Entre em contato

A Terceira Bênção de Bilam

A Terceira Bênção de Bilam

Os Judeus Habitarão em Segurança em Israel

 E-mail

"A irrevogável proclamação de Bilam, filho de Beor, e a irrevogável proclamação do homem com boa visão (shetum haayin)."

Bilam estava, profeticamente, louvando a si mesmo, dizendo que era maior profeta que seu pai Beor, e que sabia segredos ocultos a todos os outros profetas.

De acordo com esta explicação, shetum haayin significa que Bilam tinha uma visão profética superior.

Contudo, as palavras shetum haayin comportam ainda outras interpretações:

1. Shetum haayin significa "aquele cujo um olho foi tirado." D'us puniu Bilam cegando-o de um olho, pois a sarcástica observação que fez ao pronunciar a profecia: "Ele conta a semente de Israel."

2. Além disso, Bilam chamou a si mesmo "o homem com mau olho." Bilam podia lançar as forças do mal sobre uma pessoa concentrando seu olhar sobre essa. Ergueu os olhos com o intuito de prejudicar os judeus, mas ficou impotente para prejudicá-los.

Bilam descreveu a si mesmo como "um homem forte" (guever, derivado do radical guevurá - força).

"Irrevogável declaração daquele que ouve os ditos de D'us, que vê as visões do Todo Poderoso, caindo enquanto lhe está sendo revelado."

Bilam continuava a descrever suas habilidades proféticas, declarando que eram comparáveis às de Moshê.

O perverso Bilam, que cometera toda espécie de pecado, tentava impressionar o mundo descrevendo sua superioridade sobre todos os outros profetas. Com sua auto-glorificação, tentava enganar as pessoas a respeito de seu verdadeiro caráter.

De que maneira a profecia de Bilam se compara a de Moshê?

"Não houve ninguém como Moshê no povo judeu" (Devarim 24:10). Este versículo implica que entre os gentios houve um profeta do calibre de Moshê, a saber, Bilam. D'us concedeu às nações do mundo uma profecia superior, para que não reivindicassem: "Se apenas tivéssemos um profeta tão grande quanto Moshê, nós também teríamos servido o Todo Poderoso, como o povo judeu."

Apesar disso, Bilam era inferior a Moshê.

Moshê ouvia as mensagens de D'us de pé. Bilam não conseguia suportá-las de pé, por isso prostrava-se. Todos os profetas idólatras prostravam-se durante suas profecias, pois não eram circuncidados.

A rainha de Shevá ouvira a respeito da rara sabedoria do rei Salomão, e quis testá-lo. Viajou à corte de Salomão em Jerusalém, onde propôs-lhe diversas charadas e questões engenhosas.

Dentre outras coisas, trouxe um grupo de meninos perante Salomão e disse: "Alguns desses jovens são circuncidados, outros não. Você pode dizer quais são os meninos circuncidados?"

Salomão pediu ao Sumo-sacerdote que abrisse a Arca e mostrasse-a às crianças. Os circuncidados curvaram a cabeça, e suas faces iluminaram-se com o esplendor da Shechiná. Todos os não circuncidados não puderam suportar a santidade da Arca e caíram sobre suas faces.

Quando Salomão forneceu a resposta correta, a rainha indagou: "Como você pensou neste método para distinguir entre eles?"

"Aprendi da Torá," retrucou Salomão. "Está escrito que Bilam não conseguiu suportar a glória de D'us, porque não era circuncidado, e portanto sempre se prostrava quando a Shechiná revelava-Se a ele."

Bilam continuou falando:

"Quão boas são tuas tendas, Yaacov, tuas habitações, Israel."

Bilam desejava lançar um mau olhado sobre os judeus, porém foi forçado a afirmar que esta nação era tão sagrada que seu mau olhado não tinha poder contra eles.

Os judeus arrumaram suas tendas de forma que nenhuma entrada ou janela ficasse de frente uma para a outra. Isto possibilitava que cada família conduzisse todos os seus assuntos em particular. Mais que isso, ninguém ficaria tentado a olhar ou cobiçar a mulher ou os pertences do vizinho. Percebendo isso, Bilam exclamou: "Quão boas são tuas tendas, Oh, Yaacov!"

Este versículo implica:

Quão boas são as tendas da Shechiná, os Santuários e os dois Templos" todos vistos profeticamente por Bilam.

Quão boas são as Casas de Orações e Estudos de Torá, as miniaturas do Templo no exílio!

Da bênção de Bilam fica evidente que maldição queria falar; que os judeus no exílio não terão mais Casas de Orações e Estudos, intensificando sua conexão com o Todo Poderoso. Contudo, D'us fez com que Bilam concedesse uma bênção de que nossas Sinagogas e Casa de Estudos permaneceriam conosco para sempre.

Essas bênçãos são tão significativas que os sábios incorporaram-nas às orações diárias. D'us queria que estas bênçãos sublimes viessem ao povo judeu através do perverso e imoral Bilam. Assim, o mundo saberia que ninguém tem poder de prejudicar os judeus contra a vontade de D'us.

"[Os judeus são] como os riachos que fluem, como jardins às margens do rio, tão fragrantes quanto os aloés que D'us plantou, como as árvores de cedro à beira da água."

Bilam descreveu poeticamente a grandeza dos judeus, um povo que estuda Torá e cumpre as mitsvot. Os judeus que entram nas Casas de Estudos são comparados aos riachos dos quais a água (Torá) flui, e às plantas nas margens do rio, uma vez que o estudo da Torá purifica como a água. São comparados às belas e fragrantes plantas que produzem frutos, como as que D'us plantou originalmente no Paraíso.

Seu estudo eleva-os, do mesmo modo que as árvores de cedro são muito mais altas que outras árvores.

"A água fluirá de suas nascentes, e sua semente estará em muitas águas."

Este versículo inclui grande número de significados, dentre eles:

1. Bilam exclamou: "A Torá fluirá dos pobres."

Nossos sábios declararam: "Ensine Torá aos filhos dos pobres, pois o versículo afirma que serão estudantes de Torá."

Por quê o estudo da Torá é mais comumente disseminado entre os judeus pobres que entre os ricos?

• Os ricos estão preocupados com seus negócios, e por isso perdem tempo do estudo da Torá.

• Os pobres são mais humildes que os abastados, por isso sentem necessidade de estudar.

• Pessoas pobres não possuem os meios de passar seu tempo de lazer da maneira que os ricos (viajando nas férias, fazendo compras, dando festas, e assim por diante). Em vez disso, preenchem seu tempo livre com o estudo da Torá.

2. Bilam profetizou que o povo judeu terá seus próprios reis poderosos, dizendo: "Um grande rei, Shaul, surgirá dos judeus; mais tarde, David e Salomão governarão muitas nações."

Por que a realeza é descrita como "água que flui de uma nascente"?

Os reis judeus eram ungidos com água da nascente, como símbolo de que sua monarquia perdurará, assim como a nascente emana continuamente.

"E seu rei será mais forte que Agag, e seu reinado será elevado."

Bilam profetizou que o primeiro rei judeu, Shaul, batalhará contra Amalec e derrotará seu rei, Agag. Mais tarde, David e Salomão derrotarão poderosos monarcas, e seu reinado, assim, se elevará.

As palavras de Bilam indicam claramente as maldições que queria pronunciar - que sua monarquia não será forte, e que não perdurará.

"D'us, que tirou-os do Egito, protege-os com Sua força e elevação."

Quem conquista todas essas vitórias para o povo judeu? Certamente é D'us, Que com Sua força e grandeza luta em seu lugar.

"Ele [D'us] consumirá as nações, suas adversárias, e quebrarão seus ossos e Ele dividirá sua terra [entre os judeus]."

Não pense que pode impedir os judeus de conquistar Canaã. O mesmo D'us Que tem a força para redimi-los do Egito também matará os reis canaanitas e dará suas posses aos judeus.

"Ele [este povo] se agachará e descansará como o leão e um filhote de leão: quem ousa levantá-lo [quando está descansando]?"

Os judeus se instalarão firme e seguramente na terra, nenhuma nação conseguirá expulsá-los.

"Os que te abençoam são abençoados, e os que te amaldiçoam são amaldiçoados."

Contra si mesmo, Bilam foi forçado a repetir a antiga promessa de D'us a Avraham, que continha a ameaça de que se Bilam amaldiçoar os judeus, ele trará maldição apenas sobre si mesmo.

Agora, a ira de Balac contra Bilam fora acesa. Rangia os dentes e esfregava as mãos em desespero e lamento pelo desencadear dos eventos.

"Você já abençoou meus inimigos três vezes," vituperou. "Eu lhe avisei para correr para casa antes de mandar meus servos lhe executarem. Vejo que D'us não quer que você seja honrado."

Bilam respondeu: "Mesmo se me der todo seu dinheiro, devo abençoar os judeus, pois D'us colocou essas bênçãos na minha boca."

"Contudo, arquitetei outro plano para destruir os judeus. Deixe-me lhe dar um bom conselho. O D'us dos judeus odeia imoralidade. Se você conseguir seduzi-los a pecar, Ele Mesmo os dizimará. Deixe-me descrever como enganar os homens judeus!"

O perverso Bilam arquitetou um plano para capturar os judeus na armadilha da imoralidade, (como será descrito no final desta parashá).

"Antes de eu partir," anunciou Bilam, "Sou compelido a lhe desvelar ainda outra profecia. Esta revelará o que os judeus farão na época de Mashiach. Contudo, no presente você não tem motivos para temê-los, pois D'us proibiu-os de atacarem Moav."

© Direitos Autorais, todos os direitos reservados. Se você gostou desse artigo, encorajamos você a distribuí-lo, desde que concorde com a política de copyright de Chabad.org.
 E-mail
Inicie um Debate
1000 Caracteres restantes