O Miteler Rebe esforçou-se para persuadir as massas judaicas a abandonar os empregos precários nos quais estavam engajados. Insistia com eles para que fossem viver nas aldeias e assentamentos onde poderiam aprender a cultivar o solo, ou adquirir ofícios e profissões que lhes proporcionariam uma renda honesta e segura. Isso eliminaria a constante preocupação e insegurança que acompanhava as profissões que exerciam.

Era muito importante que este modo de vida não interferisse com sua prática sincera e completa do judaísmo. A esse respeito, o Miteler Rebe enviou uma carta à comunidade, conforme consta abaixo na íntegra:

Tenho a seguinte proposta a fazer, a respeito do decréscimo nos ganhos e o aumento no número daqueles sem fonte de renda e que sofrem extrema pobreza nas cidades, e os péssimos resultados do desemprego e das energias mal dirigidas dos jovens que realmente desejam trabalhar.

Somente uma pequena minoria está empregada nas lojas e outros negócios, e um número ainda menor pratica ofícios manuais. Aqueles que possuem capital o estão perdendo gradualmente, e vemos multidões de judeus num estado cada vez maior de empobrecimento.

Minha sugestão, dirigida aos mais inteligentes e que entendem o problema, é que sejam introduzidos regulamentos severos nas comunidades judaicas, para que mulheres e crianças, meninos e meninas, aprendam algum ofício básico, como tecelagem, costura e artes similares que são utilizadas nas fábricas.

O treinamento de artesãos deveria também ser organizado e adequadamente estabelecido para os filhos dos pobres e também da classe média. Eles deveriam ter professores e instrutores pagos e supervisionados pela comunidade.

Eles não devem deixar a agricultura de lado. Podem adquirir terra boa e fértil, áreas grandes ou pequenas, e trabalharem o solo; certamente D’us enviará Sua bênção para o solo, para que eles consigam ao menos alimentar adequadamente os filhos. Não há dúvida de que precisarão contratar mão de obra agrícola experiente não-judaica por uns dois ou três anos, até que se tornem aptos, eles próprios, a fazerem todo o trabalho.

Não devem ter vergonha de trabalhar no campo. Não foram os campos e vinhedos a fonte de nosso sustento na Terra Santa, com o fazendeiro rico usando servos judeus e bons trabalhadores? Por que, então, devemos ser diferente de nossos antepassados, embora vivamos no exílio, desde que haja a oportunidade de seguir nossa antiga ocupação de trabalhar o solo? Talvez tenhamos permissão de comprar terras de imediato, ou então alugá-la a longo prazo. Quando visitei as Estepes Meridionais, vi com meus próprios olhos fazendeiros judeus com suas esposas e filhos trabalhando o solo durante a semana, com zelo e disposição.

Até os treze anos, todos os meninos lá estudam nas escolas primárias (cheder). Se ele demonstra aptidão para se tornar um erudito, continua estudando a Torá; caso contrário, deixa o cheder e trabalha na fazenda. Os judeus de lá são felizes e satisfeitos, livres de preocupações, e permanecem tementes a D’us, pessoas de bem, sustentando-se honesta e decentemente. Embora o trabalho possa não lhes trazer riqueza e luxos, roupas caras e jóias, eles têm todo o necessário. Vendem suas colheitas, a produção diária de laticínios, ou então ovelhas e gado para as províncias vizinhas. Eu observei sua maneira de viver e gostei muito; o solo é fértil naquelas paragens. Nós podemos, se nos esforçarmos, comprar boas terras aqui, algo que ajudará muito os pobres. Já me correspondi com pessoas responsáveis, e creio que D’us abençoará a terra, e nosso povo ganhará aquilo que precisa. Como está escrito: ‘Se comeres com o trabalho de tuas mãos, serás feliz.’ Assim, aqueles que nos caluniam não terão assunto para maledicência, e os nobres e funcionários públicos verão os fazendeiros com bons olhos. Não pode ser de outra forma, pois não há outra esperança; somente a perspectiva de uma pobreza ainda maior para as massas judaicas.

E quem sabe o que há ali na frente? Talvez, D’us não o permita, eles sejam atraídos para terras distantes. Já basta disso, e aqueles que têm inteligência entenderão. Estas palavras vêm de alguém que deseja o melhor para o povo judeu, e só quer a sua prosperidade.

(Assinado) DovBer, filho do grande Gaon Rabi Shneur Zalman, de abençoada memória

Por esta carta e outras fontes, sabemos o quanto Rabi DovBer se preocupava com a provação econômica dos judeus, e quantos esforços ele envidou em várias tentativas de melhorar a vida deles.

Rabi DovBer estava o tempo todo interessado em promover a colonização na Terra Santa. Em 5583 (1823), ele foi o primeiro a estabelecer uma colônia em Hebron, e continuou a apoiá-la financeiramente. Ele adquiriu pessoalmente uma sinagoga ali, que leva seu nome.