"E ele era jovem." -Versículo 37:2

Yossef se envolvia em brincadeiras infantis, anelando seu cabelo e pintando os olhos. (Comentário de Rashi)

Perguntaram certa vez a Rabi Menachem Mendel de Horodov: "Está sempre exaltando o dom da humildade. Então, por que usa roupas tão elegantes?"

Replicou Rabi Mendel: "O local mais seguro para ocultar um baú de tesouros é um buraco cheio de lama e lodo..."


Quando o terceiro Rebe e líder do chassidismo Chabad, Rabi Menachem Mendel de Lubavitch, faleceu em 5626, deixou sete filhos devotos e eruditos. Cada um deles tinha um grupo de seguidores que desejavam ver seu mentor assumir o lugar do pai.

Rabi Grunem Estherman, um dos mais notáveis nos anais de Lubavitch, era jovem naquela época, e não havia ainda decidido a qual dos filhos do Rebe se voltar em busca de liderança e aconselhamento. Quando expôs seu dilema ao afamado chassid Rabi Shmuel Ber de Barisov, este lhe disse: "Ouça, Grunem, são todos filhos do Rebe. São também amados, poderosos, e são todos santos. Mas deixe-me contar-lhe um incidente, e então faça como lhe aprouver.

"Durante uma de minhas visitas a Lubavitch, houve algo no discurso de nosso finado Rebe que achei difícil entender - parecia contradizer uma certa passagem em Êtz Chayim. Nenhum dos meus chassidim mais velhos foi capaz de dar uma resposta que me fosse satisfatória, então, naquela noite, fiz uma ronda entre os filhos do Rebe. Visitei Rabi Yehuda Leib, Rabi Chaim Schneur Zalman e os outros. Cada qual ofereceu-me uma explicação, mas novamente, nenhuma de suas idéias satisfez minha mente.

"Já era então tarde da noite. Encaminhava-me a meu alojamento quando percebi uma luz brilhando na janela de Rabi Shmuel. Não havia pensado em consultá-lo - ele é o mais jovem dos filhos e, como sabe, seu comportamento é próprio de um indivíduo comum e sem nada de especial. Entretanto, fiquei curioso para saber o que estaria fazendo àquela hora tão tardia. Então, perscrutei, colocando a cabeça para dentro da janela. O que vi foi Rabi Shmuel imerso na mesma seção de Êtz Chayim onde eu encontrava dificuldade! Percebi então que seria melhor entrar e discutir com ele.

"Contornei a casa até a porta e bati. 'Só um minuto,' respondeu ele. Após certo tempo a porta se abriu. Contemplei a cena: jornais estavam espalhados sobre a mesa, jornais alemães, jornais russos. Quanto ao Êtz Chayim, nem sinal.

"'Reb Shmuel Ber! Um tanto tarde, não é?' disse ele. 'Como posso ajudá-lo?' Contei-lhe minha dificuldade com o discurso que o Rebe havia feito aquele dia, e a passagem em Êtz Chayim. 'Ah, Reb Shmuel Ber,' disse ele, 'dizem que é um judeu bem esperto. Ora, eu lhe pergunto, vem a mim com uma dúvida em Êtz Chayim...?'

"'Escute, meu amigo,' disse eu. Seu jogo acabou. Há cinco minutos, vi você com o Êtz Chayim. Agora, ou você me diz como o entende, ou caso contrário amanhã toda Lubavitch saberá dos truques interessantes que prega com seus jornais alemães.'

"Sentamo-nos e discutimos o problema até o dia clarear," Rabi Shmuel Ber concluiu sua história, " e saí de lá completamente impressionado com a extensão e a profundidade de seu conhecimento. Isto é o que posso dizer-lhe, Grunem, agora faça como achar melhor..."