Por Steve Hyatt
Certa ocasião tive o privilégio de comparecer à conferência regional dos Rabinos de Chabad em Portland, Oregon. Rabinos das cidades de toda a região oeste convergiram à "Cidade da Rosa" para um fim de semana de prece, estudo, discussão inspiradora.

Tenho rezado regularmente cada manhã, tarde e noite durante quase três anos. Mas nunca, nunca mesmo, eu tinha visto preces feitas assim. A energia, entusiasmo e amor que preenchiam a sinagoga Chabad de Portland eram inacreditáveis! Aqueles "Homens de Preto" sacudiam o prédio!
O volume ficou mais alto quando demos as boas vindas ao Shabat. As vigas estremeceram quando cantamos Lecha Dodi. Quando a última nota da canção ecoou pelas paredes, todos levantaram da cadeira e começaram a dançar pela sala até eu achar que iam cair de cansaço. Mas não ficamos cansados. Cantamos, dançamos, rezamos com uma espécie de paixão que eu jamais sonhara ser possível.

Isso era Shabat! Era assim que devia ser! Esta era a vida judaica como deveria ser! Aqueles quinze judeus orgulhosos nos mostravam a alegria absoluta que ainda existe dentro da comunidade judaica observante. Eles nos mostravam que o Shabat não é sobre coisas que você não pode fazer. Não é sobre as restrições para dirigir, acender luzes ou cozinhar. Pelo contrário, é sobre deixar de lado as coisas do mundo durante algumas horas, agradecer a D’us que o ama por Suas bênçãos, comer coisas deliciosas, dizer l’chayim com os amigos, celebrar a experiência judaica e recarregar sua neshamá, sua alma.

No decorrer do fim de semana, eu tive uma oportunidade excepcional de conhecer bem alguns destes homens notáveis. Não deixe que os ternos pretos, os chapéus clássicos o enganem. Eles são tão diferentes um do outro como as folhas de uma árvore. Porém todos eles partilham uma paixão semelhante pelos homens, mulheres e crianças das comunidades judaicas onde trabalham. Todo e cada um deles tem dedicado a vida e ao progresso do estudo judaico nos locais mais remotos do globo. Não importa se moram em Wilmington, Delaware, Salt Lake City em Utah, Anchorage no Alasca, Shangai na China, Kostrama na Rússia ou Portland, Oregon, eles todos têm uma meta em comum. Promovem o yiddishkeit para homens, mulheres e crianças que, por alguma razão, tenham se afastado da fé de seus antepassados.

Na juventude, eles deixam o aconchego de sua yeshivá e viajam a lugares desconhecidos. São encarregados da responsabilidade de estabelecer "postos" a muitos quilômetros dos centros tradicionais de estudo judaico. Imagine como deve ser mudar-se para o Alasca, um lugar onde existem mais alces que judeus. Como se faz para encontrar comida casher, ou formar um minyan para o Shabat? Mas de alguma forma, eles encontram uma maneira de fazer isso acontecer.
O que é ainda mais espantoso é que estes Rabinos não recebem apoio de sua "sede" em Nova York. Muitas pessoas pensam que quando eles se mudam para uma comunidade, estabelecem um posto e recebem um cheque mensal do "tesoureiro da empresa". Nada poderia estar mais longe da verdade. O fato é que eles se mudam para locais desconhecidos, com alguns nomes e números de telefone. Mas eles encontram uma maneira de fazer o milagre acontecer. Graças ao generoso apoio de outros, eles podem continuar sua obra altruísta. Nada desvia estes homens notáveis da sua missão. Muitas vezes eles não sabem como vão pagar a hipoteca no mês seguinte. "Hashem proverá" – geralmente é a resposta. Nunca tantos fizeram tanto com tão pouco.

Os serviços locais do Shabat começam a brotar, onde antes não existia nenhum. Comida casher "milagrosamente" começa a aparecer nas prateleiras dos supermercados locais, onde antes não havia. Festas de Purim, piqueniques de Lag Baômer, Sêder de Pêssach, Sucá móvel, celebrações de Simchat Torá, tudo brota como se o solo fértil da comunidade judaica fosse cultivado.

Antes de descobrir Chabad, eu não conseguia imaginar a profundidade e a amplitude do meu povo, meu legado e minha religião. Rezar diariamente, colocar tefilin pela manhã, estudar Torá, ir à sinagoga no Shabat, construir uma sucá, dançar com a Torá em Simchat Torá, comparecer a um bar mitsvá tradicional, encontrar paz e júbilo interiores. Estes são os tesouros e dividendos que a pessoa descobre através de Chabad.

Estes rabinos não são como os rabinos de nossos avós. Com todo o devido respeito àquela geração, estes rabinos são diferentes. Eles recebem homens e mulheres com braços espirituais abertos, amorosos, sem exigências. Se você deseja tornar-se um erudito de Torá, então veio ao lugar certo. Eles cuidarão disso. Mas se você nunca aprendeu hebraico e apenas deseja saborear um kuguel igual ao da sua bisavó, então Chabad também tem um lugar para você.

Aqui todos os judeus são bem-vindos. Não há exigências, expectativas nem competição. Ninguém zomba de você ou daquilo que você não sabe. Se você não sabe rezar, eles pacientemente lhe mostram como manobrar através do Sidur. Se você não sabe colocar talit, eles de boa vontade demonstram como fazê-lo e o ajudam com as bênçãos apropriadas. Se você nunca fez kidush no Shabat e deseja aprender, eles o ensinarão, ajudando-o a recitar a bênção à mesa do Shabat deles. Se você quer colocar tefilin, eles lhe encontram um par, mostram como colocá-los sobre o braço e cabeça e o ajudam a recitar as bênçãos. Você diz o que deseja aprender e quando quer aprender. Se você está disposto a aprender, eles estão dispostos a ensinar. A norma é amor e afeição incondicionais.

Se eu pareço estar exagerando nos meus elogios, então sou culpado dessa acusação. Eu tive meu bar mitsvá aos treze anos e compareci uma vez aos serviços de Rosh Hashaná e Yom Kipur. Esta era a extensão da minha experiência judaica. Então, há três anos, eu percebi que dinheiro e uma carreira de sucesso não bastavam mais. Eu tinha uma dor persistente e incômoda em meu coração, que nenhum sucesso pessoal conseguia apaziguar. A ioga não diminuía a dor. A meditação não preenchia o vazio. As endorfinas da corrida não anestesiavam o coração. Eu era um homem de 41 anos infeliz. Alguma coisa estava faltando na minha vida. Eu estava me afogando num mar de desespero.

E então Rabino Vogel, do Chabad de Delaware, me atirou um salva-vidas espiritual, literalmente salvando minha vida. Ele atuou como meu guia através de uma jornada espiritual que me levou a lugares que jamais sonhei possíveis. E no decorrer da jornada, nunca pediu algo em troca. Sem egoísmo, ele deu de si mesmo e sua família.

Como você agradece a uma pessoa e uma organização que salva sua vida?

Você as descreve para o mundo. Você conta a todos que quiserem ouvir que existe um grupo de homens e mulheres dedicados que o ajudarão a descobrir seu legado, seu povo e seu D’us que o ama. Não importa quão difícil possa ser a vida, sempre haverá uma amanhã mais brilhante enquanto existir Chabad. Ajude a acender a chama judaica adormecida em você: dê o primeiro passo naquela que será uma das jornadas mais inspiradoras e gratificantes de sua vida!