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Diplomacia Silenciosa

Diplomacia Silenciosa

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Por Jacob Chic Hecht
Faz mais de dez anos que o Rebe de Lubavitch faleceu. Tenho 75 anos, e desejo relatar a história mais importante de minha vida. É uma história sobre a sabedoria do Rebe.

Fui eleito para o Senado dos Estados Unidos em 1982. Alguns anos depois, meu irmão, Martin Hecht, e meu sobrinho, Dr. Chaim Hecht, levaram-me ao Brooklyn para conhecer o Rebe num farbrenguen (reunião chassídica). O Rebe falou comigo e disse: "Sua maior prioridade deveria ser tirar os judeus da Rússia." Respondi que minha falecida mãe era imigrante russa, e tinha fugido com sua família para escapar da morte nas mãos do cossacos russos. "A chave", disse o Rebe, "era a diplomacia silenciosa". Lembre-se que a Guerra Fria com a Rússia ainda estava ocorrendo.

Cerca de três anos depois, havia uma votação muito importante para ser feita pelo Senado americano. O Presidente Reagan precisava do meu voto para um desempate. O voto era importante para o Presidente. Eu sempre tinha apoiado o Presidente Reagan, pois achava que ele era o melhor amigo de Israel na Casa Branca. Encontrei pessoalmente o Presidente e falei a ele da minha decisão de apoiá-lo com meu voto de desempate. Perguntei então se poderia mencionar uma preocupação minha. Reagan concordou. Contei a ele que minha mãe viera da União Soviética como imigrante, e somente pela graça de D'us eu estava ali no Senado perante o Presidente dos Estados Unidos. Pedi a ele que colocasse mais ênfase no pedido de libertação das dezenas de milhares dos judeus soviéticos antes da próxima Conferência de Cúpula. "Todos devem ter permissão para deixar a União Soviética, Sr. Presidente, não apenas os idosos, mas também crianças, adolescentes, médicos e cientistas. Todos devem receber o direito humano básico da liberdade." O Presidente expressou grande preocupação.

Fui o último compromisso do Presidente antes de partir para a Conferência em Reiquejavique, Islândia, que ocorreu no início de outubro de 1986. Naquele encontro apresentei ao Presidente uma lista de 1200 nomes de judeus soviéticos que tinham se inscrito para emigrar da Rússia. Lembrei ao Presidente que os números poderiam chegar aos milhões, mas este já seria um começo. Usei a "diplomacia silenciosa", pois apenas o Presidente, um assessor e eu estávamos no gabinete.

O Presidente Reagan entregou a lista com os 1200 nomes ao Presidente Mikhail Gorbachev na Conferência de Reiquejavique e falou sobre a sua importância. Dentro de semanas uma pequena quantidade de judeus começou a deixar a Rússia. Logo a pequena quantidade se transformou em dezenas de milhares.

Depois que Ronald Reagan deixou o cargo e eu me tornei Embaixador nas Bahamas, ele e a Sra. Reagan foram para as Bahamas em férias. Convidaram minha mulher e eu para um coquetel no qual receberiam alguns amigos. Eu disse ao Presidente que maravilhoso serviço ele prestara ao povo judeu ao conseguir que os judeus deixassem a Rússia, e perguntei por que ele nunca mencionara o fato em público. A Sra. Reagan disse que havia muitas pessoas em torno dele que não desejavam que os judeus saíssem da Rússia, e que se ele tornasse o fato conhecido, o êxodo teria de parar. O Presidente Reagan usara a "diplomacia silenciosa" com Gorbachev.

A história continua com um toque humano. Meu irmão Marty, que tem tido problemas com os pés, foi à Clínica Scripps em La Jolla, Califórnia. Marcou consulta com um médico que o enviou a um especialista. Este o examinou e fez uma pergunta: "Seu nome é Hecht. Conhece um Senador Hecht?" Marty disse: "É meu irmão." O médico ficou bastante emocionado e respondeu que eu tinha salvado a vida de sua esposa, mãe, e sogro. Eles estavam na lista e tinham recebido instruções para estar no aeroporto numa determinada hora. Eles não sabiam o que esperar. Embarcaram no avião e decolaram para Viena. Com o dinheiro que tinham, enviaram um telegrama de agradecimento ao Presidente Reagan. Desde aquela época, tenho conhecido muitos judeus que estiveram naquela lista.

O conselho do Rebe e suas instruções para usar "diplomacia silenciosa" resultaram no salvamento de centenas de milhares de vidas, e num Israel mais forte, para onde a maior parte imigrou.

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Samua de Brito Paiva Rio de Janeiro, RJ via beitlubavitchrio.org 25 Outubro, 2013

Amei a história. B"H. Reply