovador que fez tanto pelo judaísmo nos Emirados Árabes Unidos. Mas para mim, Zvi era mais do que isso. Ele foi meu colega de quarto (quando ambos éramos solteiros), ele era minha luz (quando eu precisava de um incentivo) e foi um dos principais motivos para eu voltar a morar nos EAU.
Eu literalmente me mudei para o outro lado do mundo para ficar mais perto dele, e agora ele se foi. Quero que vocês saibam quem Zvi era, para mim e para todos que tiveram a bênção de encontrá-lo em seu caminho.
Zvi Era o Melhor Amigo de Todos
Ele fazia o que achava certo, e os outros o seguiam. Embora não tenha crescido no Chabad, sua convicção o levou a abraçar o Rebe e o Chabad como as forças orientadoras de sua vida. Ele não hesitava em romper barreiras e seguir seu próprio caminho com confiança.
Conheci Zvi em Dubai logo após os Acordos de Abraão, em 2020. Com a vida judaica crescendo a passos largos por aqui, eu havia me mudado para os Emirados Árabes Unidos como parte da equipe do Chabad. Zvi chegou pouco depois de mim e era pura energia. Quando Zvi entrava em uma sala, ele a iluminava — o ritmo aumentava e a atmosfera mudava instantaneamente. Ele tinha um charmoso sotaque israelense que tornava tudo o que ele dizia em inglês hilário, e ele sabia disso! Ele vinha até mim e dizia: “Achi [‘meu irmão’], isso foi loucura”. Às vezes era realmente loucura, mas muitas vezes era apenas a maneira como ele vivenciava as coisas que as fazia parecer loucas.
Desde o momento em que o conheci, eu queria estar perto da sua energia — era contagiante! E eu não era o único. Zvi tinha um jeito de se conectar com as pessoas em 0,3 segundos, tornando-se instantaneamente seu melhor amigo e sempre mantendo contato. Ele era o cara com quem todos queriam estar.
Zvi Iria Até o Fim do Mundo por Qualquer Pessoa
Há uma história engraçada sobre a vez em que Zvi viajou de carona da Rússia para a Ucrânia para entregar uma van repleta de vinho.
Ele tinha ouvido dizer que em Uman, onde dezenas de milhares de pessoas se reúnem todos os anos para Rosh Hashaná, havia escassez de vinho. Na época, ele estava na Rússia. Então, ele carregou uma van com caixas de vinho. Ao longo do caminho, ele continuou pagando ao motorista um extra para garantir que ele não parasse para pegar mais passageiros, já que a van estava completamente lotada de vinho. Eles dirigiram direto por 20 horas até Uman para garantir que chegariam a tempo para o feriado, onde Zvi distribuiu o vinho para tornar a experiência de Rosh Hashaná ainda mais especial para todos os presentes.
Isso nem era extraordinário para Zvi — era simplesmente o jeito que ele vivia.
Não é por acaso que Zvi assumiu a responsabilidade de fornecer comida casher nos Emirados Árabes. O mercado casher que ele administrava se tornou sua maneira de conhecer e interagir com todos os judeus. Se um visitante chegasse tarde da noite, ele ficaria à sua espera. Nenhum esforço era grande demais, e nenhum detalhe pequeno demais. Cada pessoa importava.
Zvi Nunca Deixou de Dar
Qualquer pessoa que tenha participado da mesa de Shabat dos Kogan jamais esquecerá a experiência. Zvi me ensinou como receber bem e valorizar verdadeiramente os convidados. Mesmo com a mesa cheia, ele garantia que todos se sentissem à vontade e tivessem seu momento de brilhar. Ele ditava o tom para as refeições de Shabat mais animadas e memoráveis.
Na semana passada, voltei para os Emirados Árabes Unidos — desta vez com minha esposa. A primeira pessoa a nos receber foi Zvi. A pessoa que se ofereceu para ajudar com as malas foi Zvi. A pessoa que nos ajudou a alugar um carro foi Zvi. A pessoa que nos guiou em nossa primeira ida ao mercado casher foi Zvi. Ele nos apresentou às pessoas certas para as coisas certas.
Zvi Era o Rabino Mais Acessível
Durante suas longas viagens entre Abu Dhabi e Dubai, ele ouvia compulsivamente palestras do Rabino YY Jacobson e de outros palestrantes sobre diversos assuntos.
Mas ele nunca se levou muito a sério. Os funcionários não judeus que trabalhavam para Zvi o apelidaram de "Rabino Steve", e o nome pegou. Combinava perfeitamente com ele. Ele era um rabino, mas também era uma pessoa com quem era fácil se identificar. Ele sempre minimizava suas realizações e tentava fazer com que sua gentileza e seu trabalho de construção de comunidade fossem apenas coisas normais de "Steve". A verdade, porém, é que ele era um "Rabino" por dentro e um "Steve" por fora. Ele nunca quis reconhecimento, mas, à sua maneira descontraída, instalava mezuzot nas portas das pessoas, visitava-as no hospital e colocava tefilin com aqueles que entravam em sua loja — tudo com seu incrível sorriso de "Rabino Steve".
Zvi Me Ensinou a Viver com Otimismo e Bom Humor.
Poucos dias depois de nos mudarmos para os Emirados Árabes Unidos, Zvi foi assassinado. Ele foi arrancado de nós da forma mais horrível, morrendo como um herói ao lutar contra os terroristas.
Consigo imaginar o que ele deve ter pensado naqueles momentos terríveis — como ele voltaria para nós e diria, com seu jeito único: "Nossa, isso foi loucura, eu quase morri!"
Zvi mudou minha vida de inúmeras maneiras impactantes, mas a mais notável foi a forma como encaro a vida. Quando a vida fica estressante, a melhor resposta é o riso e o otimismo. Ele nunca perdia a calma, mesmo quando havia motivos para isso. Zvi me deu as ferramentas práticas para navegar pelas montanhas-russas da vida com riso e resiliência.
Como empreendedor, o sucesso nem sempre é garantido. Mas Zvi falava sobre qualquer projeto em que eu estivesse trabalhando como se eu estivesse prestes a alcançar o maior sucesso. Em suas palavras: “Achi, é loucura! Você está prestes a pegar uma onda que não saberá como controlar.” Ele não disse isso em tom de brincadeira ou para me animar. Ele acreditava nisso.
Ele foi meu primeiro testador beta para ambas as minhas startups. Ele me dava feedback e sempre tinha ideias sobre o que eu deveria tentar em seguida. Aliás, nossa última conversa foi ele me dando feedback sobre meu aplicativo. Apenas 20 minutos antes de seu sequestro, ele me escreveu depois que eu disse que incorporaríamos sua última sugestão. Sua última mensagem continha apenas uma palavra: sababa, que significa “fantástico”.
Zvi, Rabino Steve, meu amigo e querido irmão: sinto-me tão orgulhoso e afortunado por tê-lo tido em minha vida. Você era uma pessoa santa, extraordinária, que jamais esquecerei.
Rabino Zvi Kogan emissário do movimento Chabad-Lubavitch nos Emirados Árabes Unidos dedicou-se à vida judaica no país do Golfo. Em 2024 foi sequestrado e morto por terroristas islâmicos em Dubai em um crime hediondo que abalou a comunidade judaica e do mundo todo. Ele tinha 28 anos e deixou sua esposa, Rivky, com quem havia casado apenas dois anos antes.
Faça um Comentário