Este é um trecho de “Além da Letra da Lei” – por Yanki Tauber, publicado pelo Meaningful Life Center
Saiba… perante quem você está destinado a dar julgamento e justificativa.
Ética Dos Pais, 3:1.



Disse Rabi Israel Báal Shem Tov: Quando alguém se apresenta perante a Corte Celestial para justificar sua jornada na terra, é primeiro solicitado a dar sua opinião sobre uma outra vida. “O que você pensa” – é perguntado – “sobre alguém que fez assim e assado?” Depois que ele apresenta seu veredicto, é demonstrado a ele como estes atos e circunstâncias são paralelos aos de sua própria vida. Em última análise, é a própria pessoa que faz o julgamento de suas falhas e realizações.1

Isso explica o singular fraseado da passagem acima da Ética dos Pais. “Perante quem você está destinado a dar julgamento e justificativa.” O veredicto não é concedido depois do interrogatório do réu? Portanto, o “julgamento” não deveria ser depois da “justificativa”? E por que você está destinado a “dar julgamento”, em vez de ser julgado? Porém, nenhum julgamento é transmitido do Alto sobre uma pessoa. Somente depois que ele próprio decretou sobre alguma ação é que a Corte Celestial o responsabiliza sobre algum episódio semelhante em sua própria vida.



A mesma idéia também está implícita em outra passagem do capítulo da Ética dos Pais: “A retribuição é extraída de uma pessoa, com seu conhecimento e sem seu conhecimento.”2 À medida que alguém expressa conscientemente sua opinião sobre determinado assunto, está inconscientemente fazendo seu próprio julgamento.



O que temos aqui é uma percepção muito profunda sobre a singularidade da alma humana. Em toda a criação, nada é mais elevado que a “centelha de Divindade”3 que é a alma do homem. Isso se reflete no fato de que o homem recebeu o poder de escolher – um poder que ele compartilha somente com o próprio Criador.



O livre arbítrio lhe permite tropeçar e errar, mas é algo que também torna seu potencial para o bem infinitamente maior que as criações mais espirituais de D’us. Portanto, quando uma alma é colocada em julgamento, implicando que talvez existam falhas e erros em seu desempenho passado, nenhum juiz, seja ele o mais elevado e espiritual dos seres celestiais, tem qualquer jurisdição sobre o seu destino. O único poder na terra ou no céu que pode julgar o homem é o próprio homem.

Notas:


1 – Segundo admoestação de Nathan ao Rei David, Shmuel II, 12.
2 – Ética dos Pais, 3:15
3 – Veja o 2º capítulo do Tanya