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Meu Faraó de Plástico

Meu Faraó de Plástico

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Por Tzvi Freeman
Aqui estou eu, tentando tirar as migalhas do teclado ergonômico de meu computador, enviando por fax a minha ":Procuração Para Venda de Chamêts" e baixando uma nova Hagadá. Em outras palavras, Pêssach está chegando. Logo estarei sentado à mesa do Sêder com a família e amigos, quando surgirá a mesma pergunta de todos os Dias Festivos: "O que estamos celebrando? Por que estamos todos aqui?"

Meus filhos dizem que não há o que questionar: Estamos aqui para celebrar nossa liberdade. É por isso que o feriado é chamado "A Festa de Nossa Libertação". Éramos escravos no Egito, agora somos livres. Portanto, vamos à refeição e à celebração.

Estou contente por eles se sentirem tão livres. Quanto a mim, ainda sou um escravo e o Faraó, rei do Egito, nunca morreu. Trabalho para ele a semana toda. Ele me levou a isto: Primeiro, ele me deixa possuir todas estas coisas boas que eu realmente queria sem pagar nada. Depois ele começa a exigir dinheiro em troca delas. Quando, certa vez, não paguei todo o dinheiro, ele exigiu ainda mais dinheiro. Precisei então trabalhar ainda mais para dar a ele todo o dinheiro que exigia.
Levo uma foto do Faraó em sua atual encarnação na minha carteira. Há um nome assustador gravado sobre ela. Ele se chama "MasterCard".

Mas meus filhos não pensam assim. Eles dizem que na Hagadá está escrito que o Faraó nos deixou ir embora, livres. Bem, conheço a Hagadá um pouquinho melhor que eles. A verdade é que a Hagadá, como qualquer outra parte da Torá, está repleta de enigmas e contradições aparentes, para que perguntas sejam feitas. Se você ler qualquer parte da Torá, especialmente a Hagadá, e não fizer alguma pergunta, obviamente não está lendo como deveria. (É por isso que o "Filho que não sabe fazer perguntas" é colocado no final da mesa. Não o Filho Perverso. Não o Filho Simples. "O Filho que não pergunta". Não apenas porque não perguntar é bastante não-judaico, mas também porque significa que simplesmente você não está prestando atenção ao que está acontecendo.

Voltando ao assunto: Acabamos de fazer o Kidush, no qual chamamos isso tudo de "Festa de Nossa Libertação". O que dizemos em seguida? "Este é o pão do pobre… Agora somos escravos, no próximo ano seremos homens livres."

Ora, isso é uma contradição! Somos livres ou somos escravos?

Então meus filhos me dizem que estamos celebrando porque antes éramos escravos e nos libertamos e portanto estamos celebrando. O fato de termos entrado numa confusão e nos tornado escravos outra vez, bem, azar nosso. Ainda podemos comemorar o passado. Desde que o jantar seja bom.

Deixe-me dizer-lhe uma coisa: Não estou comemorando o passado. Se tenho de passar por tudo isso no ano 5764, 3316 anos depois para limpar minha casa para Pêssach e fazer um belo Sêder, isso precisa ter mais significado que comemorar algo que de qualquer forma cancelou-se com a história.

O problema de ser um escravo com todas estas contradições, associado ao estresse da limpeza para Pêssach, realmente me aborreceu. Portanto, fui ver um psicoterapeuta. Ele ouviu, tomou notas e então disse-me que MasterCard não é o Faraó. Eu sou o Faraó. Mais especificamente, minhas exigências absurdas comigo mesmo são o Faraó.

Eu disse a ele que minha única exigência comigo mesmo é que eu não deveria ser um escravo. Ele disse que eu não deveria usar esta palavra, "deveria". A palavra "deveria" significa que estou fazendo uma exigência absurda a mim mesmo. Isso provoca estresse. O estresse, na Hagadá dele, é escravidão.
Aparentemente, os Hebreus no Egito estavam realmente estressados. Construir pirâmides não era nada. O pior era o estresse que eles sofriam.

"Então" – perguntei – "o que eu deveria fazer? Não quero ser um escravo."

Ele disse que eu não deveria fazer coisa alguma. Só desejar já está bem. Eu posso desejar não ser um escravo. "Deveria" não é bom. É irracional.

Então fiquei realmente confuso. Eu sempre entendera que "Eu deveria" era meu libertador, e que "Eu quero" era justamente quem tinha me colocado naquela situação. Mas a hora terminou e ali estava eu no consultório, mostrando minha foto do Faraó para a secretária do psicoterapeuta.
"Em resumo" – pensei – "eu não deveria dizer deveria." Eu precisava de outra consulta com o espremedor de crânios para perguntar se eu deveria ou não dizer que eu não deveria dizer deveria. Mas, com o preço que estes profissionais cobram, eu não acreditava que meu pequeno Faraó me permitiria fazê-lo.

De qualquer modo, decidi, não preciso de um psiquiatra para conseguir me libertar. Afinal, a libertação é uma forma de esclarecimento. Quando foi a última vez que você falou com um psicoterapeuta espiritualmente esclarecido?

O que eu precisava era de um guru. Uma alma elevada, transcendente, que fosse essencialmente liberada e pudesse me tirar de toda esta confusão.

Sentei-me então e digitei uma carta explicando tudo ao Rebe de Guadalajara, enviando-a em seguida para o endereço esclarecimento@guadalajara.guru.

Permaneci online aguardando minha resposta. Neste ínterim, paguei eletronicamente as contas que devia por ficar tanto tempo online para conseguir uma resposta rápida. Meu pequeno Faraó foi-me útil novamente.

Então a resposta chegou. Exatamente assim:

"Somos todos prisioneiros. O ato da existência é nosso crime. O universo é nossa prisão. Nosso corpo e nossa pessoa é nossa cela. As chaves para a libertação estão firmemente guardadas nos punhos de nosso próprio ego."

Em seguida uma pequena nota dizia: "Veja o Tanya, capítulo 47. Leia também "Aproximando o Céu da Terra", por Tzvi Freeman.

Meditei, beberiquei chá, meditei um pouco mais, e entendi. Mastercard não é o Faraó. "Eu quero" não é o Faraó. "Deveria" também não é. Não se trata do quero ou do deveria, mas sim do "EU".

Consultei o Tanya, a clássica obra chassídica do Rabi Shneur Zalman de Liadi, capítulo 47. Ali ele afirma que quando D'us nos deu a Torá, deu-nos a infinitude. Conectamo-nos a Ele por intermédio da Torá e somos livres porque então somos infinitos e livres como Ele. E ele escreve: "… e portanto não há nada impedindo ninguém, exceto sua própria vontade, pois se uma pessoa não deseja…"

Mais uma vez, a mesma idéia. Somos todos livres. Porém nosso ego segura firmemente as chaves. Como faço para que meu ego solte as chaves?

Para a filosofia você pode procurar um tsadic esclarecido em algum lugar do México. Para uma libertação prática, em tempo real, eu preciso do Rebe. Do Lubavitcher Rebe.

Este é o conselho prático do Rebe, numa palestra proferida num Pêssach:

"Torne uma parte de sua vida uma ação que o leve além de seus limites, ajudando pessoas que não são parte de sua família ou círculo de amigos, fazendo alguma coisa que não se encaixe em sua própria auto-definição. Convide alguém com quem você não se sente à vontade para seu sêder. A princípio, talvez você não se sinta muito bem. Mas você se libertou."

Portanto, mais uma vez este ano, chego ao meu sêder. Deixo meu pequeno mundo particular do meu minúsculo eu e passo pela porta rumo a algo infinito, intemporal e eterno, porque está conectado ao infinito, intemporal e eterno D'us. Não faço mais parte de mim. Sou parte de nós e parte de Sua Torá, e portanto, parte d'Ele.

E para prová-lo, eu digo: "Que todos aqueles que precisam venham e se juntem ao nosso sêder..."

Eu me libertei. Este ano, devemos todos nos libertar. Não apenas no sêder, mas em todos os momentos da nossa vida. Para sempre.

Este ano em Jerusalém!

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