Em 1827, o infame Czar Nicolau I instituiu o decreto “Cantonista”, que introduzia o alistamento de crianças para treinamento e serviço militar. Originalmente aplicado a criança a partir dos doze anos. As comunidades judaicas tinham de suprir uma cota de dez crianças em cada mil (os não-judeus tinham uma cota menor e com isenções mais liberais).

As crianças eram enviadas aos funcionários do governo e distribuídas entre os camponeses, ou então colocadas em escolas especiais até completarem dezoito anos. Eram então removidas para acampamentos do serviço militar durante 25 anos. Isso significava que as crianças eram arrancadas de casa e do cheder durante a maior parte de suas vidas, e sujeitas a um tratamento calculado para afastá-las de seu próprio povo.

Nenhum pai cederia um filho para um esquema tão cruel, mas a comunidade era obrigada a preencher sua cota. Isso fez surgir um personagem desprezível, o “apanhador”, cujo trabalho era agarrar ou raptar as crianças e entregá-las aos funcionários públicos. Cenas de partir o coração, com crianças sendo arrancadas dos braços da mãe, tornaram-se comuns. O fardo da tragédia se abateu com maior intensidade sobre os judeus mais pobres, que não podiam subornar os “apanhadores” para comprar a liberdade dos filhos.

Rabi Menachem Mendel atacou o problema sem se preocupar com os perigos envolvidos. Era preciso salvar o maior número possível das crianças que já estavam alistadas. Com isso em mente, o Rebe organizou um conselho especial com os três seguintes objetivos: Primeiro, estudar a situação das comunidades judaicas, visando a ajudá-las a diminuir o número de crianças que teriam de fornecer.

Segundo, engajar-se na libertação daqueles que já tinham sido capturados. Para isso formou-se uma sociedade clandestina conhecida como Techiat Hameitim (“Ressuscitadores de mortos”). O método empregado era pagar um resgate para cada criança aos funcionários envolvidos. Eles devolviam a criança, e ao mesmo tempo relatavam às autoridades que a criança em questão tinha morrido durante a viagem. Eles também informavam oficialmente a morte da criança à comunidade envolvida. Estes “atestados de óbito” levavam grande alegria aos pais. Obviamente, as crianças “mortas” tinham de ser escondidas por muito tempo (daí o nome Sociedade Techiat Hameitim). As crianças eram enviadas aos cheders ou escolas Talmud Torá distantes de suas cidades de origem.

Terceiro, enviar pessoas confiáveis aos locais onde as crianças cantonistas estavam abrigadas para encorajá-las e insistir com elas para que permanecessem fiéis à sua religião e ao seu povo.

Além da enorme despesa que isso tudo acarretava, este trabalho era muito perigoso, pois representava um ato de traição. Mesmo assim este programa clandestino foi realizado com sucesso e jamais foi traído.