No calendário judaico, cada Shabat é conhecido pelo nome da porção da Torá lida naquela semana. Algumas semanas - muitas vezes relacionadas a uma haftará especial (seleção dos Profetas) ou à leitura da Torá adicionada ao serviço daquele dia, o Shabat recebe um nome exclusivo. Conheça os 13 Shabatot que recebem um nome especial no calendário judaico.

1. Shabat Teshuvá

A semana entre Rosh Hashaná e Yom Kipur é um momento de intensa introspecção e arrependimento – teshuvá em hebraico. Este é o tema da haftará, que começa com as palavras, Shuvá Yisrael (“Retorne, ó Israel”). 1

Esta semana é um momento muito auspicioso para retificar as falhas e oportunidades perdidas do passado e influenciar positivamente o próximo ano.

O mestre cabalista Rabino Isaac Luria (“Ari”) ensinou que os sete dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur (que sempre incluirá um domingo, uma segunda-feira, etc.) correspondem aos sete dias da semana. O domingo entre Rosh Hashaná e Yom Kipur inclui todos os domingos do ano; a segunda-feira incorpora todas as segundas-feiras e assim por diante. Shabat Teshuvá é, portanto, o Shabat arquetípico – a conjuntura no tempo em que temos o poder de influenciar cada Shabat do nosso ano.

Leia: Os Dez Dias de Arrependimento

2. Shabat Bereshit

O ciclo anual de leituras da Torá termina e começa novamente na alegre festa de Simchat Torá, quando lemos a porção final de VeZot HaBerachá e as linhas de abertura da primeira porção, Bereshit. No Shabat seguinte, a porção completa de Bereshit é lida na Torá. É conhecido o dito do terceiro Rebe Chabad-Lubavitch, conhecido como Tzemach Tzedek, que a maneira como alguém se comporta no Shabat Bereshit dá o tom para o ano inteiro. Como um vagão seguindo um longo trem, este Shabat nos ajuda a coletar a energia espiritual do mês passado, garantindo que permaneçamos no caminho certo para o longo caminho que temos pela frente.

Leia: O Que é Shabat Bereshit?

3. Shabat Chanucá

Os oito dias de Chanucá sempre coincidirão com pelo menos um e às vezes dois Shabatot. Quando isso acontece, há leituras especiais da haftará, e as velas de Chanucá são acesas mais cedo do que o normal na tarde de sexta-feira e mais tarde no sábado à noite, uma vez que o fogo não pode ser manuseado no próprio Shabat.

No caso do Shabat Chanucá coincidir com Rosh Chodesh Tevet, esta é uma das raras ocasiões em que três Torot são retiradas Aron Hacodesh para as leituras da Torá.

Arte de Sefira Lightstone
Arte de Sefira Lightstone

4. Shabat Shirá

A porção de Beshalach fala da viagem milagrosa de nossos ancestrais através do Mar Vermelho e como Moisés e Miriam os conduziram em cânticos de louvor. Nossos sábios nos contam que os pássaros no céu juntaram-se ao seu canto. Por esta razão, é costume oferecer comida para os pássaros neste Shabat, que é conhecido como Shabat Shirah, o “Sábado da Canção”. (Para evitar a possibilidade de transgredir as leis do Shabat, a comida deve ser servida na sexta-feira, antes do início do Shabat).

Leia: A Abertura do Mar

5. Shabat Shekalim

Na época Templo Sagrado de Jerusalém, cada judeu contribuía com um imposto anual de meio shekel que era contabilizado em 1º de Nissan. A coleta era anunciada um mês antes, em 1º de Adar, de modo que a leitura da Torá no Shabat que cai em, ou antes, de Adar I é complementado com os versículos que relatam o mandamento de D'us a Moshe com relação à primeira doação do meio-shekel. 2 Este Shabat é conhecido como Shabat Shekalim.

A Haftará de Shekalim continua com o mesmo tema, discutindo os esforços do Rei Jeoás (século 9 aC) para destinar fundos comunitários para a manutenção do primeiro Templo Sagrado.3

6. Shabat Zachor

No Shabat antes de Purim, festa em que celebramos o fracasso da conspiração de Haman, o amalequita, para destruir o povo judeu, a leitura semanal da Torá é complementada com a leitura de Zachor (“Lembre-se!”), na qual somos ordenados a lembrar o mal de Amalek e erradicá-lo da face da terra. 4

De acordo com muitas autoridades haláchicas, existe uma exigência bíblica (para todos os homens) de ouvir a leitura de Zachor. A haftará especial de Zachor discute a ordem divina ao Rei Shaul para destruir o povo de Amalek.5

Leia: Quem Foi Amalek?

7. Shabat Pará

A leitura da Torá Pará é adicionada à leitura semanal no penúltimo Shabat do mês de Adar (ou no último Shabat quando Rosh Chodesh Nissan cai no Shabat).

Pará detalha as leis da novilha vermelha e o processo pelo qual uma pessoa que tornava-se ritualmente impura pelo contato com um cadáver poderia ser purificada.6

Na época do Templo Sagrado, todo judeu tinha que estar em estado de pureza ritual a tempo para a oferta anual de Pêssach. Hoje, embora não possamos cumprir na prática os rituais relacionados ao Templo, nós os cumprimos espiritualmente através do estudo de suas leis. Como tal, estudamos e lemos a seção Pará em preparação para a próxima festa de Pessach.

Leia: A Vaca Vermelha

Arte de Sefira Lightstone
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8. Shabat HaChodesh

Uma leitura especial chamada “Hachodesh” é adicionada à leitura regular da Torá do Shabat na semana anterior, ou em 1º de Nissan.

HaChodesh relata a comunicação histórica de D'us a Moshe duas semanas antes do Êxodo a respeito do calendário judaico, do mês de Nissan e da oferenda de Pessach.7

9. Shabat HaGadol

O Shabat antes de Pessach é chamado de Shabat Hagadol (“O Grande Shabat”) em comemoração ao milagre que ocorreu no Egito neste dia, anunciando o Êxodo cinco dias depois. Temendo a praga iminente da morte dos primogênitos, os primogênitos egípcios se levantaram contra o Faraó e exigiram que Israel fosse libertado. Desta forma, D'us feriu o Egito de dentro.

Os costumes do Shabat Hagadol incluem a leitura de uma parte da Hagadá (de Avadim hayinu ... a ... lechaper al kol avonotainu), que conta a história do Êxodo; também é costume que o rabino da comunidade faça uma palestra na qual discorre sobre as leis da Páscoa e seu significado, em preparação para a festa.

Leia: Por Que o Shabat Anterior a Pessach se Chama Shabat HaGadol?

10. Shabat Chazon

O período mais sombrio do calendário judaico são os nove dias que antecedem (e incluem) Tishá BeAv, o dia 9 do mies judaico de Av, quando lamentamos a destruição de ambos os Templos Sagrados em Jerusalém. O Shabat anterior à Tishá BeAv é chamado de Shabat Chazon (“Shabat da Visão”) após as palavras iniciais da haftarah do dia, que é a terceira da série de leituras conhecidas como “As Três da Repreensão”.

Neste Shabat, dizem os mestres chassídicos, temos uma visão do Terceiro Templo; podemos não ver isso com nossos olhos físicos, mas nossa alma enxerga e se torna capacitada para se libertar do nosso atual estado de galut (exílio e deslocamento espiritual) ver a Redenção e a reconstrução do Templo.

Leia: Shabat Chazon, o Shabat da Visão

11. Shabat Nachamu

O Shabat após o Nove de Av é chamado de Shabat Nachamu (“Shabat da Consolação”) após as palavras iniciais da haftarah do dia, Nachamu, nachamu ami (“Conforto, conforto Minha nação”). 8 Esta é a primeira de uma série de leituras conhecidas como “As Sete da Consolação” lidas nas sete semanas entre o Nove de Av e Rosh Hashaná.

Mais nesse artigo: Shabat Nachamu

12. Shabat Chol Hamoed

Os dias intermediários de Pessach e de Sucot são quase feriados conhecidos como Chol Hamoed. O Shabat Chol Hamoed tem uma camada adicional de festividade; o ciclo semanal de leitura da Torá é suspenso e, em seu lugar, é lida uma seleção conectada à festividade.

Leia: Chol Hamoed

13. Shabat Mevarchim

O Shabat antes do início de um mês judaico (Rosh Chodesh) é conhecido como Shabat Mevarchim, “o Shabat quando abençoamos”. Neste dia, durante a prece de Mussaf na sinagoga, recitamos uma prece especial abençoando e anunciando o dia e horário (novilúnio) do novo mês.

Leia: Shabat Mevarchim

Arte de Sefira Lightstone
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