Joshua Levitt - Boeing 777 - Chabad de Beijing

Um viajante judeu chamado Andrew foi salvo da tragédia por uma decisão de último instante: seguir a sugestão de seu agente de viagens de não voar no Shabat. Foi assim que ele na última hora deixou de embarcar no voo 370 da Malaysian Air Lines, o Boeing 777 que desapareceu dos mapas de voo.

“Mais do que os judeus têm guardado o Shabat, o Shabat tem guardado os judeus,” escreveu o blogueiro Dans Deals, que ouviu a história contada pelo agente de viagens e na segunda-feira postou uma cópia do e-mail do viajante.

Numa viagem lotada, partindo de Boston, Andrew estava planejando ir para Sydney, Hong Kong, Kuala Lumpur, Beijing, Vietnam e Melbourne. A viagem foi planejada para uma conferência em Fangshan, China, no sábado. Dans Deals, narrando a troca, escreveu: “O agente de viagem, um judeu ortodoxo, propôs itinerário da classe executiva, alterando ligeiramente o voo Kuala Lumpur-Beijing do sábado para a sexta-feira.”

Andrew insistiu em ficar um dia a mais em Kuala Lumpur, mas isso teria significado um voo no sábado. “O agente de viagens respondeu que não conseguiria marcar a viagem para ele durante o Shabat, mas que ele estava livre para agendar aquele voo por si mesmo,” escreveu Dans Deals.

Andrew concordou com aquilo e planejou marcar o voo por si mesmo. Mas então, ele reconsiderou. Num e-mail, Andrew escreveu ao agente de viagens: “Saudações do Aeroporto de Los Angeles. Embarcarei no meu voo Delta daqui a 55 minutos. Reconsiderei, você está certo. Eu deveria ser mais observante, vou conseguir o que preciso sem aquele dia em Kuala. Como terei uma noite extra em PEK, você tem alguma recomendação para um bom jantar de sexta-feira à noite em Beijing?”

O agente de viagens recomendou o Chabad de Beijing para uma ótima refeição casher e reservou para ele o itinerário original, voando de Kuala Lumpur para Beijing na sexta em vez de no sábado. Dois dias depois, Andrew escreveu ao agente: “Meu D'us, você com certeza soube do que aconteceu com o voo MH370. Não consigo parar de pensar nisso. É um verdadeiro milagre a ser publicado. Você é um salvador de vidas… Não consigo pensar em nada mais! Conversaremos mais tarde nesta semana. Não sei como lhe agradecer. Agora, por favor, mude minha volta. Nunca mais na vida entro num voo da Malaysian.”

O agente de viagens respondeu: “Estou feliz por você! Mas não sou um salvador de vida. D'us e o Shabat salvaram a sua vida. Você deve algo a eles.”

Dans Deals escreveu que a história de Andrew lembrou-o daquela de Rose Goldstein, uma menina judia que emigrou sozinha da Polônia, e teve um emprego numa fábrica de camisas no Lower East Side em Nova York, cem anos atrás. Ela deu aos chefes uma desculpa para não trabalhar vários sábados seguidos, mas então sentiu a pressão para ir trabalhar no sábado, ou perderia o emprego. Ela tomou a decisão de não trabalhar, passando o sábado sozinha no Parque Tomkins Square, feliz, porém ao mesmo tempo temendo que sua ausência significasse a perda de emprego.

Somente quando voltou para casa naquela noite, Rose descobriu que Fábrica Triangle Shirtwaist tinha se incendiado, e 146 de suas 190 colegas de trabalho, imigrantes como ela, tinham morrido porque as saídas de incêndio estavam trancadas para mantê-las trabalhando.

Rose sempre lembrava as palavras que ouviu quando embarcou no navio para a América: conforme as palavras de seu pai “ mais do que os judeus guardam o Shabat, o Shabat guarda os judeus.”