Pergunta:
Por que a mulher casada deve receber o guet, documento judaico que atesta sua separação, antes de poder casar-se novamente? O que ocorre se não for feito? Por que um cohen não pode se casar com uma mulher divorciada?

Resposta:
No casamento judaico, ao dar a aliança a sua noiva, o noivo a consagra para si, unindo-se os dois numa única alma. A partir de então, a noiva passa a pertencer ao noivo, sendo completamente proibida para outro homem. A cerimônia religiosa do casamento é chamada kidushin (consagração), não se resumindo apenas em união de corpos, mas a união de duas almas pelo matrimônio através da santificação de D’us, não estando isto ao alcance do ser humano. Para dissolver esta união Divina, somente D’us tem o poder, e Ele nos instruiu na Torá, Seu Código de Leis, exatamente como fazê-lo. Isto ocorre através de um guet (documento emitido para a efetivação de um divórcio judaico).

Segundo a Torá, o guet tem muitos detalhes e somente um rabino que conhece a fundo estas leis, com muita experiência, temente a D’us e, logicamente, cumpridor das leis da Torá, tem condições de realizá-lo junto de um escriba credenciado que escreve letra por letra, à mão, com uma pena e tinta especiais sobre pergaminho, perante duas testemunhas aptas. Um guet escrito sem todos estes requisitos não tem valor perante a Lei Judaica; a mulher que o recebeu é considerada ainda casada.

Enquanto a mulher não receber o guet, mesmo estando, de fato, separada do marido por muito tempo, ainda é considerada casada. Ao se casar ou manter relações com outro homem, este casamento não tem valor e estará cometendo o grave pecado de adultério. Tanto lhe é proibido voltar ao primeiro marido, como casar com o adúltero, mesmo após realizar o guet correto. Caso tenha filhos com um outro homem antes de receber o guet, estes são considerados mamzerim, bastardos, sendo proibidos, no futuro, de casar com um parceiro judeu de nascença. O homem que não fez o guet também não pode casar-se novamente; esta é uma proibição de ordem rabínica.

Após a realização correta do guet, a mulher está livre para se casar com qualquer judeu que desejar, com exceção de um cohen. O cohen foi separado de todas as tribos de Israel para fazer o serviço Divino no Templo Sagrado. Este serviço simboliza a união de D’us com o povo de Israel como se fosse um casamento indissolúvel. Por isso, a Torá o proibiu de se casar com uma divorciada, pois uma mulher que já dissolveu um de seus casamentos não pode fazer parte da vida de um cohen. Se este se casou com uma divorciada, além de transgredir uma lei da Torá, não pode exercer sua função de cohen enquanto não se divorciar. Os filhos de tal casamento não são considerados cohanim; e nenhuma de suas descendentes poderá se casar com um cohen.

Apesar da Lei Judaica aceitar o divórcio, os rabinos ponderam muito antes de realizá-lo pois, na maioria dos casos, pode ser evitado, com a paz voltando ao lar, bastando um mínimo de esforço, humildade e compreensão de ambos os lados. Nossos sábios dizem que quando um casal dissolve seu primeiro casamento até mesmo o Altar do Templo Sagrado derrama lágrimas, pois o Altar simboliza a união eterna e indissolúvel entre D’us e o povo de Israel. Se D’us nos suporta, apesar de todas as nossas falhas, com muito mais facilidade e um pouco de ponderação, cada um pode perdoar e aceitar as falhas do próximo e, principalmente, abaixar um pouco o orgulho e reconhecer os próprios erros.