1 – Miriam

Miriam nasceu nas profundezas do exílio egípcio, quando o povo era escravizado, desmoralizado e sem esperança. Seu pai, Amram, “o notável da geração,” estava tão devastado pela situação que se divorciou da sua esposa, dizendo que “Israel está nascendo para nada!”

Muitos seguiram seu exemplo. A jovem Miriam viu isso e corajosamente o admoestou: “Pai, você é pior que o faraó! O faraó apenas decretou a morte sobre bebês meninos, mas você está decretando também contra as meninas!” Amram concordou e se casou novamente com a mãe dela.

Quando o faraó decretou que todos os meninos judeus fossem mortos, Miriam, que ajudava sua mãe como parteira, enfrentou o poderoso rei e se recusou a cumprir sua ordem.

Quando seu irmão Moshê – que estava destinado a se tornar o mais notável líder do povo judeu – nasceu, ele teve de ser escondido. Foi colocado num cesto no Nilo e Miriam fielmente observava à distância. Quando Batya, a filha do faraó, viu o menino e tentou – sem sucesso, alimentá-lo. Miriam – em sua engenhosidade e coragem – ofereceu uma brilhante solução. Ela sugeriu que ele fosse alimentado por uma ama de leite judia, e quando Batya concordou, ela a levou até sua mãe.

2 – Rachav

Quarenta anos após a saída do Egito, o povo judeu estava preparado para conquistar Israel. Na cidade de Jericó, a “chave da terra”, vivia uma mulher – Rachav – que era dona de uma estalagem.

Quando dois espiões judeus chegaram para examinar a cidade, vigiada pelos soldados do rei de Jericó, Rachav os escondeu no sótão2 e enganou os que procuravam, permitindo que eles escapassem ilesos. Em gratidão, os espiões prometeram a ela que quando chegasse a hora de eles conquistarem a cidade, eles a poupariam. Ela deveria amarrar uma fita vermelha na sua janela, eles instruíram, que seria o sinal de que a casa e seus habitantes não deveriam ser atacados.

O Midrash diz que Rachav se converteu ao Judaísmo e casou-se com Yehoshua, o líder do povo judeu.

3 – Ruth

Durante o período em que os juízes governavam Israel, Ruth, uma princesa moabita, casou com o filho de um rico mercador judeu que tinha imigrado para Moab. Quando seu marido morreu, sua sogra, Naomi, disse a Ruth para retornar à sua família.

Ruth se negou, dizendo: “Onde quer que você vá, eu irei; e onde quer que você habite, eu habitarei. Seu povo será meu povo, e seu D'us, meu D'us.” Sempre fiel, ela juntou-se à sogra na jornada para a Terra de Israel, onde não conhecia ninguém e não teria nada.

Em Israel, Ruth juntou o produto deixado para trás para os pobres nos campos do rico parente de seu finado marido, Boaz. Quando Boaz observou a modéstia de Ruth, ele pediu sua mão em casamento. Ruth foi bem recompensada pela sua coragem; através da sua união com Boaz, ela se tornou a bisavó paterna do Rei David.

4 – Yael

Como é narrado no Livro dos Juízes, a corajosa profetisa Devora guiou o exército judeu para a vitória sobre seus inimigos canaanitas. Sisera, o general derrotado, conseguiu escapar para a tenda de Heber, o Kenita.

Ali, Yael, esposa de Heber, o recebeu em sua casa, e quando ele pediu água, deu-lhe leite.

Quando o leite tinha levado o exausto general a um sono profundo, Yael rapidamente bateu com uma estaca da tenda em sua cabeça. Quando Barak, o general judeu, veio atrás de Sísera, Yael o chamou: “Venha e eu lhe mostrarei o homem a quem você procura”, revelando o cadáver.

5 – Rainha Esther

No período entre o primeiro e o segundo Templos, quando muitos judeus foram exilados para o império Persa, Esther, uma órfã, foi adotada pelo seu primo Mordechai, líder da comunidade judaica. Esther, de uma beleza exótica, foi escolhida para se tornar a rainha do Rei Ahasuerus, Ela foi levada ao papel de corajosa salvadora quando Haman tramava matar todos os judeus da Pérsia. Arriscando sua própria vida, Esther revelou as verdadeiras intenções de Haman ao Rei conseguindo acabar com seu plano e reverter a história.

A Festa de Purim é celebrada todos os anos, comemorando a milagrosa salvação de D'us, provocada pela bravura e fé de Esther.

6 –Yehudit

Essa história ocorreu durante a época da revolta dos Macabeus. O cruel general sírio-grego Helofornes foi esmagar a rebelião judaica em Bethulia cortando seu suprimento de comida e água, levando-os à submissão.

Yehudit, filha do Sumo Sacerdote, foi até o campo inimigo armada com pão, queijo e vinho. Ela prometeu a Helofornes que iria ajudá-lo a ganhar o controle da cidade, assim ganhando a sua confiança.

Após Helofornes apreciar o delicioso lanche, ele caiu num sono profundo e Yehudit aproveitou esse momento de oportunidade. Com uma prece nos lábios, ela pegou a espada dele e o matou. Ela então carregou a cabeça do general envolta em panos para mostrar ao comandante judeu.

Quando os horrorizados soldados gregos-sírios chegaram perto do corpo, eles fugiram, abrindo caminho para o triunfo judaico.

7 – Rainha Salomé Alexandra

A Rainha Salome, em hebraico Shlomtzion, viveu em 139-67 AEC. Seu marido, o rei Alexandre Yanai, causava danos entre os judeus que viviam em Israel. Quando ele morreu, o trono foi transferido para ela, tornando-se uma das únicas duas mulheres a governar na Judéia.

Salomé fez de Jerusalém seu trono e restaurou contato com rabinos – muitos rabinos haviam sido mortos pelo seu finado marido a sangue frio– e libertando aqueles que ele tinha colocado na prisão.

Durante seu reinado, Salomé fortaleceu as cidades na Judéia e expandiu o exército, evitando as invasões das quais todos na região tinham sido vítimas.

Ela governou durante nove anos abençoados e trouxe segurança e glória a Israel.

8 – Rachel (Esposa de Rabi Akiva)

O rico Kalba Savua (um patrono de Jerusalém nos anos finais do Segundo Templo Sagrado) planejava ter um genro que fosse instruído e bem versado em todas as áreas da Torá. Ele ficou chocado quando sua filha Rachel escolheu desposar Akiva, um simples pastor em quem ela via potencial, destituindo-a de sua riqueza e herança. Rachel viveu com Akiva num barraco dilapidado, mantendo-se firme na fé de que seu marido, que nunca tinha estudado Torá, iria devotar a vida ao seu estudo.

Ela permaneceu em casa quando ele viajou para uma yeshivá aos 40 anos de idade.

Ser zombada pelos seus vizinhos não diminuiu seu espírito de fé, e ela permaneceu confiante de que ele seria bem sucedido e voltaria.

Akiva retornou 24 anos depois com o título de “Rabi” adicionado ao seu nome, e declarou na frente de milhares de alunos:

  • “Toda a Torá que você e eu adquirimos é por mérito dela [de Rachel].”

9 – Minna de Speyer

Os cruzados levaram ondas de sofrimento sobre sucessivas gerações de judeu no Vale do Reno. A primeira cidade na qual os judeus foram mortos pelos cruzados em 1096 foi Speyer. Uma geração depois, durante a Segunda Cruzada, os judeus de Speyer receberam novamente a opção de adotarem a cruz ou morrerem assassinados de forma terrível.

Eles permaneceram firmes em sua fé judaica. Entre os mártires levados à morte havia uma mulher chamada Minna, cujas orelhas e língua foram cortadas fora porque ela se recusou a se submeter ao batismo.

10 – Bella (Baila) Katz de Levov

Uma asceta do Século 16 que jejuava e se engajou em arrependimento, era a filha do generoso líder de Levov, Israel Edels, e esposa do famoso halachista Yehushua Falk Katz. Sábia e estudada por si mesmo, alguns dos seus decretos têm sobrevivido até os dias de hoje. Após seu marido falecer em 1614, apesar da sua saúde frágil, ela fez a árdua jornada até a Terra Santa, onde viveu até o fim de seus dias.

11 – Dona Gracia Mendes Nasi

Nascida numa família de cripto-judeus (conhecidos pelo nome pejorativo “marranos”) em Lisboa, Portugal, em meados de 1500, Dona Gracia Mendes Nasi casou-se com Francesco Mendes, um rico banqueiro. Gracia é famosa como uma corajosa filantropa e ativista que alterou o decorrer da história.

Quando seu marido faleceu, ela foi para Antuérpia, Bélgica, onde começou a ajudar outros marranos a escaparem da Inquisição, usando a influência do banco da família para ajudar a transferir a fortuna deles para a Europa.

Dona Gracia foi forçada a deixar a Antuérpia acusada de ser uma judia praticante, portanto ela foi para a Itália onde foi acusada pelo mesmo “crime” e teve de fugir novamente. Ela também boicotou uma cidade na Itália por queimarem marranos na estaca, resgatou judeus presos por piratas no Mar Mediterrâneo, e construiu muitos hospitais e sinagogas. Com uma visão por uma forte comunidade judaica em Israel, Dona Gracia adquiriu a cidade de Tiberíades dos otomanos e foi responsável por reviver sua presença judaica, tornando-a um local seguro para os judeus viverem por muitos anos.

12 – Rebetsin Devora Lea

Em 1792, o pai de Devora Lea – Rabino Shneur Zalman de Liadi, fundador do movimento Chabad – se tornou ciente de que havia oposição espiritual nos âmbitos mais altos das suas atividades de divulgar e ensinar segredos elevados e esotéricos da Torá, a tal ponto que sua própria vida estava em perigo.

Num ato ousado, Devora Lea reuniu três chassidim para formar um beit din – um tribunal rabínico – e declarou que queria doar o resto de seus anos para que seu pai pudesse viver.

Naquele Rosh Hashaná, quando seu pai tentou abençoá-la com o costumeiro “Você será abençoada com um bom ano,” ela o interrompeu com uma bênção dela mesma e pediu a ele para não dizer mais nada.

No dia seguinte a Rosh Hashaná, após assegurar que seu filho mais novo Menachem Mendel (que iria mais tarde se tornar o terceiro Rebe de Chabad), seria cuidado e educado pelo seu sagrado pai. Devora Lea adoeceu e devolveu sua alma ao Criador.

13 – Temerl Bérgson

Temerl era uma firme e rica patrocinadora do movimento chassídico polonês que expandiu as fronteiras de onde os judeus podiam morar e ter empresas.

Quando as autoridades polonesas fizeram uma investigação no movimento Chassídico em 1824, ela foi instrumental em exonerar seus líderes e sua legalidade.

Não satisfeitos em apenas distribuir doações, Temerl e seu marido, Ber, procuraram empregar muitas pessoas eruditas e piedosas, provendo-as assim com um fluxo de renda honroso e confiável

Após o falecimento de seu marido, ela abriu um banco e se tornou uma das poucas judias polonesas com permissão para negociar com imóveis.

14 – Lady Judith Montefiore

No Século 18, junto com seu marido, Sir Moses Montefiore, Lady Judith viajava para longe para aliviar o sofrimento dos judeus no mundo inteiro. Nenhuma jornada era difícil demais, nenhum problema grande demais, e nenhuma causa pequena demais para o casal sem filhos que se preocupava com milhares de pessoas.

Os Montefiore se tornaram judeus comprometidos, que viajavam com um shochet, para que eles e suas comitivas tivessem um firme suprimento de carne casher. Culta e diligente, acredita-se que Lady Montefiore foi a autora do primeiro livro de receitas casher publicado em inglês.

15 – Soulika Hajouel

O mausoléu de Soulika ainda é visitado por moradores locais e visitantes de todas as partes do mundo.(Foto: Chava Isacovitch)
O mausoléu de Soulika ainda é visitado por moradores locais e visitantes de todas as partes do mundo.(Foto: Chava Isacovitch)

Soulika Hajouel, conhecida como Soulika Tsadicá (“a justa”), é a heroína de uma lenda narrada e recontada amorosamente por judeus de descendência norte africana. Ela foi uma moça piedosa e extremamente bela que viveu em Tanger, Marrocos, no início dos anos de 1800.

Os detalhes não são claros, mas eruditos concordam sobre a história básica.

O vizinho muçulmano de Soulika a desejava como esposa e não queria aceitar um não como resposta. Quando a falsa história de que Soulika tinha se convertido ao Islã e então voltado à sua ‘fé redescoberta’ foi divulgada, seu destino foi selado. Ela permaneceu firme sobre sua recusa em se converter ao Islã e declarou que preferia morrer judia do que viver. Ela foi levada até o rei de Fez que ordenou que fosse decapitada.

Profundamente comprometida com seu pudor, Soulika amarrou juntas as pontas de seu vestido para que ela pudesse permanecer coberta quando caísse morta na areia.

Depois que sua cabeça foi decapitada, o rei a exibiu no alto de um muro para que todos pudessem ver.

16 – Sarah Schenirer

Túmulo de Sarah Schenirer em Podgorze, cemitério judaico na Cracóvia, Polônia (Foto: Wikimedia)
Túmulo de Sarah Schenirer em Podgorze, cemitério judaico na Cracóvia, Polônia (Foto: Wikimedia)

A Polônia entre as guerra era um local muito difícil para uma mulher divorciada começar uma espécie de revolução religiosa, mas Sarah Schenirer dificilmente seria dissuadida.

Filha de uma família chassídica, ela viu a necessidade de fornecer educação judaica de qualidade para meninas, que não tinham que se comparasse aos estudos da yeshivá de seus irmãos.

Devido ao seu trabalho árduo, coragem e fé, ela fundou uma rede de escolas de Torá para meninas sob a bandeira de Beit Yaakov (“Casa de Jacob”).

Em 1935, quando o câncer tirou sua vida aos 51 anos, havia cerca de 40.000 alunas estudando em seu império de escolas em rápida expansão. Sua bravura, visão, e inspiração alteraram para sempre o curso da educação judaica.

17 – Mumme Sarah

Rabino Michoel e Sarah Katsenelenbogen com seus filhos. O pequeno Moshe está sentado entre seus pais.
Rabino Michoel e Sarah Katsenelenbogen com seus filhos. O pequeno Moshe está sentado entre seus pais.

Sarah Katsenelenbogen, conhecida por todos como Mumme (Tia) Sarah, era a cozinheira na yeshivá Chabad na cidade de Lubavitch. Ela e o seu marido estavam profundamente empenhados em espalhar o Judaísmo sob o severo regime de Stalin.

A família Katsenelenbogen manteve uma casa aberta, convidando muitos chassidim a fugir da policia secreta soviética. Eles também se recusaram a ceder às exigências das autoridades de parar de encorajar a educação judaica. Na verdade, eles até mantinham uma pequena yeshivá em sua casa na Rússia-Stari, para que seus filhos pudessem crescer em uma atmosfera mergulhada no estudo da Torá e na observância judaica.

Em 1937, seu marido foi levado pela polícia secreta e nunca mais foi visto.

Após a Segunda Guerra Mundial, Mumme Sarah trabalhou incansavelmente para ajudar judeus a transpor a Cortina de Ferro, temporariamente aberta, obtendo passaportes pertencentes a cidadãos poloneses falecidos ou desaparecidos, que ela entregava a judeus russos.

A KGB a manteve sob vigilância, mas ela perseverou.

Sarah guardou um dos passaportes para si mesma, mas o deu de todo o coração para Rebetsin Chana – mãe do Lubavitcher Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson, de abençoada memória – e permaneceu na Rússia, onde as autoridades a prenderam junto com seu filho Moshê. Ela morreu de ataque cardíaco enquanto estava na prisão.

18 – Dra. Gisella Perl

Capa do livro escrito por Gisella Perl entitulado, "I Was a Doctor in Auschwitz". (Foto: Wikimedia)
Capa do livro escrito por Gisella Perl entitulado, "I Was a Doctor in Auschwitz". (Foto: Wikimedia)

Chamada carinhosamente por seus pacientes de “Doutora Gisi”, Gisella foi deportada da Romênia com sua família durante a Segunda Guerra Mundial para o infame campo da morte em Auschwitz.

Como médica, ela foi designada para trabalhar no hospital do campo, onde foi ordenada a relatar qualquer gravidez ao Dr. Joseph Menguele, cuja crueldade e indescritíveis ‘experimentos’ macrabos são bem conhecidos.

Ela trabalhou incansavelmente para fornecer amor e cuidados dedicados às prisioneiras em Auschwitz, e salvou a vida de muitas mães realizando abortos clandestinos em barracões imundos.