Tudo começou como um hobby e uma missão, postando textos judaicos e respondendo a perguntas em boletins – tudo a partir de um minúsculo escritório. Rabino Yosef Yitschak Kazen, ou YY, então levou seu sonho um passo adiante: na infância do mundo do www, antes mesmo que o Google registrasse seu domínio, ele construiu uma “sinagoga virtual” em 1994.

“Começou como um hobby e se transformou numa operação de tempo integral,” declarou Kazen a Good Morning America em 1997.

Durante sua persistente busca de suas atividades na web, Kazen foi ridicularizado por desperdiçar seu tempo. “Perguntei ao Rebe se valeria a pena pensar em trabalhar com a Internet,” disse Kazen em 1997. “E o Rebe disse para ir em frente – prosseguir totalmente com aquilo.”

Hoje, na casa de Kazen no Brooklyn, NY, a atmosfera de respeito e amor familiar é reluzente. Antigas pastas atulhadas de papéis são abertas e a história revisitada. Rochel Kazen, esposa de YY, descreve carinhosamente a missão de vida do marido.

“Ele costumava acordar no meio da noite, falando sobre aquilo que pretendia fazer na Internet. Muitas dessas ideias estão se tornando realidade atualmente.”

“Estou respondendo a todas as perguntas desses indivíduos,” disse Kazen na Conferência de Emissários Chabad-Lubavitch em 1995. “Agora vamos publicar os livros já impressos na Internet.”

Informação Judaica na Web

Kazen iniciou a tediosa tarefa de escanear livros, transformando as imagens digitais em texto, lendo-os e colocando-os na web. Em suas próprias palavras, tratava-se de “fazer tanto por outras pessoas”.

Originalmente, Kazen estava postando alguns dos textos em boletins em Fidonet. Depois, ele conheceu a equipe da Embaixada Dorsai, uma organização sem fins lucrativos que estava ajudando outras organizações a estabelecer uma presença na Internet.

Charles Rawls, co-fundador da Dorsai e importante consultor de Internet, recorda: “Alguém no Banco Mizrahi disse-me um dia: ‘Charles, você precisa conhecer essas pessoas, estão fazendo coisas notáveis.’”

Quando Kazen conheceu Rawls, soube que teria de frequentar aulas, muitas aulas. Kazen disse estar disposto a fazê-lo. Tudo isso enquanto Kazen continuava seu trabalho regular na United Yeshivah Lubavitch. Mais tarde, ele dedicaria seu tempo apenas a este novo empreendimento – Chabad.org.

Aprendendo a Construir um Site na Internet

“Pegamos nosso carro e lá fomos nós para Long Island assistir às aulas,” disse Kazen em 1995. “Eu disse à minha esposa que estava saindo por uma hora, mas acabamos voltando às quatro da manhã.”

Foi o entusiasmo e participação de sua esposa que lhe deram a habilidade de continuar expandindo seu sonho na web. Nas palavras de YY, “percebemos que tínhamos descoberto uma mina de ouro, poder transmitir o Judaísmo numa maneira que ninguém no mundo está fazendo.”

O esforço era liderado por Kazen juntamente com Elie Winsbacher e Dovid Zirkind, todos trabalhando em Chabad.org – além dos seus empregos e do tempo passado com a família.

O filho de Kazen, Michoel, ajudou em parte da programação. “Meu pai encorajou meu interesse pelo computador, canalizando-o para ajudar na divulgação do Judaísmo via Chabad.org.”

“Meu filho costumava me ver sentado na frente do computador, e sempre queria saber o que estava se passando,” disse Kazen em 1997. “Cerca de onze e meia ele criou um programa pequeno apenas por criar. Basicamente, ele criou nossas homepages.”

Um Endereço na Web

Com a ajuda de Dorsai eles estabeleceram uma presença na Web em 1993. Chamaram de Chabad-Lubavitch no Cyberspace, com o slogan Divulgando o Judaísmo à Velocidade da Luz.

Assim foi criada a primeira biblioteca virtual judaica do mundo, permitindo que milhares de pessoas aprendessem sobre o Judaísmo pela primeira vez. Em fevereiro de 1994, com a assistência de Dorsai, eles compraram o domínio de nome Chabad.org e mudaram os servidores para um pequeno escritório na Sede Mundial de Lubavitch.

“Os chassidim Lubavitch,” escreveu o New York Times em julho de 1994, “que não hesitam em levar sua mensagem a judeus em outras partes do mundo, também estabeleceram um posto eletrônico na Internet.”

Com muito pouco encorajamento e fundos escassos, Kazen seguia em frente com força total, não permitindo que ninguém arrefecesse seu entusiasmo. “Ele não ficava frustrado com aqueles que não viam o potencial da Internet,” diz sua esposa Rochel. “Ele sentia que um dia eles chegariam a entender que aquilo que ele estava fazendo era importante.”

Quando a ideia de criar um website surgiu e Kazen apresentou a ideia na Sede Mundial de Lubavitch, “um dos secretários do Rebe me disse,” declara Kazen: “Yossef, você conseguiu um emprego no qual seu Beit Chabad ficará aberto 24 horas por dia e você não pode ter um minyan…’”

Good Morning América chamou-o de “Cyber Rabino”, e disse que Chabad.org é “Facilmente um dos sites religiosos mais populares da atualidade.”

Um Sonho Continua Vivo

Kazen escreveu uma proposta daquilo que ele queria para o seu site: desde jogos interativos até uma escola online onde crianças do mundo inteiro pudessem estudar juntas. Isto estava além até da mente daqueles que então levavam a Internet aos leigos. “Ele era um visionário, além daquilo que eu esperava,” disse Rawls, “para conseguir enxergar adiante daquela forma.”

No mundo atual é comum que toda organização tenha um site; porém, nos anos 90, isso não era a norma. Em 1995 Kazen pediu aos Batei Chabad e outras instituições judaicas para construírem websites a fim de educar judeus sobre o Judaísmo em todas as comunidades.

“Não há necessidade de um escritório de luxo”, escreveu Jeff Zaleski em 1997, em Na Alma do Cyberspace, referindo-se ao pequeno espaço que era usado para manter o site Chabad.org.

“As milhares de pessoas que acessam o site Chabad.org toda semana não verão esta sala, pois o Cyberspace esconde tanto quanto revela.”

A certa altura, com urgente necessidade de fundos, Kazen e Winsbacher usaram suas economias pessoais para adquirir computadores e servidores para o site. “A ideia,” disse Kazen a Zaleski, “é que o Judaísmo tem de ser livre.”

“Sua dedicação e devoção eram enormes,” declara seu cunhado, Rabino Moshe Lubavitch, vice-diretor de Merkos L’Inyonei Chinuch, o ramo educacional de Chabad-Lubavitch. “Ele entendia o potencial da mídia eletrônica, muito antes que nós soubéssemos disso.”

Atualmente uma equipe de mais de oitenta pessoas trabalha em Chabad.org, o maior site de informação judaica na Internet.

“É um sonho que Rabino Kazen tinha,” diz Rawls. “O sonho continua, é o maior tributo que se pode prestar ao homem – que seu sonho continue vivo.”