"E D'us desceu para ver a cidade e a torre que os filhos do homem haviam construído." - Versículo 11:5

Obviamente, D'us não teve necessidade de "descer" a fim de ver o crime deles; mas Ele desejou ensinar todos os futuros juizes que não se deve julgar o réu até que se possa ver e avaliar… - Comentário do Rashi

Não julgue seu próximo, a menos que esteja em seu lugar. - Pirkê Avot, 2:2.

Em 5617 (1857) um incêndio destruiu grande parte da cidade de Lubavitch. O então Rebe, Rabi Menachem Mendel, iniciou uma campanha de reconstrução, e um pátio novo e ampliado foi construído para servir como edifício central do chassidismo Chabad Lubavitch.

Ao iniciar-se a escavação para o novo complexo, um farbrenguen festivo foi organizado. Longas mesas foram arranjadas no pátio, para acomodar a multidão de chassidim. Quando Rabi Menachem Mendel se juntou a eles, perguntou: "Desejam ouvir um discurso de ensinamento chassídico ou uma história?"

Os chassidim replicaram que preferiam uma história.

"Reb Yaacov," começou Rabi Menachem Mendel, "era um taverneiro empobrecido numa estrada no interior, e um chassid do 'Santo Ruzhiner', Rabi Israel de Ruzhin. Ele alugara a taverna de outro judeu, também chamado Reb Yaacov, que tinha um acordo com o nobre: ele alugaria toda a propriedade do nobre e, por sua vez, sublocaria os campos, as florestas, o moinho, a taverna e outros ativos a outros judeus.

"Os negócios na taverna iam mal e Reb Yaacov, o taverneiro, não conseguiu pagar o aluguel que era devido a Reb Yaacov, o mediador do acordo. Passaram-se os meses, as dívidas acumulavam-se, e o taverneiro via-se incapaz de pagar até mesmo o sinal. Finalmente, o intermediário perdeu a paciência e ameaçou despejar o inquilino mau pagador.

"O desgostoso taverneiro foi ver seu rebe, o Santo Ruzhiner, e reclamou que seu senhorio, Reb Yaacov, estava para privá-lo de seu lar e seu meio de vida. O Ruzhiner chamou o mediador e pediu-lhe para que perdoasse o débito a um judeu carente. Acontece que Reb Yaacov era um homem correto e compassivo: fez como o Rebe lhe pediu e ainda mais: não apenas perdoou ao taverneiro o seu enorme débito, como também reduziu os pagamentos mensais da taverna. Sua única exigência foi que o taverneiro prometesse de dali em diante pagar o aluguel em dia.

"Porém os negócios na taverna continuaram a afundar e o pobre homem foi simplesmente incapaz de honrar sua promessa. O benevolente Reb Yaacov estendia-lhe mais e mais o prazo, até que finalmente perdeu a paciência com seu infeliz inquilino. Quando seus insistentes pedidos pelo pagamento produziram apenas desculpas e mais promessas, notificou o taverneiro que se não pudesse apresentar ao menos parte do dinheiro devido até o fim do mês, teria que desocupar os imóveis.

"O pobre taverneiro, sem um copeque no bolso, viajou novamente até o Rebe e abriu seu coração. Mais uma vez o Ruzhiner apelou a Reb Yaacov, e novamente este último acedeu ao pedido do Rebe e perdoou a dívida. Sensível às dificuldades de seu inquilino, reduziu ainda mais o valor a ser pago a cada mês.

"Mesmo assim, a sorte do taverneiro apenas piorava. Seus débitos ainda acumulavam-se, novamente o intermediário pressionava para receber o pagamento, novamente recebeu a notificação, e outra vez correu a Ruzhin.
Entretanto, desta vez os apelos do Ruzhiner foram em vão. 'O Rebe não é o dono de meu dinheiro,' disse Reb Yaacov. 'Já fiz mais que se poderia esperar de mim. Não posso mais arcar com essas dívidas sempre crescentes. Ou ele paga por completo ou alugarei a taverna a outro.'

"Pouco depois, o taverneiro foi despejado do prédio, que abrigava sua moradia e seu falido estabelecimento. Anos mais tarde, Reb Yaacov, o mediador, faleceu, e sua alma foi a julgamento perante a corte celestial. Eram muitas suas virtudes, pois tinha sido um homem íntegro e compassivo. Conduzira seus negócios com honestidade e sensibilidade, e contribuíra generosamente com os necessitados. Porém uma mancha desagradável maculava sua vida justa: havia atirado um judeu às ruas, privando-o e à sua família com crianças pequenas de seu lar e meio de vida.

" 'Que mais poderia ter feito?' — objetou Reb Yaacov. 'Perdoei-o pelo dinheiro muitas vezes, e continuamente reduzi o aluguel. Além disso, esta corte não está qualificada para julgar-me neste assunto.

" 'Por que diz isso?' perguntou o juiz superior.

" 'Aqui no céu, não se têm idéia do que é o dinheiro,' argumentou o réu — 'não entendem o que significa ganhar a vida, por isso não podem condenar o fato de que fiz o que fiz apenas porque o homem me devia dinheiro. Desejo ser julgado por uma corte que avalie o valor do dinheiro, que tenha vivenciado a labuta para sustentar a própria família.'

"A corte celestial concordou que Rabi Yaacov tinha razão. Assim, seu caso foi transferido às almas de duas grandes autoridades na Lei Judaica, Rabi Yossef Caro e Rabi Yohel Sirkisk. Os dois revisaram seu caso e acharam-no culpado.

"Mais uma vez Reb Yaacov protestou: 'Estes homens notáveis há muito deixaram o mundo físico e seus problemas de sustento. Séculos se passaram desde que eles pararam de se preocupar com dinheiro. Exijo que meu caso seja revisto por uma corte humana, com almas ainda emaranhada aos corpos e às necessidades dos corpos.' "

Neste ponto, Rabi Menachem Mendel falou a seus chassidim: "Bem, o que me dizem?"
Os chassidim reunidos não sabiam o que responder. Novamente Rabi Menachem Mendel falou: "Confirmo que Reb Yaacov está no seu direito. Que me dizem? Mmm?"

"Finalmente, a multidão entendeu que o 'caso' estava sendo decidido. Juntamente com Rabi Menachem Mendel e proclamaram:

"Girecht! (Ele está no seu direito!) Girecht! Girecht!"