Durante 5639 e 5640 (1879-1880) houve um crescimento considerável no anti-semitismo em toda a Rússia. Em muitas cidades e aldeias, os inimigos do povo judeu incitavam a população local a promover pogroms contra as comunidades judaicas. Rabi Shmuel viajou mais uma vez a S. Petersburgo para tentar pôr um fim nesta nova onda de perseguição.

Ele tinha muitos amigos pessoais e conhecidos entre os funcionários do governo, príncipes e nobres. Eles lhe asseguravam que a campanha anti-semítica seria detida, mas os pogroms irromperam novamente em 5640 (1880) em Kiev e Nieshin.

Rabi Shmuel tinha acabado de voltar de uma visita ao exterior ligada aos problemas de comunidades judaicas, quando as tristes notícias chegaram até ele. Foi imediatamente para a capital russa, e com a ajuda do Professor Bertenson, médico da corte do Czar, ele pôde obter uma audiência imediata com o Ministro do Interior.

Repleto de tristeza pela situação desesperadora, o Rebe chegou a criticar o Ministro por não ter cumprido sua palavra, de suprimir os levantes anti-semíticos. Ele deixou claro que a continuação desse estado de coisas criaria uma imagem muito negativa do governo russo entre os círculos mais altos nos países estrangeiros.

Durante sua reunião com o Ministro, Rabi Shmuel mencionou que tinha recebido cartas de muitas personalidades e banqueiros de outros países que tinham influência internacional. Todos eles queriam saber que atitude deveriam tomar, tendo em vista as tristes notícias sobre a provação dos judeus na Rússia, e o que eles poderiam fazer para proteger as vidas e as propriedades da população judaica na Rússia.

O Ministro perguntou: “Qual foi a sua resposta?”

“Retardei a minha resposta até receber uma promessa positiva do governo russo sobre este assunto” – respondeu Rabi Shmuel.

“Rabi de Lubavitch” – disse o Ministro – “ousa intimidar o governo russo com ameaças do poder de capitalistas estrangeiros? Está ameaçando a revolução neste país?”

“Sua Excelência não precisa interpretar minhas palavras como uma tentativa de intimidação” – respondeu o Rebe. “Ao contrário, considere-as como um sério fato a ponderar, pois esta preocupação é partilhada por capitalistas e grandes homens mesmo do mundo não-judeu, que estão chocados com tamanha barbárie e ataques desumanos como os que têm ocorrido aqui. Quanto à segunda pergunta, parece-me que foi a conduta negligente e fraca do Governo Imperial que agora provoca uma revolução neste país.”

Naquela mesma noite, quando retornou ao hotel, Rabi Shmuel foi informado pelo governo de que estava sob voz de prisão. Dois policiais montaram guarda à entrada de seu quarto por dois dias. No terceiro dia, porém, ele foi chamado perante o Ministro do Interior e recebeu uma resposta positiva ao seu pedido.

Este é apenas um exemplo das numerosas ocasiões em que Rabi Shmuel procurou os ministros e príncipes da Rússia em prol do povo judeu, desconsiderando por completo quaisquer ameaças de punição para si mesmo.