Quando passamos um tempo fora de casa como no campo e outras regiões como mata, somos cercados por animais e insetos curiosos. Sejam lagartas ou borboletas, abelhas ou lagartixas, esquilos, sapos ou cervos, temos de mostrar respeito às outras criaturas que partilham o nosso mundo.

A Torá nos instrui a sermos bondosos com os animais – tratá-los com respeito e consideração porque são criações de D'us.

Aqui estão nove maneiras que o Judaísmo nos ensina para sermos compassivos com os animais.

1 – Não Cause Dor Desnecessária aos Animais


É proibido causar qualquer dor desnecessária aos animais. A Torá odena: “Você não deve ver o jumento de seu irmão ou seu boi caído [sob sua carga] na estrada, e ignorá-los.” Devarim (22:4). Somos requeridos a ajudar a descarregar um animal de carga superlotado o mais rapidamente possível – mesmo se o animal pertencer a uma pessoa perversa ou ao seu inimigo – para não causar qualquer sofrimento desnecessário ao animal.

Matar animais por esporte, importunar gatos, caçar cruelmente esquilos e incomodar qualquer animal também é errado. Há somente sete Leis Noachidas (leis universais de moralidade que todos devem cumprir, judeus e não-judeus), e uma delas é não comer o membro de um animal vivo.

2 – Seja Sensível com Mães de Pássaros


Você já ouviu falar de uma mitsvá chamada shiluach haken? Se alguém deseja pegar ovos de um ninho, deve primeiro mandar embora a ave mãe. Há algumas pessoas que explicam que o motivo para essa mitsvá é não causar mais sofrimento à ave mãe ao ver seus ovos sendo levados.

3 – Alimente Primeiro Seus Animais


Se você tem animais (como numa fazenda) ou bichos de estimação (como peixes, um cão ou um gato), eles devem receber uma refeição antes de você comer. Sim, antes mesmo de você sentar para o seu café da manhã!

4 – Ordenhe Animais Mesmo no Shabat


Normalmente, ordenhar uma vaca é proibido no Shabat. Porém, para não causar dor ao animal, a pessoa deveria ser permitida a ordenhar uma vaca no Shabat. (A melhor maneira de fazer isso seria sem nosso envolvimento pessoal, como através de uma máquina de ordenha que é ligada a um timer ou por um ajudante não-judeu. Porém, se nenhuma opção for disponível, a vaca deve ser ordenhada manualmente, como de costume.) Você está fazendo isso pela vaca – para aliviá-la, não para você consumir o leite – e é por isso que não iremos usar este leite para nosso próprio consumo.

5 – Não Castre Animais


É proibido castrar animais. Você não tem permissão de interferir com sua propagação natural ou negar-lhes descendência.

6 – Abate Compassivo


Embora sejamos permitidos a comer animais – e é uma mitsvá fazer isso em determinadas ocasiões, como Shabat e festas judaicas– as espécies que podemos comer devem ser abatidas seguindo as leis do ritual casher de abate. Há muitas leis sobre como isso deve ser feito, incluindo usar uma faca muito afiada e lisa, sem quaisquer serras para não machucar desnecessariamente o animal. As leis de abatimento ritual casher seguem rígidas normas e são as mais compassivas maneiras de matar um animal.

7 – Alimentar Pássaros


No Shabat Shirá, lemos a porção Beshalach da Torá que fala do maná que D'us enviou diariamente para o sustento da nação judaica no deserto. É costume deixar migalhas de pão para alimentar aves antes do Shabat, em gratidão por eles terem derrotado os planos de Datan e Aviram que tentaram desacreditar Moshê. Moshê instruiu a nação que o maná iria cair diariamente, e somente as necessidades de cada dia deveriam ser coletadas. A exceção seria o Shabat, e uma porção dupla deveria ser apanhada na sexta-feira. Datan e Aviram colocaram maná para fazer parecer que o maná tinha caído no Shabat e fazer a nação pecar. Os pássaros comeram este maná antes que a nação despertasse, e em gratidão, os alimentamos neste Shabat.

8 – Lembre-se da Bondade dos Animais


A Torá nos ordena lembrar que o débito que temos com certos animais como os corvos que levaram comida ao profeta Eliyahu, os cães que não latiram durante a praga do primogênito no Egito, os leões que não devoraram Daniel quando ele foi atirado na toca deles, e os pássaros acima mencionados. Embora obviamente estes animais estivessem agindo de acordo com a vontade Divina, ainda nos lembramos e apreciamos suas ações.

9 – Aprenda Com os Animais


Somos ensinados a aprender com as boas qualidades dos animais. O Rei Shlomo, que foi o mais sábio dos homens, era famoso por conhecer a linguagem dos animais, comunicar-se com eles e destacar a sabedoria do comportamento animal.

“Vá para a formiga, seu preguiçoso; veja suas maneiras e fique mais sábio” (Mishlê/Provérbios 6:6). O Rei Shlomo tinha até um zoológico para o qual ele importava animais exóticos: “Pois o rei tinha navios que iam a Tarshish,” que retornavam “carregando ouro, prata, mármore e macacos e pavões” (Crônicas II 9:21).

O Talmud também ensina que podemos aprender muito com os animais. “Rabi Yochanan disse: ‘Se não tivéssemos recebido a Torá, teríamos de ser capazes de aprender sobre as virtudes da modéstia com o gato, respeito pela propriedade de outras pessoas com a formiga e lealdade com a pomba’” (Eruvin 100b). Animais não são apenas criaturas de D'us, mas professores de D'us.