Baseado nos ensinamentos do Rebe, Yud Shevat, 5714 Sichot in English – 27 de Adar, 5769

Durante os 25 anos de sua liderança, o Rebe recebia seus chassidim, bem como homens e mulheres de todas as esferas da vida em yechidut, ou audiência privada, três vezes por semana.

As audiências, feitas nas noites de domingo, terças e quintas-feiras, começavam logo ao cair da noite e se estendiam noite afora; algumas noites, o último grupo de visitantes saíam após o nascer do dia. Muitas dessas pessoas iam com problemas e dificuldades; eram a ansiedade e a angústia que as tinham levado até o Rebe. Outras tinham perguntas sobre fé; outras ainda procuravam orientação e guia. Muitas partilhavam somente alguns minutos na presença do Rebe, mas todas saíam com a sensação de que no tempo passado com ele, embora breve, o Rebe estava com eles com todo seu ser, total e exclusivamente concentrado em suas preocupações individuais.1

Um Olhar de Cura

Não era apenas que o Rebe ouvia pacientemente e permitia que as pessoas desabafassem. Um processo espiritual mais profundo está envolvido. Como relata a Torá,2 quando uma pessoa tem uma tzarat, falha, teria de aparecer perante um Cohen para ter a falha inspecionada e finalmente ser declarada pura.2

Em um nível, o Cohen estava assistindo o processo interno de purificação. Num nível mais profundo, ele estava causando isso. Toda vez que ele olhava para a falha, partilhava energia espiritual com a pessoa, o que permitia que fosse purificada.3

Um processo semelhante ocorre quando uma pessoa abre seu coração para o Rebe. Ela recebe energia para curar suas dificuldades, sejam elas espirituais ou materiais.

Uma Fonte de Vida

Para explicar a dinâmica acima: O âmago de uma alma judaica é “uma verdadeira parte de D'us,” veja Tanya, capítulo 2, uma fonte infinita de bondade, perfeição e vitalidade. Na maioria dos exemplos, esse potencial essencial permanece oculto, subindo à superfície somente de vez em quando.

No entanto, por causa de uma mistura de providência Divina e seu serviço Divino único, há certas almas que foram consideradas merecedoras de revelar esse potencial interior de maneira perpétua e perceptível. Servem como casas de luz espiritual, faróis irradiando luz Divina aos outros.

Além disso, não são meramente exemplos de homens realizados: são almas abrangentes4 que energizam outros para revelarem seu próprio potencial espiritual. De maneira mais simples, quando uma pessoa entra em contato com uma alma assim, a Divindade interior que ela possui é inspirada a vir à superfície.5 Este é o processo fundamental iniciado ao encontrar um Rebe.

Mas o processo não termina ali. À medida que a pessoa desvenda seus desafios, sucessos,5 e falhas perante os olhos do Rebe, ela atrai a influência do Rebe para essas áreas e recebe o poder de ser curado, crescer e prosperar em todos os aspectos de seus esforços materiais e espirituais.

Ainda Pastoreando Seu Rebanho

Como atestam miríades de pessoas, visitar o Ohel, o local de descanso do Rebe, traz uma oportunidade para o processo acima continuar. Quando um judeu vai ao Rebe e pede sua assistência, o Rebe encontra uma maneira de responder. Este processo pode acontece espontaneamente – e com frequência ocorre. Um judeu vai ao Rebe e abre o coração. Apesar disso, como seu nome implica, Chassidut Chabad6 procura filtrar experiência espiritual através do intelecto para que seja interiorizado e tenha um efeito duradouro.7

Da mesma forma, para explicar e facilitar o processo espiritual ao visitar o Ohel, há muitas pessoas que se preparam com a leitura de três textos: (a) uma passagem do Zohar que aparece em Maanê Lashon;8 (b) kuntreis HaHishtat’chus, um maamar atribuído ao Mitteler Rebe;9 e (c) uma adaptação de palestras do Rebe datando de Yud-Shevat, 5714 (1954).10

A passagem do Zohar fornece uma base para a prática de rezar num cemitério. O maamar do Mitteler Rebe explica a singularidade de rezar no túmulo de um tsadik que foi o mentor espiritual da pessoa, e a palestra do Rebe destaca a importância de visitar o túmulo de um tsadik que possuía uma alma abrangente como foi dito acima.

“E Os Vivos Levarão no Coração”

Ás vezes, ocorrem eventos que chocam a pessoa ao máximo. Num momento desses, um chassid pensa no Rebe, porque ele está no âmago do ser de todo chassid. Em Shabat Parashá Tetsavê, 5769 (2009), a alma sagrada de Levi Yitzchak Wolowik retornou ao seu Criador.

Como uma resposta – e como uma expressão pessoal de apreciação pela contínua dedicação e esforços dos pais de Levi Yitzchak, Rabi Zalman e Chani Wolowik, shluchim de Five Towns – Mayer e Henny Preger foram inspirados a publicar esta leitura. Foi uma sensação espontânea; eles sentiram que algo tinha de ser feito. Como a comunidade mais próxima do Ohel, o Chabad de Five Towns possui uma distinção única, como declara o Rebe nas palestras acima: até mesmo estar meramente perto do local de descanso do Rebe é importante. Como declaram nossos Sábios,11 “quando uma pessoa tem um pão em seu cesto, não sente fome tão facilmente.”

Conceitos semelhantes se aplicam ao yetzer hara, a Má Inclinação. Quando o yetzer hará sabe que um judeu tem uma maneira de afastar suas tentações – ele pode visitar o local de descanso de um tsadic e particularmente, aquele de um nasi com quem ele partilha um vínculo espiritual – isso não irá aborrecer tão fortemente a pessoa, porque ela sabe que pode quebrar isso inteiramente [visitando o Rebe].

O Rebe concluiu a palestra acima mencionada:

O desejo dos nesiim era – e continua sendo – para sua influência ser sentida na vida diária em pensamento, fala e ação. Dessa maneira, a sua shlichut pode ser cumprida sem obstáculos e com abundante sucesso em questões materiais e espirituais.

Que esse texto possa ajudar a atingir essas metas e levar ao tempo em que não mais precisaremos visitar o Ohel. O tempo sobre o qual está escrito,12 “Tu que repousa no pó: desperta e canta alegres louvores!”