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Jerusalém: A Alma de Israel

Jerusalém: A Alma de Israel

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Por Sara Yoheved Rigler – aish.com

No ano 70 EC nós a perdemos.

O exército romano conquistou aquela que tinha sido a glória da nação judaica durante mil anos. Eles pilharam Jerusalém, e mataram ou escravizaram todo judeu residente.

Sessenta e cinco anos depois, o Imperador Romano Adriano arrasou a cidade. Nas ruínas, ele construiu a Aelia Capitolina. Os únicos judeus com permissão de entrar eram os escravos judeus. E o nome”Jerusalém” sobreviveu apenas em nossos livros de orações, dos quais implorávamos três vezes ao dia a D'us para reconstruir Jerusalém.

Quando o Império Romano se reinventou como Império Bizantino Cristão no Século Quarto, eles trouxeram de volta o nome da cidade, Jerusalém, mas não seus judeus. Esses, que ainda viviam em comunidades prósperas na Galileia e nas Colinas do Golan, podiam entrar somente uma vez ao ano – em Tisha B’Av, o dia da destruição do Templo Sagrado e de Jerusalém. Como escreveu Jerome, um historiador contemporâneo: “Os judeus podem somente vir para prantear a cidade, e precisam comprar o privilégio de chorar pela destruição da cidade.”

A conquista árabe em 638 tirou a cidade dos Bizantinos. O Califa Omar, governador muçulmano, permitiu que os judeus voltassem. Uma grande quantidade de judeus se instalou ao norte do Monte do Templo. O Monte do Templo, é claro, era a coroa de Jerusalém. O Imperador Romano Adriano tinha construído um templo para Júpiter nas ruínas do Templo Sagrado Judaico. Os bizantinos tinham construído uma igreja ali. Agora os muçulmanos nivelaram o local e construíram o Domo da Rocha e a Mesquita El Aksa.

Os Cruzados conquistaram Jerusalém em 1099, e mataram todo judeu e muçulmano. O sangue chegava à altura dos joelhos por todas as ruas sagradas. Logo os cristãos permitiram que os tecelões judeus retornassem. Benjamin de Tudela registrou: “Há cerca de 200 judeus que moram sob a Torre de David.”

Um século mais tarde os muçulmanos sob Saladin derrotaram os Cruzados, e mais uma vez foi permitido aos judeus o livre acesso a Jerusalém. Como escreveu Rabi Solomon ben Samson:”Chegamos a Jerusalém pelo lado oeste da cidade, rasgando nossas vestes ao contemplá-la… Foi um momento de profunda emoção, e choramos amargamente.”

Os Mamluks egípcios (soldados-escravos) dominaram a cidade em 1250. Quando o famoso Rabi Moshê ben Nachan (o Ramban) chegou da Espanha não encontrou sequer judeus suficientes para compor um minyan. Numa carta a seu filho ele escreveu: “Escrevo a você essa carta de Jerusalém, a cidade sagrada… a mais destruída de todas as cidades… Encontramos uma casa arruinada com pilares de mármore e um lindo domo, e a transformamos numa sinagoga… As casas da cidade estão abandonadas, e qualquer pessoa pode se apossar delas.” O Ramban restabeleceu a comunidade judaica em Jerusalém e ela cresceu.

Em 1516, os turcos otomanos conquistaram a cidade. O sultão Suleiman, o Magnífico, reconstruiu as muralhas de Jerusalém e encorajou os judeus exilados da Espanha (em 1492) a se estabelecerem ali. Menos de um século depois, porém, o regime turco se tornou corrupto. Eles impuseram pesados impostos e muitas restrições aos judeus de Jerusalém. Apesar disso, dirigidos pelo coração e pelas preces, os judeus continuaram a retornar para Jerusalém.

Por volta da metade do século dezenove a cidade murada de Jerusalém estava tão apinhada de judeus que alguns poucos moradores sugeriram mudarem para fora das muralhas, mas sem a maciça proteção de pedra eles estariam à mercê de ferozes bandos de atacantes. Sir Moses Montefiore deu o primeiro passo para resolver o problema, construindo uma proteção fora das muralhas; vinte intrépidas famílias judaicas estabeleceram residência ali. Logo surgiram outros enclaves de judeus, e a nova cidade de Jerusalém se estendeu àquilo que seria conhecida como a “Cidade Velha” como um enclave de descendentes ao redor de sua Matriarca.

Os britânicos derrotaram os turcos durante a Primeira Guerra Mundial, e em 1917, o General Allenby marchou vitoriosamente até a Cidade Velha murada. Os britânicos dividiram a Cidade Velha em quatro partes: o Bairro Muçulmano (na verdade metade da área da Cidade Velha), o Bairro Cristao, o Bairro Judeu, e o Bairro Armênio. As designações eram espúrias; segundo o censo dos mandatários britânicos, a maior parte dos moradores do “Bairro Muçulmano” era constituída por judeus.

Os britânicos mantiveram as restrições dos turcos sobre os judeus no Kotel (Muro Ocidental), o local judaico mais sagrado perto do Monte do Templo. Somente uma rua estreita era acessível para a prece judaica. Os judeus não tinham permissão de levar bancos para se sentar. Não podiam colocar uma mechitsá como as existentes nas sinagogas. Aqueles judeus que ousassem tocar o shofar em Rosh Hashaná ou ao final de Yom KIpur eram detidos e aprisionados.

Quando, em maio de 1948, os britânicos foram forçados pelas Nações Unidas a partir, a Cidade Velha de Jerusalém, incluindo o Monte do Templo e o Kotel (Muro Ocidental), caíram nas mãos do exército jordaniano (conhecido como Legião Árabe). Todos os moradores judeus foram exilados. Os homens foram levados à Jordânia como prisioneiros de guerra, e as mulheres, crianças e idosos foram forçados a passar pelo Portão Zion, quando seus lares há gerações iam sendo derrubados e queimados atrás deles.

Pela primeira vez em três milênios, a Cidade Velha de Jerusalém estava Judenrein.

O nascente Estado de Israel, nascido naquele mês, proclamou Jerusalém como sua capital. David ben Gurion, o Primeiro Ministro de Israel, declarou: “O valor de Jerusalém não pode ser medido, pesado, ou traduzido em palavras. Se um pais tem uma alma, Jerusalém é a alma da Terra de Israel.”

A “cidade nova” de Jerusalém, dividida entre Israel e Jordânia, tornou-se o local fervilhante de instituições governamentais, educacionais e culturais. Mas seu coração, a Cidade Velha, cercada por arame farpado e um ameaçador Terra de Nenhum Homem, permaneceu fora de Israel como, durante algumas cirurgias cardíacas, o coração do paciente fica fora de seu corpo.

Durante dezenove anos, Jerusalém – a verdadeira Jerusalém, a Cidade Velha – recolheu-se em suas preces e nossos anseios. A maior compositora de Israel, Naomi Shemer, compôs uma canção pungente, “Jerusalém de Ouro”, que se tornou um hino de anseio para os judeus seculares como o do Salmista “Se eu te esquecer, ó Jerusalém”, era para os judeus religiosos.

Então no 28º dia do mês hebraico de Iyar, no terceiro dia da Guerra dos Seis Dias em 1967, enquanto o exército israelense estava lutando contra o exército jordaniano em áreas ao longo da Terra de Ninguém, o comando israelense de repente percebeu que poderia ser possível reclamar a Cidade Velha. Nos arquivos do exército israelense foram detalhados planos militares para quando tomar cada colina e campo na terra, mas não havia plano algum para tomar a Cidade Velha. Suas grossas muralhas e defesas, construídas para afastar invasores, a tinham tornado invencível em 1948, quando dezenas de lutadores judeus tinham perdido a vida tentando penetrar seus bastiões. Mas agora, quando vitórias milagrosas estavam sendo conseguidas em todo fronte, era possível – realmente possível – reclamar a Cidade Velha de Jerusalém?

O decreto foi emitido à 55ª Brigada das Tropas de Motta Gur para tomarem a Cidade Velha. Um judeu secular com o anseio por Jerusalém correndo em suas veias. Gur foi humilhado pelo encargo, que após 2.000 anos, ele teria de comandar as forças judaicas que finalmente levariam Jerusalém de volta à soberania judaica.

Soldados paraquedistas entraram pelo Portão dos Leões. Para surpresa deles, além de um tiro ocasional, não houve resistência. As forças jordanianas tinham evacuado na noite anterior. As tropas israelenses, como um ímã, foram diretamente ao Monte do Templo. As palavras de Mutta Gur, ouvidas no rádio em abrigos contra bombas e bases em todo Israel, iriam ecoar no decorrer da moderna história judaica como um grito de vitória de um povo conquistado-não-vitorioso. “Har Habayit b’yadenu, o Monte do Templo está em nossas mãos!”

Eu me sento aqui hoje, na Cidade Velha de Jerusalém, 48 anos após aquele dia histórico, e celebro Yom Yerushalayim, o Dia de Jerusalém.

Meu neto brinca nas ruínas dos Romanos. Meu marido reza na sinagoga do século Treze fundada pelo Ramban. Caminho diariamente pelas ruas de pedras onde o Profeta proclamou: “Homens velhos e mulheres velhas irão novamente habitar nas ruas de Jerusalém… e as praças da cidade estarão repletas com meninos e meninas brincando em suas ruas.” (Zechariah 8:4)

E toda célula da minha alma celebra o presente dado por D'us, o retorno do povo judeu a Jerusalém – e o retorno de Jerusalém ao povo judeu.

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Anônimo Arapiraca, AL via beitchabad.org.br 22 Outubro, 2016

Bela retrospectiva! Reply