O Rabino Shmuel Schneersohn de Lubavitch (conhecido como Rebe Maharash) foi o quarto Rebe de Chabad. Um brilhante erudito da Torá, sábio conselheiro e líder destemido, ele serviu como um elo fundamental na linha de liderança de Chabad. As seguintes histórias oferecem um pequeno vislumbre da vida e do legado deste grande homem.
1. Ele era o caçula de sete irmãos
Rebe Shmuel, nascido em 1834, era o filho mais novo do Rabino Menachem Mendel de Lubavitch, o prolífico, brilhante e divinamente inspirado líder do movimento chassídico na Rússia e além. O Rabino Menachem Mendel e sua esposa, a Rebetsin Chaya Mushka, tiveram sete filhos, cada um dos quais foi um notável erudito da Torá e líder chassídico por mérito próprio.
Embora o Rabino Shmuel tenha nascido depois que seus irmãos mais velhos já haviam atingido a idade adulta e alcançado posições de liderança, foi ele quem acabou sendo escolhido para liderar como o próximo Rebe de Chabad-Lubavitch após o falecimento de seu pai em 1866.
2. Ele nasceu em uma casa nova
Vários incêndios devastaram a cidade de Lubavitch. Após o incêndio devastador de 1832, uma nova casa foi construída para o Rabino Menachem Mendel e sua família, um presente de um fidalgo local. Embora a família ainda não tivesse se mudado completamente para a nova casa, a primeira providência foi trazer uma nova cama para o nascimento iminente do Rabino Shmuel. (É interessante notar que esta cama havia sido usada anteriormente para peneirar farinha para assar matsá.)
A pedido expresso do Rabino Menachem Mendel, a parteira mergulhou em um mikve antes de receber a criança e a envolveu em um pano branco especial que lhe foi dado para esse propósito.
3.Ele recebeu o nome de um carregador de águas
No dia de sua circuncisão, seu pai revelou que ele havia sido chamado de Shmuel, não em homenagem ao profeta Shmuel, mas em honra a um simples aguadeiro de Polotzk. Como muitos dos filhos e netos de seu pai, ele era conhecido pelo acrônimo de seu título e nome, MaHaRash, abreviação de Moreinu HaRav (“Nosso Mestre, o Rabi”) Shmuel. Entre os chassidim, ele é comumente chamado de “o Rebe MaHaRash”.
4. Ele gostava de artesanato
Dotado de mãos habilidosas, Rebe Shmuel apreciava a carpintaria. Quando criança, um discípulo de seu pai lhe prometeu: "Eu te darei um canivete se você me disser onde D’us está". Sem hesitar, o jovem respondeu: "E eu te darei um canivete se você encontrar um lugar onde D’us não esteja!"
Em seus últimos anos, devido à sua saúde frágil, foi aconselhado por medicos especialistas a fazer uma pausa na intensidade dos estudos acadêmicos e se dedicar a trabalhos manuais. Construiu diversas mesas e outras criações em madeira, e também escreveu rolos da Meguilá, que depois presenteou a seus filhos.
5. Sua data de nascimento era significativa.
O Rabino Shmuel nasceu em 2 de Iyar, o 17º dia da contagem do Ômer, correspondendo ao atributo emocional cabalístico de tiferet shebe tiferet, “beleza dentro da beleza”.
Desde pequeno, o Rabino Shmuel demonstrava notável dedicação, retenção e devoção aos estudos. Quando tinha sete anos, foi testado por seu pai na presença de seu professor. Ao ver o bom desempenho do aluno, o professor exclamou: “Ora, ora, ele se saiu bem!”.
O Rabino Menachem Mendel respondeu: “Qual a emoção quando tiferet shebe tiferet se sai bem?”.
6. Viúvo aos 14 anos, ele se casou novamente
Aos 14 anos, o Rabino Shmuel casou-se com sua sobrinha, Shterna Schneersohn. Tragicamente, a noiva adoeceu uma semana após o casamento e faleceu três meses depois. Como consolo para o adolescente desolado, o Rabino Menachem Mendel providenciou um quarto para o filho ao lado de seu próprio escritório, permitindo-lhe entrar sempre que desejasse. Durante esse período, o Rabino Shmuel teve acesso a manuscritos de rabinos anteriores e outros escritos preciosos.
Por sugestão de sua avó, a Rebetsin Shaina, ele se casou com sua prima, a Rebetsin Rivka, com quem teve quatro filhos e duas filhas.
A Rebetsin Rivka viveu uma longa vida e foi uma figura influente na infância de seu neto, o Rabino Yosef Yitzchak, o sexto Rebe de Chabad.
7. Ele era politicamente ativo
Desde os 21 anos, Rabino Shmuel viajou extensivamente para melhorar a vida de seus irmãos judeus. Bateu às portas de autoridades governamentais em Paris, Berlim, Kiev, S. Petersburgo e outros lugares em nome dos judeus oprimidos no Império Russo. Trabalhou incansavelmente para proteger o povo judeu de leis discriminatórias restritivas, pogroms e expulsões forçadas.
8. Era fluente em vários idiomas
Profundamente culto, Rabino Shmuel era fluente em vários idiomas (russo, francês, latim, etc.) e disciplinas, incluindo medicina. Aliás, ele frequentemente usava seu conhecimento mundano para disfarçar sua grandeza na Torá, chegando ao ponto de cobrir propositalmente sua mesa com jornais alemães quando recebia visitas, dando a impressão de que os havia lido antes da visita.
9. Tornou-se Rebe aos 31 anos
Quando Rabino Shmuel tinha 31 anos, seu pai faleceu. Muitos chassidim ficaram sem saber qual de seus filhos escolher como seu Rebe. De fato, vários filhos estabeleceram tribunais chassídicos nas cidades de Kopust, Lyadi, Nyezhin e Ovrutch. Contudo, com o tempo, a maior parte da comunidade chassídica percebeu que o filho mais novo, aquele de Lubavitch, seria o próximo Rebe.
10. Ele viveu Segundo o lema Lechatchila Ariber
O rabino Shmuel costumava dizer: “O mundo diz que se você não consegue rastejar por baixo de um obstáculo, tente pular por cima dele. Mas eu digo: pule por cima dele em primeiro lugar!” A expressão “pule por cima dele em primeiro lugar” no iídiche original é “lechatchila ariber”.
Era assim que ele vivia, nunca se contentando com o segundo lugar nem buscando o caminho mais fácil. Em termos de engajamento comunitário, ele “chegava ao topo”, mobilizando barões e magnatas para peticionar aos mais altos ministros do governo e defendendo seu povo com coragem e sabedoria.
A máxima também se aplica às buscas espirituais, encorajando-nos a almejar mais do que nos imaginávamos capazes e a “pensar grande” em termos do que podemos realizar.
11. Ele costumava cantar frequentemente
O rabino Shmuel tinha melodias especiais para cada ocasião, inclusive para quando se vestia com suas melhores roupas de Shabat todas as sextas-feiras e para quando trocava de roupa após o Shabat. Da mesma forma, havia uma melodia que ele cantava enquanto observava sua esposa acender as velas de Shabat e até mesmo uma melodia para trocar de chapéu.
Ouça: Melodia de Rabi Shmuel
12. Ele ensinou conceitos chassídicos profundos
O Rabino Shmuel ensinava seus discursos chassídicos (maamarim) de olhos fechados. No meio da recitação, ele os abria por um breve instante e depois os fechava novamente.
Muitos de seus ensinamentos foram compilados na obra em vários volumes conhecida como Likutei Torá - Torat Shmuel. Isso inclui o discurso chassídico tradicionalmente proferido pelos chassidim de Chabad ao atingirem o bar mitsvá.
13. Ele era totalmente dedicado a ajudar os outros
Nas noites em que recebia visitas, costumava trocar de camisa, pois elas ficavam encharcadas de suor muito rapidamente. Ele explicava que era preciso muito esforço para se "investir" na situação particular de cada visitante, a fim de se identificar com seu desafio, e depois se “despojar-se” de si mesmo para dar-lhes conselhos sábios e imparciais.
Leia: Uma Troca de roupa
14. Ele faleceu aos 48 anos
Acometido por doenças durante grande parte de sua vida, ele adoeceu e faleceu três dias após o Yom Kipur de 1882 (5643). Foi sucedido por seu filho, o Rabino Shalom DovBer de Lubavitch.
15. O Rebe foi seu biógrafo
O sétimo Rebe de Chabad — conhecido como o Rebe — era o tetraneto do Rebe Shmuel, bem como seu bisneto por casamento. O Rebe escreveu uma biografia do Rabi Shmuel, que incluía grandes trechos das anotações pessoais de seu sogro, o Rabino Yosef Yitzchak, o sexto Rebe.
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