“A menor entre as nações”, o povo judeu, jamais atingiu grandeza em termos de números ou poder. Mais e mais vezes, parecia como se a nação de monoteístas fosse ser engolida pela religião da moda, mas fomos abençoados com uma sucessão de corajosos e esclarecidos lideres judeus que viam que a chama do Judaísmo permaneceu forte. Aqui está nossa lista (por vezes arbitrária) de líderes judeus que venceram as dificuldades e foram vitais na preservação do Judaísmo, dos tempos antigos até o presente.

1 – Avraham

Nascido num mundo onde estátuas e reis eram vistos como divindades, Avraham estava sozinho em sua crença no único invisível Criador do Céu e da terra. Segundo o Midrash, apesar do imenso constrangimento pela sua própria família (seu pai vendia ídolos), Avraham continuou sua campanha para divulgar o monoteísmo. Até o Rei Nimrod, que desafiou as crenças de Avraham atirando-o numa fogueira, não conseguiu silenciar o jovem confiante.

Em última análise, sua visão e esforços obtiveram sucesso: três milênios e meio depois, a maioria dos seres humanos do mundo adoram a D'us, e se consideram herdeiros da tradição de Avraham.

2 – Yaacov

A vida para Yaacov nunca foi muito fácil. Mais jovem e mais fraco que seu irmão gêmeo, ele preferia permanecer na tenda estudando, enquanto Esav (favorito de Yitschac) caçava e construía uma má reputação pelo seu comportamento. As coisas somente se tornaram mais complicadas quando Yaacov “roubou” as bênçãos que Yitschac desejava dar a Esav.

Temendo a retaliação de seu irmão, ele fugiu para a casa de seu tio Lavan sozinho e sem dinheiro. Trabalhou durante sete anos pelo direito de desposar sua prima Rachel, somente para ser enganado e acabar se casando com sua irmã, Leah. Yaacov continuou a trabalhar muito para seu tio, até mesmo quando Lavan constantemente mudava os termos de seu acordo num esforço para atrasar seu pagamento. Finalmente, Yaacov viajou de volta à Terra Santa com 11 filhos (0 12º logo iria nascer), muitos mantimentos e, mais importante, um firme alicerce sobre o qual o Povo de Israel iria emergir.

3 – Yossef

Illustration by Sefira Ross.
Illustration by Sefira Ross.

Filho da esposa favorita de Yaacov, Rachel, Yossef era odiado pelos seus irmãos, que se ressentiam pelo tratamento preferencial que ele recebia de seu pai. Eles o venderam como escravo no Egito, onde logo ele se viu encarcerado sob falsas acusações de tentativa de estupro.

Yossef conseguiu manter sua atitude positiva e forte fé (“o nome de D'us estava constantemente nos seus lábios”, dizem os sábios) através dos tempos difíceis, até que foi abruptamente tirado da prisão e promovido ao segundo cargo mais importante, após o do faraó.

Novamente enfrentou tremendas dificuldades enquanto preparava o Egito para uma fome de magnitude sem precedentes, mas seu trabalho foi coroado com sucesso enquanto pessoas de toda a área (incluindo sua própria família) chegavam para comprar alimento de suas mãos. Ele foi habilmente colocado para transferir sua família da fome que se abatia sobre Canaan para o Egito, onde ele cuidaria deles pelos próximos sete anos.

4 – Miriam

Art by Natalia Kadish
Art by Natalia Kadish

As coisas deram uma guinada para o pior quando o faraó maldosamente escravizou os israelitas após a morte de Yossef. Miriam nasceu no auge do sofrimento, e seus pais – levitas e lideres da nação – escolheram seu nome da palavra mar, que em hebraico significa “amargo”.

Seus pais se separaram quando ela era criança, não desejando trazer mais filhos para uma vida de escravidão. Miriam insistiu para que eles se casassem novamente, profetizando que sua mãe teria um filho que iria redimir o povo.

Os pais aceitaram seu conselho, mas quando o faraó subsequentemente decretou que os meninos (incluindo o irmão recém-nascido de Miriam) fossem atirados ao rio, até seu pai duvidou dela. Miriam vigiou seu irmão enquanto ele flutuava num cesto sobre o Rio Nilo, conseguindo até arranjar que sua mãe amamentasse o menino.

Miriam viveu para ver sua profecia ser cumprida: o bebê cresceu para se tornar o legendário Moshê, o líder que tirou o povo judeu do Egito.

5 – Jeftá

Jeftá (ou Yiftach) de Gilead era um banido social, filho de uma prostituta. Seus meio-irmãos o rejeitaram, dizendo: “Você não vai herdar na casa de nosso pai porque é o filho de outra mulher”; e ele acabou se tornando o chefe de uma gangue de ladrões.

Quando os amonitas aterrorizaram o povo de Gilead, ameaçando a segurança do povo de Israel, os mais idosos se aproximaram de Jephthá e pediram a ele que se tornasse seu líder. Abalado por anos de abuso, Jeftá inicialmente ficou hesitante, mas por fim concordou em liderar o ataque contra os invasores amonitas. Na verdade, “O Eterno os entregou em sua mão… e os filhos de Ammon foram dominados.” Mas a história de trapos a riquezas de Jeftá de estrelato instantâneo terminou tragicamente.

Sem instrução na tradição, Jeftá tolamente prometeu que tudo o que “sair da porta da minha casa para mim, quando eu voltar em paz dos filhos de Amom, será oferenda ao Senhor, que eu oferecerei para queimar”. A primeira coisa foi sua própria filha, e ele "fez a ela como o voto o qual ele tinha jurado."

6 – Rei David

David, o mais novo de sete irmãos, foi colocado para cuidar do rebanho enquanto seus irmãos mais velhos saíram para a batalha. Sua grande realização veio quando seu pai o enviou para levar provisões para seus irmãos que estavam lutando contra os filisteus. Ao saber do gigante que assustava a todos, David rezou a D'us e bravamente atacou Golias com pedras do seu estilingue.

O Rei Shaul escolheu David para ser seu genro, mas David continuou a enfrentar a ameaça constante de seu sogro paranoico e poderoso, que repetidamente tentava matá-lo. Apesar disso, David manteve sua integridade e recusou-se a ferir Shaul, chegando a lamnetar quando este caiu derrotado em batalha. Conforme previsto pelo profeta Shmuel, David por fim tornou-se o rei de Israel.

7 – Hezekiá

O Rei Hezekiá governou sobre a Judéia numa era de despertar espiritual. Sob seu reinado, toda criança judia recebia uma sólida educação de Torá. Porém Hezekiá e seu povo sofreram muito nas mãos do Rei Senacherib da Assíria, que decretou pesados impostos.

Querendo espalhar seu reino, Senacherib e seu poderoso exército cercaram os portões de Jerusalém, certos de que iriam matar Hezekiá e os defensores da cidade. Nas crônicas do próprio Senacherib, que foram preservadas nos Prismas de Senacherib, ele se gaba de que Hezekiá foi apanhado como um pássaro numa arapuca.

O justo Hezekiá voltou-se a D'us em prece, e um milagre aconteceu. O exército assírio morreu durante a noite, e o rei foi forçado a fugir para preservar sua vida.

8 – Daniel

Daniel era o conselheiro judeu para Darius o Mida (bem como outros monarcas). Invejosos do sucesso de Daniel, oficiais da corte convenceram o rei a tornar ilegal rezar para qualquer deus ou ser humano exceto o próprio rei.

Sabendo que o castigo para a desobediência era ser jogado numa jaula com leões famintos, a maioria das pessoas ficou temerosa de se arriscar desafiando o poderoso rei.

Mas Daniel continuou a subir para a parte mais alta de sua casa, onde suas janelas ficavam de frente para Jerusalém, para rezar três vezes ao dia como ele sempre tinha feito. Quando o rei descobriu, Daniel foi jogado à jaula dos leões. Ao amanhecer, Darius saiu e chamou: “Daniel, o D'us a Quem você continuamente adorou foi capaz de salvar você?”

“Meu D'us,” disse Daniel milagrosamente ileso, “enviou Seu anjo que fechou as bocas dos leões para que não me atacassem.”

9 – Esther

Uma órfã judia criada na casa de seu primo Mordechai, Esther foi levada à força para o harém do rei persa Ahashverosh. Determinada a não se tornar rainha, Esther recusou-se a usar os cosméticos oferecidos a ela, mas isso de nada valeu. Ela encontrou favor aos olhos do rei e foi coroada rainha.

Quando o perverso Haman criou que todos os judeus do reino fossem assassinados, a situação parecia insolúvel. Esther tinha escondido do rei a sua identidade judaica, e os direitos das mulheres eram inexistentes. Mas após jejuar e rezar a D'us, Esther teve coragem para confrontar Haman na presença de seu poderoso marido. Ela poderia ter sido morta pela temeridade de falar, porém ela enfrentou a ocasião, salvando o povo judeu da morte certa.

10 – Ezra e Nehemiá

Setenta anos após a destruição do Templo Sagrado e do exílio judaico da Terra Santa, o prospecto de reconstruir a vida judaica na Judéia parecia um sonho falso.

Porém Ezra e Nehemiá levaram os retornantes a Zion com determinação e inspiração. Sabotagem, maledicência, conflitos, ignorância, assimilação e pobreza esmagadora foram alguns dos muitos desafios que a dupla teve de enfrentar, mas seus esforços obtiveram êxito. O Segundo Templo foi construído, o Judaísmo revigorado, e a vida judaica na Terra Santa voltou a existir.

11 – Macabeus

Os gregos eram os mais poderosos guerreiros, e sua cultura estava rapidamente se tornando dominante no mundo antigo. Enquanto eles construíam ginásios, templos e teatros, todos aceitavam como um fato que o Judaísmo iria desaparecer.

Todos exceto um pequeno bando de guerrilheiros, liderados por um sacerdote chamado Yehuda, o Macabeu. Com “Quem é como Tu entre os fortes, ó D'us?” em seus lábios, eles resistiram bravamente. Embora não pudessem equiparar os elefantes e armaduras que os gregos levaram à guerra, os macabeus utilizavam conhecimento local, agilidade e ajuda Divina.

À medida que uma vitória seguia a outra, os macabeus acabaram com o muito maior exército grego e restauraram o serviço no Templo. Sua vitoria é celebrada todo ano durante a Festa de Chanucá.

12 – Rachel, esposa de Rabi Akiva

Rachel foi a filha de um dos homens mais ricos de Jerusalém, Kalba Savua. Todos estavam certos de que Rachel iria se casar com alguém da camada mais alta da sociedade judaica. Para desgosto de seus pai, ela escolheu um pastor analfabeto chamado Akiva. Seus pais ficaram tão abalados que a baniram de casa sem levar nada.

Rachel sabia que seu marido tinha o potencial de se tornar um grande erudito de Torá se tivesse uma chance. Ela sofreu uma pobreza esmagadora e anos de solidão enquanto seu marido estava longe estudando em uma yeshivá. Até seus vizinhos zombavam dela pela sua imprudência. Porém ela emergiu vitoriosa quando Akiva retornou a Jerusalém com 24.000 alunos, reconhecido como o mais notável sábio da Torá de sua época. Rabi Akiva diria com gratidão aos seus estudantes que todas as suas realizações, e as deles também, eram devidas à sua esposa, Rachel.

13 – Rabi Chiya

Rabi Chiya viveu nos tempos tumultuados após a destruição do Segundo Templo nas mãos dos romanos, quando os judeus estavam em verdadeiro risco de esquecerem suas tradições. Havia cidades inteiras sem nenhuma educação judaica organizada. Reconhecendo que a mudança deveria começar pela raiz, ele criou um plano eficaz para assegurar que a Torá não fosse esquecida,

Primeiro ele plantou linho, do qual teceu redes. Usava as redes para apanhar cervos, que abatia e alimentava os órfãos. Usava as peles dos cervos para escrever rolos de Torá que levava a cidades onde não havia professores de Torá. Ele distribuiu os rolos a cinco crianças, ensinando-as até que cada criança tivesse dominado um dos Cinco Livros de Moshê. Ele também dividiu as seis ordens da Mishná entre seis crianças. Então instruiu cada criança a ensinar aos colegas aquilo que tinham aprendido, assim estabelecendo estudo de Torá numa cidade onde não havia nenhum. Sua obra de divulgar a Torá foi tão eficaz que Rabi Yehuda, o príncipe, declarou as realizações de Rabi Chiya maiores que as suas.

14 – Maimônides

Image of Maimonides (Wikimedia)
Image of Maimonides (Wikimedia)

Filósofo e autoridade haláchica do mais alto nível, ele é agora reverenciado como um dos maiores mestres judeus de todos os tempos. Mas durante sua vida, Maimônides estava sujeito a zombaria, ao ridículo e desprezo.

As pessoas ficavam precavidas do grande sábio que escrevia com tanta autoridade que não citava fontes talmúdicas para seus ensinamentos, e elas temiam que suas opiniões filosóficas fossem hereges. De Bagdá à França, os judeus debatiam se aceitavam ou não Maimônides como uma fonte legítima de ensinamentos judaicos.

Nos séculos após sua morte, a controvérsia continuou a surgir, e seu mausoléu foi profanado por vândalos enfurecidos.

No entanto, como a história conta, os escritos de Maimônides podem ser encontrados em toda yeshivá, estudados em toda sinagoga, e reverenciados por judeus em toda parte.

15 – Baal Shem Tov

© Zalman Kleinman
© Zalman Kleinman

Nascido de pais empobrecidos e órfão aos cinco anos de idade, o jovem Yisrael cresceu num mundo judaico onde rígidas barreiras sociais separavam os eruditos e os ricos das massas sujas e iletradas.

Seguindo os caminhos dos místicos, ele visualizou um mundo onde toda pessoa era valorizada e amada, onde todos tinham acesso ao estudo de Torá, e toda pessoa sentia o valor intrínseco de sua contribuição.

Zombado por maldizentes que pensavam que ele era enganador, Yisrael Baal Shem Tov fundou o Movimento Chassídico, que infundiu uma nova vida ao mundo judaico, trazendo paixão, significado e vitalidade à observância e crença judaica.

16 – O Sexto Rebe de Chabad

Na União soviética de Stalin, ensinar Torá a crianças era punido com anos de trabalho forçado ou até mesmo com a morte. Com seus seguidores desaparecendo do dia para a noite, o Prévio Rebe Lubavitch – Rabi Yosef Yitschac Schneersohn, de abençoada memória – sabia que era apenas uma questão de tempo até que ele também fosse levado. Porém como um campeão da vida judaica por trás da cortina de ferro, ele continuava a promover a vida judaica, fundando micvaot e yeshivot secretas, com coragem e determinação.

Após uma prisão em 1927 e a sentença de morte comutada, o Rebe recomeçou do nada na Polônia, onde construiu instituições Chabad e liderou o judaísmo soviético através de cartas codificadas.

O Holocausto forçou-o a fugir para os Estados Unidos. Em seu primeiro dia, apoiadores bem intencionados disseram ao Rebe para não tentar construir yeshivot nos Estados Unidos, alegando que era uma causa perdida e somente iria lhe causar desgosto.

Mas o Rebe não se deteve. Na sua cadeira de rodas, no dia seguinte ele abriu uma yeshivá em Nova York e lançou os fundamentos para uma rede de escolas diárias judaicas em todo o Nordeste. Seus esforços foram coroados com sucesso.

Sob a ajuda de seu sucessor, o sétimo Rebe – Rabi Menachem M. Schneerson, de abençoada memória - cresceu uma vasta presença Chabad em todos os 50 estados e em mais de 100 paises ao redor do mundo.