Por Esther Malka King
Eu costumava pensar: "Por que alguém desejaria ser religioso?" O que poderia fazer com que uma pessoa preferisse uma vida de restrições, jogando fora as oportunidades de ser despreocupado e se divertir?
Durante minha infância eu tinha conexões com Chabad. Quando tinha sete anos, costumava freqüentar eventos no Beit Chabad de Rabi Yossi Gordan na Tasmânia, Austrália. Foi ali que minha família começou a aprender como se tornar religiosa. Tornamo-nos mais envolvidos com nosso legado e eu freqüentava uma escola judaica até que minha família se mudou. Pelos próximos dez anos, vivemos num bairro extremamente não-judeu. Foi minha mãe, o alicerce e pilar da casa, que nos manteve conectados com nossas raízes judaicas. Isso era feito por meio da observação dos Dias Festivos, guardar o Shabat e estudar Torá nos livros judaicos que tínhamos em casa. Embora estivéssemos isolados, ainda permanecíamos judeus e sempre agradecerei à mamãe por isso.

Quando me formei no ensino médio, fui aceita na Universidade Monash, a mais importante de Victoria, para estudar Psicologia. Eu morava em casa, tinha carro, computador, TV e era livre para fazer tudo que quisesse. Tinha meu próprio estúdio de fotografia. Porém, percebi que algo estava faltando. Era tudo tão efêmero. Decidi entrar novamente em contato com Rabi Gordan e sua família. Ele me disse que uma dose de estudo de Torá no Instituto Feminino Machon Chana em Crown Heights, em Nova York, me poria de novo no rumo certo.

Durante meu vôo de vinte horas eu imaginava como seria. Não foi nada daquilo que tinha visualizado. No Shabat e Dias Festivos todos caminham na mesma direção: ao 770 da Eastern Parkway, Sede Mundial de Lubavitch. Considero em Crown Heights as pessoas normais e sei que posso viver uma vida de estudo de Torá e cumprimento de mitsvot e ainda ser legal!

Em Crown Heights, não somos afastados do mundo exterior. Na verdade, em uma das visitas naquela época do Rebe ao dormitório em Machon Chana, lembro que ele disse que jovens devem ter espelhos e rádios. O fato de sermos religiosas não nos exclui do "mundo" e nossa aparência e modo de vestir, assim como saber o que está acontecendo no mundo, é importante.

Meus temores da chegada, de perder minha personalidade, viver num país estranho, fazer amizades e ser aceita, eram infundados. Fiquei surpresa ao ver que há muitas mulheres jovens como eu interessadas em Torá, e que praticamente todo país no mundo está representado aqui. Todas conseguem manter sua cultura e personalidade, e acrescentar algo a ela. Ainda sou a mesma pessoa, não; creio que me tornei uma pessoa melhor, graças à Torá.

Moro no dormitório Machon Chana e devo dizer que viver com pessoas que têm metas semelhantes está ajudando o desenvolvimento de meu caráter.

Sinto-me em casa aqui. Temos um sentimento de unidade - nós nos complementamos uma à outra, embora sejamos diferentes. Ter dezenas de vidas diferentes colocadas juntas em uma casa para crescer - e ter sucesso - tem de ser algo especial.

Eu nunca tinha ficado rodeada de mulheres que tivesse mais paixão pelo cumprimento da Torá que eu. Em vez de estar cercada de "não faça isso" e "tem de fazer aquilo", a maioria das dúvidas que tenho levam a conversas mais amplas. E aprendemos sobre o que se aplica a nós. Saímos daqui mais sábias.

Viver neste mundo não significa excluir nossa vida antiga. Posso levar tudo comigo em minha jornada. Meu negócio de fotografia que tinha antes de vir para os Estados Unidos ainda está funcionando. Agora fotografo as celebrações de minhas amigas e faço a crônica da vida no alojamento. Minhas habilidades com o computador são úteis no escritório e com a ajuda de outras jovens, desenhamos e publicamos o boletim e o anuário da escola.

Ser observante de Torá não inibe uma pessoa de fazer o que quer que seja. Simplesmente expande seus horizontes. Aparentemente as opções da pessoa são limitadas, mas descobri que as coisas que não posso fazer não valem a pena ser feitas.

Estudar Torá e cumprir mitsvot definitivamente mudou-me para melhor. Estou mais relaxada, concentrada e disposta a seguir adiante. Tento não me ater ao passado e saber que estou aqui para trabalhar em mim mesma - Esther Malkah - isso só pode ser para o bem. Sei que levarei comigo todo o estudo e as experiências para onde quer que eu vá. Sei que estou aceitando o que é meu por direito de nascimento e vivendo uma vida de Torá e mitsvot não apenas me ajuda, como também, com a ajuda de D'us, algum dia ajudará meus filhos.

A próxima geração confia em nós para continuar pavimentando o caminho. Com nossa geração continuando a recolher e elevar as centelhas, aproximaremos mais e mais Moshiach e a completa Redenção.